24 de jun de 2013

My Dear Nerd - What If - Capítulo 22 - Ninguém é Forte o Tempo Todo


POV ANNA
Bati o lápis contra a mesa suspirando profundamente. Aula de Sociologia era completamente tediosa. Ashley era minha dupla, e sentada ao meu lado fazia um desenho de borboletas na folha. A minha frente vi Damon encostado a cadeira de braços cruzados. Sua dupla era Justin, que por sua vez estava bem atento a aula. Como sempre.
– Anninha que cor eu uso? - perguntou a loira ao meu lado. Ri vendo sua borboleta desenhada ao lado de seu nome.
– Pinte o corpinho de roxo e as asas de rosa. - sugeri. Ela assentiu pintando as cores sugeridas por mim.
Dei de ombros, tirando um papelzinho do caderno. Peguei a caneta azul ao lado e comecei a escrever. Algumas linhas depois, toquei as costas de Damon com o dedo indicador. Ele virou e pegou o papel quando o professor não olhava. Tempos depois devolveu a folha. Ri com sua resposta. Tinha perguntado a ele o que estava achando da aula. Não foi novidade ele responder que foi uma porcaria, e que arrependia-se por ter comparecido.
O Justin tem a resposta da segunda questão? Se tiver me passa! Escrevi o mandando novamente. Ele deu uma risadinha contida. Que foi? Eu não sei a respota, bolas! Peguei o celular e começei a digitar: Pergunte a ele se tem todas as respostas.Era o modo mais seguro. Não queria que o professor pegasse meu papelzinho e entregasse ao meu responsável, que por ironia do destino não tinha no momento.
Justin virou e olhou para mim de relance, rindo fraquinho. Balançou a cabeça negativamente, parecia rir. Ele disse que assim que tiver todas passa pra você. Mas sugeriu que tentasse respondê-las. Respondeu Damon a minha mensagem. Sorri satisfeita, fingindo escrever algo no caderno quando o professor passou por mim.
– Concorda com minha teoria, Anna Mel? - perguntou o professor parado ao meu lado.
– Com toda certeza, capitão! - respondi simples. Achei que ele não perceberia que estava tão desperssa da aula, porém ao ouvir as risadas percebi que precisava saber por que riram. Só tenho rosto de boba, mas não sou boba... Ok, sou boba.
– Tem certeza absoluta? - continuou o professor.
– Se puder repetir o que disse para que eu possa repetir minha 'certeza', ficaria muito grata. - falei juntando os lábios.
– Acha mesmo que as batatas onduladas devem ser extintas? Já que fazem tanto mau a nossa saúde, não é? - falou ele.
Arregalei os olhos levantando da cadeira. Puxei a gola de sua camisa, como que erguendo ele do chão. Não tinha tanta força para isso, mas acho que estava conseguindo enforcá-lo só com isso. Ou assustá-lo... Não sei bem. Mas acho que minha ideia inicial de fazê-lo parar com pensamentos bobos estava funcionando.
– Nunca mais fale isso dos meus bebês! Ouviu? Nunca mais! - falei ameaçadora.
– Está me enforcando... - dizia ele com certa dificuldade. Sorri gentil largando o professor, sentando novamente em minha cadeira. Continuei sorrindo, vendo-o me olhar estranho. Qual é? Ele ameaçou a vida dos meus bebês. Tudo bem que ele tem o poder de me reprovar, mas quem se importa?
– Você é o que? Doida? – perguntou ele. A turma riu. Neguei ainda sorrindo enquanto ele retomava sua aula.
Sempre me encarando torto. E para minha surpresa o infeliz pediu para que os alunos formassem grupos para responder uma atividade. Porém, como nós sempre escolhíamos nossos próprios grupos, ele resolveu mudar isso escolhendo a dedo cada grupo. E para piorar ainda mais a situação, fiquei em um grupo onde existiam apenas pessoas que não gostava. Infeliz! Peguei minha mochila arrastando a cadeira, até ficar perto de Frad que estava do lado de Lola, que estava do lado de Britney que estava do lado de Dyllan o ex-namorado da minha loira que por sua vez estava do meu lado. Tirei os fones de ouvido da bolsa que estava sobre meu colo. Encarai aquela vadia loira mortalmente, um olhar que obviamente era correspondido.
– Bom galera, como vamos responder isso aqui? – perguntou Frad notando o clima pesado entre nós. Continuei calado, com olhar desafiador e debochado. Para minha surpresa, Frad estava sendo bastante agradável. O que me fazia perguntar que tipo de rémedio usou. Perguntarei depois.
