20 de jun de 2013

My Dear Nerd - What If - Capítulo 11 - Ele Voltou


POV ASHLEY
Sentei na cadeira que tinha na enfermaria da escola. Ela era precária e meu bumbum maravilhoso não merecia sentar ali. Mas já que não tínhamos escolha, me sentei ali. Abri minha bolsa tirando da mesma uma pequena panelinha descartável bem pequenina. Abri a mesma, tirando dela meus pepinos. Suspirei, relaxando melhor na cadeira. Neste momento, as pessoas que estavam ali me olharam estranho.
– o que foi? – perguntei confusa. Será que eles ficaram obcecados com minha beleza? Mas porque os olhares estranhos?
– você não vai fazer o que eu estou pensando que vai, não é? – perguntou Damon receoso. Dei de ombros. Ah então é isso. O que há de mal com os meus pepinos?
– o que foi? Eu tava usando meus pepinos na aula e de repente mina Best aparece na enfermaria da escola porque levou uma bolada de um bobão que beija mal. E quando vou tentar utilizar meus preciosos pepinos para continuar linda você não gosta? Não te entendo! – respondi dando de ombros.
Mas não me olhe estranho, o Juju, Damon e Frad que estão que nem loucos caminhando de um lado para o outro da sala de espera da enfermaria. Eu sabia que a Aninha Abelhinha ia ficar boa logo. Ela era uma garota forte, que ao contrario de mim não tem medo de perder algumas unhas lindas e rosas bebê. Ela vai passar por essa. E enquanto isso, porque não cuidar da minha beleza? Hum? Eu hein.
– eu é que não te entendo. Não mesmo. – comentou Damon baixinho.
– HEY! EU OUVI ISSO! TA ME CHAMANDO DE DOIDA É? QUER PERDER O TRASEIRO? – ameacei irritada, levantando deixando os pepinos sobre a cadeira correndo na direção de Damon parando na frente dele. Ameaçadora. Ele engoliu a seco, me encarando com os olhos arregalados.
– hum... Ér... Hum... – Damon resmungou tentando me convencer de algo. Mas eu vou bater muito no popozão dele.
– ouse repetir o que você disse que eu vou chutar tanto o seu traseiro branco e macio e ele vai parar naquele país que o pessoal tem o olhoinho puxado.
– Ashley você quer dizer, China? – perguntou Juju. Virei-me olhando pra ele, confusa.
– ué, eles também tem o olhinho puxado?
– sim é uma característica daquele povo. – respondeu ele. Nerdemente.
– é mais eu tava pensando em outro país, agora.
– a Coreia?
– não. É outro onde eles falam tudo estranho e com desenhos bem difíceis de copiar.
– ah! Certo, você está querendo dizer que vai chutar o traseiro dele e vai fazê-lo parar no Japão. – corrigiu ele. Sorri lhe dando um beijo na sua bochecha, deixando ela com a marquinha do meu batom novo. Ah! É rosinha e tem brilhinho. Eu vendo por três dólares, quem compra?
– isso mesmo Juju, brigadinha.
– é cara. Obrigada por ajudar essa doida a me matar. Esqueceu que eu ainda não sei falar chinês? – ironizou Damon.
– quanta baboseira. – cochichou Frad, emburrado com os braços cruzados.
– como é que é? Quer que eu te bata?
– olha aqui garota, eu só não bato em você por que é mulher. – o comentou. Dei de ombros.
– pelo menos isso, né? Mas mesmo que tentasse não bateria e quer saber por quê? Porque eu sou linda, maravilhosa e todos, eu repito...
– todos me amam. – algum ser inanimado terminou minha linda frase. Quando me virei para ver quem falava vi a minha admiradora de longa data, a pessoa ao qual ama meu cabelo, meus esmaltes rosa e minhas unhas perfeitas e que ama assistir Querida Querida Unha comigo.
POV ANNA
Eu ri ouvindo o monte de baboseiras que minha melhor amiga dizia. Era engraçado, e para não atrapalhar tudo aquilo, preferi ficar observando eles falarem e ela quase matar o Frad e o Damon. Mais eu ainda não entendia o porquê dela estar querendo estrangular eles. Então quando não resisti mais ver aquilo sem poder dar uma mínima risada completei a frase que eu ouço desde que me entendo por gente. Depois disso não restaram alternativas, senão virarem-se para mim e correr ao meu encontro. Eu sentia os beijinhos carinhosos e calorosos que recebia de Juju em todo o rosto.
Ele se mantinha sentado ao meu lado na cama da enfermaria, me abraçando forte. Por mais rápido que fosse, tive a ligeira sensação de ter um ser indesejado me olhando. O mesmo que acertou a bola em minha cabeça. E realmente, eu estava certa. Ele estava lá. Apesar de eu não entender muito bem, contive um sorrisinho de lado. Talvez, pensei, Frad estivesse recuperando a humanidade que havia perdido, ou que nunca existiu.
– hey até que enfim a morena adormecida acordou. – comentou Ashley, puxando o Juju pelo braço pra longe, sentando no lugar dele ao meu lado.
– você não quer dizer, Bela Adormecida? – corrigiu Juju confuso. Ela deu de ombros.
– não eu falei certo. Porque a “Bela” aqui sou eu. – respondeu ela. Eu ri.
– e a Anna? – perguntou Damon dessa vez. Ela sorriu.
– ela é a Adormecida da história, dã. – respondeu ela como se fosse óbvio. Se fosse outra pessoa, entenderia como uma baita ofensa, mas, como parte da boquinha rosinha da minha amada melhor amiga, Ashley agente deixa passar. Se bem que fazia sentido. Afinal querendo, ou não eu estava adormecida.
– mas me diz aí flor que me ama, o que achou do meu cabelo? Vou fazer mechas rosa nele, o que me diz? – perguntou à loira. Ela sabia bem o que eu queria em uma situação como essa. E eu queria mesmo era esquecer-se da bolada que levei de Frad e da pequena e suportável dor de cabeça que ainda sinto. Porque ela sabe que ficar insistindo nesse assunto vai me deixar com mais dor de cabeça. É por isso que eu amo ela, cara. É a minha loirinha.
– acho incrível, contanto que me deixe pintá-lo. – comentei. Ela negou mexendo em alguns fios do cabelo loiro e bem cuidado que tinha.
– cê tá doida? Pirou na batatinha? É claro que não. Se você estragar meu cabelinho e acabo com os seus cabelinhos negrinhos. E como não quero ter uma amiga careca, você não vai tocar no meu cabelinho. – negou ela. Eu ri. É de fato eu não quero ficar careca, por tanto está fora de cogitação pintar a cabeleira loira que ela tanto ama.
– caso não tenha reparado, loira, sua amiga acabou de sofrer um acidente. – comentou Damon, e quando ela o encarou senti o medo no olhar dele. E aquilo me fez rir mais uma vez.
– obrigada pela preocupação, Damon. Mas já estou bem. Não foi uma coisa terrível. Foi apenas algo que acontece, estou muito bem. Obrigada. – falei, fazendo a loira me olhar.
– que bom né? Agora eu posso bater em você por não me permitir continuar com o meu tratamento de beleza...
– espera! Eu estou muito doente. Ai minha nossa, estou vendo estrelinhas acho que vou desmaiar... – menti interrompendo-a, fechando os olhos em seguida. Não me olhem assim, ela tem mãos delicadas. Delicadas e pesadas diria eu. Depois disso, senti algumas mãos acariciarem meus cabelos. É o perigo se foi.
– pode abrir os olhos, a loira foi até o carro pegar outro par de pepinos. – ouvi a voz divertida de Damon me alertar, abri o primeiro olho me certificando de que ela já tinha ido embora. Depois disso, abri o segundo dando um sorrisinho. Ok tenho medinho dela. Admito.
– ufa, tem certeza que ela foi mesmo? – perguntei em dúvida.
– ela ouviu alguém passar gritando pelo corredor, que estava em venda alguns esmaltes da sua cor predileta. E como deve imaginar, a loira foi mais rápido do que um foguete em busca de seus esmaltes. – respondeu Damon.
– sim, seu traseiro está fora de perigo. Mas está realmente bem? – perguntou agora Juju, sentando novamente ao meu lado na cama, me abraçando de lado seguido de um doce beijinho na bochecha.