– Não sei. Porque não pergunta para a loira de farmácia? Ah! Lembrei que a tinta afetou o cérebro dela. Se é que ela teve algum, não é mesmo? – provoquei.
– Tenho mais do que você. – respondeu ela.
– Jura mesmo? Nossa pensei que não fosse. Afinal se é preciso roubar o namorado dos outros para se sentir a ‘foda’ para mostrar superioridade e poder... É! Realmente você é a mais inteligente.
– Você fala isso porque sabe muito bem que posso conquistar o cara que quiser, não importando meios e circunstãncias. - rebateu.
– Ela mente tão bem que acredita na própria mentira! Own! – rebati fingindo falso carinho. Ela riu se arrumando melhor a cadeira. Repeti o ato.
– Gente relaxa. – tentou Frad.
– Mentira? Sério? Tudo bem então, já que é tão segura de si, então porque acha que seu namorado está olhando para cá?
– Só porque ele está olhando para cá, não significa que está olhando pra você, anta! – debochei.
– Está falando isso porque não consegue acreditar que posso conquistá-lo. – afirmou ela. Deitei a cabeça para trás soltando uma risada escandalosa.
– Você... – tentei continuar, porém a risada não deixava. Era até ridículo ouvir isso dela. Dizer que poderia ter o coração dele nas mãos só em estalar os dedos. É claro que não iria deixar barato.
– Essa risada é de puro nervosismo, Anna Mel. Tudo bem, eu entendo que você tem medo de perder aquele nerd ridículo para mim. Eles sempre preferem as loiras. Não é mesmo Dyllan, querido? – a comentou debochada. Dyllan ao meu lado engoliu a seco.
– Caso não tenha percebido, você é apenas uma loira falsificada que só se importa com o próprio umbigo. Você pode até conseguir todos, mas todos sabem que você é a garota mais fácil e descartável de todas. Acho que não percebeu que só te usam. – rebati debochada com um sorriso idiota na cara. Ela arregalou os olhos e abriu a boca. Parecia não acreditar no que estava ouvindo. Não sei por que ela fica surpresa em ouvir a verdade.
– Mas sua...
– Só falei a verdade porque está tão surpresa? – perguntei irônica novamente.
– Posso te provar que aquele idiota que você chama de namorado vai sucumbir aos meus encantos em um piscar de olhos.
– Você não é mulher suficiente para isso. Além do mais, Justin é do tipo de homem que prefere uma mulher a uma menininha insegura que acha que humilhando as pessoas, roubando os namorados alheios e que fica com a cidade inteira só para se sentir amada, é alguma coisa. – comentei simples enrolando uma mecha do cabelo no dedo.
– Você diz isso porque sabe que posso pegar seu namorado.
– Digo por que é verdade, digo por que sei que não tem coragem de chegar nele porque sabe que sou mais mulher do que você. Porque sabe que não tenho medo de nada. E também porque sabe que se tentar algo com ele só para me atingir, vai se arrepender do dia em que nasceu. Quer tentar 'pegar' ele para me atingir? Ótimo, vá em frente! Só não reclame depois.
– Isso é uma ameaça? – perguntou ela.
– Entenda como quiser. – dei de ombros sentando mais perto de Frad. Juntos começamos a responder o exercício.
[...]
– Gostei bastante da resposta de vocês, foi bem sincera e profunda. – dizia o professor para mim que estava ao lado de Frad.
Será que ele ainda não percebeu que estamos no horário do almoço? Que estou com fome, e morrendo de vontade de dar umas beijocas no meu namorado? De apertar as bochechas dele? De sair correndo pela escola segurando o esmalte cor de rosa da minha amiga? De bancar a intelectual debochada junto a Damon? De ver nas revistas de modas meus coturnos prediletos? De comer meus nachos com meus molhos favoritos? De conversar bobagens e esquecer os problemas? Mas que tapado!
– Está falando da questão que coloquei como resposta: Não insulte minha inteligência que vem das profundezas do meu ser que é tão profunda que demora a aparecer? – perguntei duvidosa.
– Não Anna, ele ta falando da outra que falava sobre a não sei o que da sociedade. – corrigiu Frad ao meu lado.
– É? Pensei que fosse a outra. – admiti sincera.
– A questão que falava sobre a Divisão da Sociedade. Ainda me pergunto como conseguiram ter um ponto de vista tão apurado. – comentou o professor.
– Talvez seja porque o Frad fez exame de visão e precisou por colírio nos olhos? – perguntei obvia. Frad ao meu lado, riu mais uma vez.
– Ele ta querendo dizer que não parece que somos intelectuais e que não imaginava que teríamos uma opinião tão bem formada. É isso que ele está dizendo. – corrigiu Frad mais uma vez.