– estou bem sim, foi só um acidente bobo. Está tudo bem.
– nossa que bom. Eu quero falar com você, Anna Mel. – comentou Frad. Suspirei fundo vendo os outros dois saírem da enfermaria.
– foi mau aí, não queria acertar a bola em você. Só no idiota do seu namorado mesmo. – disse Frad um pouco sem jeito. Dei de ombros.
– nossa, ao que tudo indica ainda há humanidade em você Frad. – ironizei, ele bufou em resposta.
– olha aqui garota, eu já estou aqui me humilhando, pedindo desculpas e você ainda vem com ironia? Isso é sério mesmo? – perguntou ele. Irritado. Bufei.
– tudo bem, tudo bem. Está perdoado agora já pode ir embora.
– será que não posso ganhar um beijinho por ter pedido desculpas?
– é claro... Que não. Caso não tenha reparado, tenho um namorado me esperando lá fora.
– ainda não consigo acreditar que está namorando aquele babaca. O que ele tem que eu não tenho? – perguntou ele aparentemente nervoso. Dei de ombros, me sentando na cama ajeitando melhor os cabelos que com toda certeza estavam um “bagulho”.
– ele tem caráter Frad. Coisa que você nunca terá.
– esse namorozinho ridículo vai acabar logo. Disso você pode ter certeza. – afirmou ele. Neguei engolindo a seco.
– devo considerar como uma ameaça?
– se eu fosse você... – o comentou, deixando a frase no ar, saindo da enfermaria em seguida. Suspirei pesado. Mas que cara insistente.
[...]
Três dias depois...
– hey me passa o alcaçuz. – gritei da sala, apoiando a cabeça no colo do Juju em cima do sofá. Ele riu acariciando meus cabelos com doçura. Sorri com aquilo. Não se demorou muito e logo vi Ashley deixando o balde de pipocas junto aos copos de refrigerante na mesinha de centro da minha casa. Em seguida, deixou as barrinhas de alcaçuz no meu colo. Eu mantinha o olhar arregalado observando a criatura a minha frente. De sorriso largo, olhar satisfeito. De cabelos brilhando mais do que nunca. Peguei o alcaçuz em mãos, abrindo o pacotinho e dando a primeira mordida em uma das barrinhas.
– nossa, para que tanta produção? – perguntei risonha, a vendo suspirar docemente... ESPERA! Céus é o que estou imaginando mesmo?
– gostou? Bom eu tive que tirar um pouco o rosa, sabe, minha mãe jogou todas as minhas roupinhas legais fora. Brigadinha por me emprestar essa roupinha. – disse ela. Eu ri, observando-a mais uma vez de cima a baixo. É além de ser o que imagino, ela está simplesmente linda. 

– está tão produzida e de preto para um encontro? – perguntou Juju confuso. Eu ri segurando o saquinho de alcaçuz nas mãos sentando ao lado dele no sofá.
– Jujubinha, eu acabei de falar que minha mamãe malvadinha jogou todas as minhas roupinhas rosinhas fora para ver se eu parava de usar tanto aquela cor. Segundo ela, a mesma vomitaria se me visse mais uma vez usando cor de rosa. E o resultado sou eu... Aqui... Sofrendo sem rosa. – respondeu ela um pouco tristonha. Ainda bem que não tenho peças cor de rosa no closet. Levantei ficando a sua frente arrumando suas mexas loiras com as mãos.
– ele vem buscá-la, não vem? – perguntei.
– uhum. Vem sim, marcamos de nos encontrar as... Nossa. Já está na hora. Espera que eu vou abrir a porta. – respondeu ela. Caminhando até a mesma com uma classe que ela nunca demonstrou ter. E quando abriu a porta vi o garoto dar um beijinho no rosto dela. Era impressão minha, ou ela tinha ficado corada? Minha loira corada? ISSO É UM MILAGRE!
– olá rapaz, é você que vai com a minha amiga? Olha eu sou a melhor amiga dela, então exigi que a respeite e não faça nada que ela não queria e... – eu falava rápido em uma tentativa frustrada de fazê-lo sentir medo. Não liguem para o instinto protetor que tenho, mas entendam, não é tão fácil achar uma loira como ela nos dias de hoje.