– É? Então porque não disse logo? Fica aí falando coisas complicadas como se eu fosse entender! Está pior que o antigo médico que cuidava da minha mãe. Era tanta palavra estranha que parecia que era até um alienígena. Precisei que o Justin fizesse a tradução daquilo, porque estava complicado. – comentei. O professor riu junto ao garoto ao meu lado. Qual é a deles afinal? Não entendo porque estão rindo tanto, estou sendo apenas sincera, ué!
– Certo, podem sair agora até a próxima aula. – falou o professor se despedindo. Agradeci mentalmente pegando a bolsa da cadeira saindo da sala na maior pressa. Assim que saí d lá, vi meu namorado encostado à parede de braços cruzados. A me ver sorriu arrumando o óculo. Sorri em resposta correndo para abraçá-lo.
– O professor estava brigando com você? – perguntou ele. Neguei rindo deixando um beijo em sua bochecha. Era uma coisa que amava fazer nele. Beijar sua bochecha era maravilhoso. Sentir aquela pele macia e quente em contato com meus lábios. Era até difícil não senti-lo arrepiar-se com o contato. Era de fato meu carinho predileto.
– Não, só estava sendo o primeiro professor em anos que elogia meu exercício. – respondi simples.
– E quem foi o primeiro a elogiar alguma atividade escolar sua?
– Minha professora do jardim da infância. Segundo ela, desenhava muito bem. – respondi orgulhosa recebendo um selinho dele que por sua vez ria.
Todo mundo armou um complô para rir de mim hoje. Sério! Até a tia da limpeza que eu converso muito riu de mim quando estava xingando os professores por existirem. Enquanto sorria olhei para o lado de relance dando de cara com o olhar vingativo de Britney. Pude jurar ver seus lábios se mexerem, como se ela tivesse dito que me faria pagar pelo que disse. Sorri debochada partindo o pequeno beijinho vendo o lindo sorriso que Justin tinha nos lábios. Realmente não tinha medo dela, era algo que nunca passou pela minha cabeça. Ela acabava sempre com os piores castigos, então estava tudo certo.
– Isso porque ela ainda não provou seus maravilhosos Cupcakes, o Bolo de Chocolate, as Panquecas, as Lasanhas, o Espaguete a Lá Bolognesa, os Pasteis, a Pizza caseira... Ah, e também não posso esquecer o prato Brasileiro que fez que é incrivelmente saboroso. – comentou Justin. Ri
– Está falando da Feijoada?
– Isso! Com toda certeza nunca comi tão bem como naquele dia. Foi o melhor prato que já preparou É tão diferente, tão saboroso. Apesar de ser o único prato típico do Brasil que provei até hoje, considero-o como meu favorito. – comentou Justin em meio ao sorriso deixando outro beijo carinhoso em minha bochecha. Amo quando faz isso.
– Vão ficar aí se fornicutando em meio público, ou viram até mim e admirar minha rara beleza encantadora de encantar os olhos humanos? Sei que não sou um extraterrestre, mas sei que vão ao universo por mim. – a voz de Ashley atravessou nossos ouvidos interrompendo nosso momento. Com rapidez a encaramos estranho de sobrancelha arqueada.
– Espera! O que é que você fez no seu cabelo?
– Só passei Marca Texto rosinha nas pontas. Minha mãe, como é muito malvada não ia me deixar pintar, então tive que apelar. – respondeu simples. Parti o abraço com Juju caminhando até ela. Peguei uma mexa ainda com os olhos arregalados.
– Para quem tem um enorme cuidado com os cabelos, você não parece ligar se isso vai prejudicar seu cabelo ou não. – comentei.
– Estava desesperada. Além do mais, cabelinhos lindos como os meus não estragam facilmente.
– Mas pode prejudicar... Bom eu acho... Talvez... Será?
– Se eu te der dinheiro para comprar outro Doritos você cala a boca e continua a me admirar? – perguntou ela. Arregalei ainda mais os olhos com um sorriso no rosto. Estendi a mão para pegar o dinheiro que assim que chegou a minha mão, pude-me sentir gargalhar.
– Ela esta rindo apenas porque tem dinheiro pra comprar porcarias? – perguntou Justin atrás de mim. Parei de rir virando e encarando-o.
– Não fala assim dos meus bebês! Tudo bem, tudo bem. Vocês não o ouviram, menino mau. Muito mau. – falei acariciando a bolsa que agora estava em meus braços. Dentro dela, nada mais nada menos que dois pacotes do produto. Os meus bebês. Mesmo assim ouvi os dois loiros rindo de mim e um par de braços rodearem meu corpo.