– eu a tratarei como a rainha que ela é. – respondeu ele fofo. Seguido de um suspiro apaixonado da minha amiga loira. Eu ri.
– certo, mas antes vamos passar as regras...
– oh sim, as famosas regras Montês. Irei recitá-las para você, ou melhor... Tomei a liberdade de colocá-las em música. – interrompeu-me ele caminhando até o piano no cantinho da sala. Logo ele estava cantando com a ajuda do piano as regras da família de um jeito engraçado, o que me fez rir e dançar com a musiquinha engraçadinha.
– as nove retornar, e nunca bolinar, no escuro não beijar... E nunca bolinar. – cantarolou ele. Suspirei aliviada, levando os dois até a porta e depois de recitar mais uma vez as regras, eu apesar de tê-lo cantado não foi o suficiente para mim, me despedi dos dois fechando a porta novamente com um sorriso maroto nos lábios. Caminhei até Juju que se encontrava de pé perto do sofá. Abracei sua nuca, deixando um selinho doce e safadinho sobre seus lábios.
– as nove não vamos voltar... – cantarolei safada.
– e sua boquinha vou beijar...
– meu traseiro vai apertar...
– sua boquinha vou beijar. – cantarolou ele terminando a músiquinha enquanto ríamos fazendo uma dancinha estranha mastigando algumas barrinhas de alcaçuz. Ai como a vida é boa.
[...]
POV JUSTIN
Guardei os livros que não seriam mais necessários dentro da bolsa. Deixando apenas um caderno e alguns lápis e canetas. O professor escrevia algo no quadro enquanto eu abria meu caderno com calma. Eu estava me sentindo um pouco sozinho já que não teria esta aula junto a minha namorada. A cadeira vazia ao meu lado me fazia sentir mais sozinho ainda. Porém nada como resolver problemas de álgebra para distrair a mente, certo? E foi exatamente o que fiz, tomando em mãos um lápis e uma borracha, comecei a resolver os problemas que o professor deixou no quadro. Eu fazia tudo muito rápido, já que entendia o assunto explicado sem nenhum problema. Porém a única coisa que me tirava à concentração eram as conversinhas paralelas a minha volta.
Neste momento percebi que pouquíssimos alunos respondiam a atividade deixada pelo professor. Já o mesmo parecia não se importar com a baderna na classe, lendo um livro bastante grosso devo admitir. Neguei com a cabeça arrumando melhor os óculos no meu rosto, terminando a atividade e pondo a minha identificação registrada no papel caminhando calmo na direção do professor sentado a mesa e bastante entretido com sua leitura.
– professor, aqui está à atividade que o senhor pediu. – falei um pouco receoso, vendo o mesmo suspirar e interromper a leitura me encarando com um olhar de poucos amigos. Sem muita demora o mesmo retirou a folha de minhas mãos guardando entre a caderneta, retomando a leitura. Dei de ombros, tornando o caminho até minha carteira. Quando sentei e guardei meus materiais senti uma chuva de bolinhas de papel se chocar contra mim. Bom eu até poderia ter ficado um pouco assustado, porém isso não é nada comparado ao que eles realmente fazem comigo. Até me acostumei com esses ataques de bolinhas de papel.
– crianças fiquem quietos. –resmungou o professor tedioso sem retirar por um segundo sequer os olhos do livro. E aquele ato de displicência me fez bufar.
– nossa tadinho do garotinho nerd. – debochou um dos rapazes que fazem parte do grupinho do Frad, já que ele não estava aqui para me infernizar seu amigo tomou seu lugar. Mas que ótimo. Sentiram a ironia?
– vai chorar no colinho da namoradinha vai. – debochou outro.
– ele precisa de uma mulher para defender ele. Que panaca. – completou outro deles com risadas altas e agressivas. Baixei a cabeça.
Eu não podia responder seu insulto, já que era totalmente verdade. Anna Mel me protegia de tudo e todos quando a situação deveria ser inversa. E eles aproveitavam e jogavam tudo na minha cara. Eu ouvia os insultos que eles dirigiam a mim de cabeça baixa torcendo para que o sinal tocasse para o intervalo e eles me deixassem em paz já que até mesmo o professor não fazia nada a meu socorro. E depois de torturantes minutos meu desejo fora finalmente realizado. O sinal tocou anunciando a pausa para o almoço o que fez os alunos correrem em disparada para fora da sala.
Suspirei aliviado em seguida, pondo a bolsa no ombro depois de guardar todos os materiais escolares caminhando para fora a procura da minha namorada. Andei até o jardim da escola, o lugar preferido de Anna, vendo-a sentada recostada sobre o tronco de árvore. Aquilo me fez rir. Continuei andando até finalmente sentar ao seu lado deixando um beijinho bem molhado em sua bochecha, vendo um sorrisinho lindo tomar conta de seu rosto. Aquilo me fez sorrir e meu coração bater ainda mais rápido. Era sempre como se fosse à primeira vez.
– então, como foi à aula de álgebra? – perguntou ela apoiando a cabeça no meu ombro enquanto eu fazia pequenos carinhos em seus cabelos.
– normal. Mas desejo saber como foi sua aula de calculo. – perguntei curioso, tendo como resposta um suspiro irritadiço.
– sabe Juju, isso é uma injustiça! Porque existem tantas matérias relacionadas ao estudo da matemática? Hum? Porque a aula de culinária não é uma matéria também? Porque as pessoas gostam tanto de complicar a vida dos outros? Sabe se eu fosse presidente os alunos receberiam para ir a escola, não existiria matemática, álgebra, calculo raiz quadrada e o cavalo a quatro. – protestou ela. Eu já sabia o que esse “protesto” queria realmente dizer.
– você não passou no teste, não foi? – perguntei de sobrancelha arqueada, arrumando os óculos no rosto com a mão livre. Levemente risonho.
– é fiquei sim.
– e só para relembrar, não existe matéria com o nome Raiz Quadrada.
– justamente. Se eu fosse presidente, isso jamais iria sequer existir e seria proibido, as pessoas pensarem em mais matérias relacionadas ao estudo da matemática. – discursou ela. Ri lhe dando um selinho doce nos lábios.
– eu ajudo você a estudar para as provas. – comentei risonho, porém afirmativo.
– brigadinha. Até que uma voz masculina e parecia pertencer aparentemente a um homem de meia idade chamou por Anna nos fazendo virar no mesmo instante. Céus, ele voltou.
POV JUSTIN
Eu permanecia de olho arregalado, ainda sentado na grama. Paralisado pelo medo, observando de boca entreaberta minha Anna abraçada com o pai. Sim, isso mesmo. Pode não parecer grande coisa, mas, este homem sempre me causou certos arrepios. Apesar de ter uma aparência impecável, exercer com responsabilidade sua profissão ele me causava medo. Vendo-o todo carinhoso com a filha, podia-se dizer que estou exagerando. Porém, a última vez que um garoto tentou apenas marcar um encontro com Anna depois de seu rompimento com Damon, Alex, assustou o garoto o que o fez mudar-se para longe de nossa cidade. Eu não sei ao certo o que ele fez, mas, eu não queria ir lá e perguntar a ele para acabar por levar um chute no traseiro.
– papai, mas que saudades. Pensei que não o veria nunca mais. – comentou Anna sorridente, ainda abraçada ao pai. Mordi os lábios, ajeitando os óculos ao rosto levantando em seguida. Enquanto eles conversavam animadamente, aproveitei o momento para organizar meus cabelos sentindo minha respiração ficar cada vez mais rigorosa.
– passei oito meses com os médicos sem fronteiras. Deveriam nos chamar de médicos sem abraços. – o comentou, provocando uma pequena risadinha da parte da filha. Dando sua atenção agora para mim, que por mais uma vez fiquei paralisado.
– er... Hum... Pai... – gaguejou Anna Mel notando meu nervosismo diante de seu pai.
– querida, pode me dizer quem é este? – perguntou ele limpando a garganta. Legal. Já estou preparado para correr.
– este... Ér... Hum... Meu ami-ami-amigo. É, meu amigo. – gaguejou ela. Fazendo o mesmo a olhar estranho. Com um sorriso nervoso, me olhou em um pedido de ajuda.
– bom Sr. Montês, sua filha e eu somos melhores ami-amigos. É um grande prazer conhecê-lo. – admito que foi impossível não gaguejar no final com o homem me olhando de cima a baixo. Ainda me encarando duvidoso, assentiu olhando agora para Anna que ainda sorria nervosa.
– amigos? Porque nunca me contou antes, querida? – perguntou ele.
– pai é uma longa história, que eu vou contar depois. Mas acho melhor o senhor ir, eu ainda tenho aula. Te amo, beijos. – cortou ela, deixando um beijo estalado na bochecha de seu pai me puxando para bem longe dele. Ela andava rápido, enquanto eu em meu conflito interno desejava saber por que ela disse ao pai que eu era um simples “amigo”. Ajeitei o óculo ao rosto, quando viramos em um corredor e senti-a parar com tudo. Olhei-a por um momento abraçando seu corpo, preocupado vendo a mesma respirar fundo.
– desculpe. Desculpe-me por aquilo, Juju. Mas meu pai voltou mais cedo do que imaginei e...
– porque disse a ele que sou seu amigo? Você tem vergonha de mim? – perguntei confuso.
– é claro que não lindo.
– então porque não disse a ele que sou seu namorado? – perguntei ainda curioso, sentindo a mesma deixar um beijo terno em minha bochecha.
– porque ele ia chutar o seu traseiro. – respondeu tediosa. Nossa como o seu humor está mudando rápido.
– sério mesmo?
– é Juju. Ele é do tipo de pai protetor que chuta o traseiro dos meus namorados, e eu não quero que aconteça o mesmo com você. Eu quero que ele o conheça primeiro, e perceba que é um bom rapaz e que se interessa por tudo ou quase tudo o que ele faz. E depois disso irei apresentá-lo como meu namorado. Eu só quero proteger o seu traseiro. – a justificou, o que me fez rir. É. Até que ela tem razão, afinal eu preciso de um bumbum para sentar na carteira e assistir as aulas.
– mas e se ainda sim ele não gostar de mim? – perguntei.
– é claro que ele vai gostar você é um garoto incrível e quando ele perceber o quão inteligente é, irá permitir o namoro no mesmo instante. Você vai ver. – a assegurou. E sem perder mais tempo abracei-a forte contra meu corpo a sentindo apoiar a cabeça em meu ombro. E antes que perguntem, sim. Eu tenho medo de perdê-la.
– olhem só o casalzinho. Como foi contar pro Alex do namoro? – ouvi a voz debochada de Damon interromper o nosso momento, obrigando Anna Mel a partir o abraço para encará-lo.
– Damon você viu o meu pai? – perguntou ela. Vendo o mesmo dar de ombros, pondo as mãos dentro dos bolsos da calça jeans.
– é eu tava trocando uma ideia com o velho, mas ele não parece irritado.
– bom...
– espere. Já sei você não contou a ele sobre seu namoro estou certo?
– bom...
– é claro que estou certo. – o interrompeu, novamente.
– será que você deixa eu me explicar ou vai continuar a me interromper? - perguntou Anna de sobrancelha arqueada, parecendo irritadiça.
– você não precisa me explicar nada Anna. A vida é sua, mas fique tranquila não contarei nada a ele. Agente se vê. – cortou ele mais uma vez. Com uma piscadinha rápida ele virou caminhando como um perfeito garoto popular para longe do meu campo de visão. Abracei minha namorada por trás, deixando um beijinho na sua bochecha ou onde minha boca conseguiu alcançar.
[...]
Sentei no sofá bastante tímido, sentindo o olhar do pai da minha namorada em mim. Fazia exatamente cinco minutos que eu esperava Anna Mel se arrumar para irmos a biblioteca estudar um pouco. Porém, por mais doce que a senhora Montês fosse comigo, talvez ate por saber do meu relacionamento com a filha, o olhar fixo de Alex e as comentários sem nexo de Mike, irmão recém-chegado de Anna Mel estava ficando muito difícil me manter confortável.
– mas me diz aí cara, como você faz pra suportar minha irmã? Eu sei que ela tem uma irmã bem gatinha, mas aguentar a Anna Mel só por causa da loira não deve valer muito a pena, não é? – perguntava Mike, pela milésima vez ao dia. Pelo modo que se expressava, dava a entender que não tinha conhecimento do meu namoro com a irmã. Se soubesse, tenho certeza que me mataria.
– não, Anna Mel é uma garota incrível. – falei ajeitando os óculos ao rosto meio tímido. Ele deu de ombros com a sobrancelha arqueada.
– é mesmo rapaz? Há quanto tempo conhece minha filha? São apenas amigos, realmente? – perguntou Alex dobrando lentamente o jornal que parecia ler antes da minha chegada.
– nos estudamos juntos, senhor. Sou o professor de reforço. – resumi um pouco nervoso. Certo, a quem quero enganar? Eu estava bastante nervoso, torcendo para que ele gostasse de mim como Anna Mel disse que gostaria. Espero realmente que ela tenha razão, não sei se conseguirei viver sabendo que não poderei tê-la ao meu lado. Eu suportaria qualquer coisa, menos ficar longe dela. Isso não.
– e porque não estudam aqui? O que você pretende ser quando ficar mais velho? Já repetiu a série? Tira boas notas? Qual a sua idade? – perguntou ele, me deixando ainda mais assustado com a bateria de perguntas. Eu sabia que no final das contas ele desejava apenas o melhor para a filha, não podia o julgar por isso. Porém, aquilo estava me assustando. E assustando muito, para ser sincero.
– bom senhor eu nunca repeti a série, tiro A+ e tenho 15 anos. Eu sempre quis ser arquiteto, apesar de ter uma paixão avassaladora pelo campo da biologia e até mesmo o doutorado. As vezes acho que eu seria um excelente médico já que a ciência é um dos melhores campos que alguém pode trabalhar. Porém, meu sonho mais intenso é ser um grande cientista. – comentei sincero vendo o homem ao meu lado arregalar os olhos deixando um pequeno sorriso de canto preencher seu rosto.
– mesmo rapaz? Ou está dizendo isto apenas para me impressionar? Saiba que se tentar algo com minha filha você não terá filhos no futuro. – ameaçou ele.
– querido pare de assustar o garoto. Ele é um bom rapaz e está ajudando a Anna Mel com as matérias escolares. Já está na hora de parar com essa ‘cisma’ infantil. Sua filha sabe se cuidar. Confie nela. – a senhora Montês repreendeu o marido, lhe dando um pequeno tapa na cabeça.
– ficou louca mulher? Não bata na minha cabeça não. Eu mando nessa casa. – argumentou ele em resposta.
–olha aqui seu...
– tá, tá certo. Eu laço a louça, faço tudo o que quiser você manda em tudo. Te amo, te amo, te amo. – dizia tudo rápido.
Enchendo a bochecha da esposa de beijos, nervoso e com medo dela. Parecia ate quando Ashley me ameaçava e eu fazia suas unhas com medo da mesma me deixar careca. E por isso, tive que prender o riso que quase atravessou minha garganta. Quando alguns pequenos barulhos foram ouvidos, e logo em seguida pude ver Anna Mel perfeitamente vestida em tons neutros que a deixavam ainda mais linda. Sorri de imediato, levantando do sofá.
– estou pronta, Juju. – disse ela com um sorriso lindo no rosto beijando docemente minha bochecha.
– ligue se precisar de qualquer coisa. Juju meu bem, cuide dela, e Anna minha querida chegue antes do jantar. – disse-lhe a mãe com doçura.
– você parece ser um cara legal, porque anda com ela? Que tipo de feitiço ela jogou em você, cara? – me perguntava Mike, parecendo estar bem confuso.
– Mike seu idiota. É por isso que não arranja uma namorada. Ninguém quer namorar um cara que se veste de frutinha no Dia das Bruxas. E depois fala de mim. – defendeu-se Anna Mel, arrancando algumas risadas de seus pais. Causando uma incrível e imediata vermelhidão no rosto do irmão.
– qual é Anna. Isso é pessoal. – reclamou ele, e neste momento não pude conter uma risadinha fraca. Mas que família mais doida.
[...]
– e depois, você...
– não Juju. Pela milésima vez, eu não entendo esse calculo que você faz. São enormes! – reclamou Anna Mel sentada ao meu lado, com um biquinho no rosto.
– está fácil meu anjo, você que parece não prestar atenção. – comentei doce.
– tudo bem, explica essa outra. – apontou para um cálculo menor. Eu ri, tomando o lápis e papel em mãos escrevendo algumas anotações importantes, tais estas que eu logicamente não poderia esquecer e que saberia que ela perguntaria.
– para conhecermos a raiz enésima de um número real A, devemos levar em conta duas situações distintas. A primeira e a Raiz com índice par. – eu dizia lendo algumas das explicações que o livro dava. A morena ao meu lado parecia ouvir tudo com atenção, mas eu tinha certeza de que ela não estava entendendo nada do que eu falava.
– Juju, será que dá pra ir mais devagar? São muitas informações e muitos números. Caso não tenha reparado eu sou uma completa anta quando o assunto é matemática. – falava ela suspirando pesado. Beijei-lhe docemente a bochecha abraçando-a de lado. Colando seu corpo no meu.
– hey, você não é uma anta. É mais inteligente do que pensa.
– só você pensa isso.
– a Ashley e o Damon também te acham bastante inteligente. Eu também é claro. – comentei vendo a mesma dar de ombros, dando mais um de seus suspiros.
– quem falou meu lindo nome sem minha permissão? Hum? Quem devo matar? Ah oi Aninha e Juju. – um ser loiro interrompeu nossa conversa sentando a nossa frente na mesa da biblioteca. Porém, não sozinha. Estava acompanhada de Damon. Eu mereço.
– nossa. É tão estranho ver você estudando Anna que, tenho a sensação de que foi abduzida por um alienígena. – comentou Damon dando uma rápida olhada na minha folha de anotações, deixando-a novamente em cima dos meus livros. O repreendi com o olhar.
– é mesmo. Nossa! Juju, você é um alienígena? Você abdaziu a Aninha Abelinha? – perguntou a loira com uma voz de criança curiosa, batendo os silhos em um gesto fofo.
– não Ashley, e a palavra correta é abduziu. Aprenda a falar corretamente, por favor.
– ai Juju, num precisa ser grossinho. Cê me magoou. – reclamou ela mostrando a língua em um gesto completamente infantil. Eu ri.
POV ANNA
Eu ria da bobeirinha da minha loirinha. Depois de alguns minutos conversando bobagens, comigo dando alguns beijinhos no Juju, já que não tinha nenhum parente meu ali. Com algum tempo depois, Ashley e Damon ajudaram Juju a me ensinar algo sobre álgebra e mais alguma coisa. O que foi bem complicado já que eu não conseguia entender nada do que eles me diziam. Até que levantei o olhar para um dos corredores de prateleiras repletas de livros, vendo um ser com um sorriso debochado no rosto, logo sumindo entre as prateleiras.
– gente, eu vou ali volto logo. – murmurrei levantando enquanto via meus amigos assentirem. Porém antes de levantar, senti Juju deixar um selinho doce nos meus lábios o que de fato me deixou bastante vermelho. Caminhei mais rápido até o corredor vendo meu irmão encostado na parede de braços cruzados com um sorrisinho debochado na cara.
– Mike.
– Anna Mel, você deveria saber que é feio mentir para os pais não é? – o debochou risonho. Bufei cruzando os braços a sua frente. Mas que moleque chato.
– andou me seguindo?
– e você maninha, andou mentindo pro papai dizendo que não está namorando, quando na verdade finge ir estudar pra ficar se pegando com o namorado nerd na biblioteca? Nossa que boa menina você é. – o comentou irônico.
– quanto você quer pra manter a boca fechada? – perguntei tediosa, tirando algumas notas do bolso. Logo vi o sorriso dele ficar ainda mais largo.
– bom, convidei uma gatinha ao cinema. Acho que cinquenta pratas são o suficiente. Suficiente por enquanto. – disse ele. Bufei lhe entregando a nota de cinquenta pratas tediosa. É pessoal esse é o meu irmão. Irmão idiota, só pra constar.

– é um prazer fazer negócios com você, irmãzinha. – disse ele me dando um beijo na bochecha caminhando em discretamente em direção à saída.

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