– Sai seu cruel, você falou mal meus bebês. Só vou perdoar se pedir desculpas a eles. – falei em relação aos Doritos bebês. Ele riu beijando minha bochecha pela milésima vez. Que foi? Ele vai rir e beijar minha bochecha, ou vai pedir desculpas para meus nenéns? Não são simples nachos, eles têm sentimentos também.
– Anna Mel! Céus! Você precisa ver isso!
– Lola! Mas o que há? – perguntei sendo puxada pelo braço de repente pela garota da torcida até o refeitório.
Isso mesmo, ela me ‘arrastou’ até lá, o que equivale a quase metade da escola. E quando chego me deparo com uma grande confusão. Pessoas pareciam estimular uma possível briga que acontecia no centro da roda. Quando Lola largou meu braço passei entre as pessoas querendo saber o que realmente acontecia por ali. Arregalei os olhos ao ver meu irmão distribuindo socos, chutes e puxões em outro garoto que estava em baixo dele. Ainda assustada deixei minha bolsa com Ashley que ao meu lado encarava tudo com a boca aberta.
– Mike já chega! - gritei tentando parar aquilo.
Ele, porém parecia não ouvir nada do que disse, continuando a distribuir ainda mais socos no outro garoto. E para o meu desespero o outro rapaz que por coincidência ou não era amigo de Frad, inverteu as posições dando inicio a chutes e socos contra meu irmão. Meu coração batia a mil por segundo. Em vão tentei puxar o outro garoto para longe de Mike, uma tentativa falha. Fui empurrada pelo outro garoto para trás, até cairia se não fosse por Lola ter me segurado nos braços.
– Já chega! - ouvi Justin gritar com raiva deixando a mochila no chão. Pude vê-lo socar o outro menino que se não me engano, se chamada Thomas, com tanta força que ele caiu com tudo no chão. Ficou por cima dele e distribuiu ali mais dois ou três socos. Pude ver a boca de Thomas sangrar ainda mais.
– Nunca. Mais. Empurre. Minha. Namorada. - continuou Justin já de pé. Ele respirava fundo e rápido, completamente enraivecido. Em seguida puxou Mike pelo braço com uma única mão para longe da roda que se formara há minutos atrás.
– O que foi? Vocês não têm nada melhor para fazer não? - perguntei irritada saindo o mais rápido que podia da roda atrás dos garotos enquanto Ashley e Damon tratavam de me seguir.
– O que foi aquilo? Está maluco? Quem pensa que é? - gritei furiosa ao alcançar Mike em outro corredor. Seu rosto estava machucado e seu nariz sangrava. Justin respirava fundo e rápido, arrumava o óculo ao rosto de segundo em segundo. Porém não era com ele que estava reclamando.
– Eu briguei sim, o que você tem haver com isso? Deixa-me em paz!
– Deixar você em paz? Olhe para você! Está péssimo! Machucado e sangrando! Acha que fico feliz com isso?
– Não me importo com o que acha! Não pedi para seu namoradinho vir me salvar. - rebateu ele irritado.
– Cara, acho melhor tratar melhor sua irmã. - Damon interveio.
– Olhe pra você, Mike. Não era assim. Você era melhor irmão do mundo! O que fez com meu Mike Batata? - perguntei ficando ainda mais perto. Sentia os olhares de Justin, Ashley e Damon sobre nós. Pude ver Mike observar para o chão por meros segundos levantando a cabeça em seguida.
– Me deixe em paz. - falou baixinho caminhando para longe sem ao menos dar a chance de protestar em busca de explicações. Bufei respirando fundo com a mão no rosto. Fechei os olhos com força. Aquilo não poderia estar acontecendo. Braços fortes rodearam meu corpo deixando um beijo doce em minha cabeça. Abracei-o forte inalando seu cheirinho maravilhoso.
– Está tudo bem meu anjo. - ouvi Justin falar baixinho abraçando meu corpo ainda mais forte.
– Tira ela daqui, Jujuba. Damon e eu cuidaremos de Mike. - disse agora Ashley deixando minha bolsa em meu ombro. Olhei para cima e pude vê-lo assentir positivo caminhando junto a mim e, pouco a pouco estávamos longe da escola.
Ainda era difícil acreditar que Mike ainda estava chateado comigo. Porém o que me enfurecia era saber que estava apenas o protegendo, e ele, no entanto, não consegue entender isso e me julga sem pensar. Às vezes eu paro e penso se proteger alguém traz algum benefício. Não vi nenhum até agora. Tentei proteger Justin, e quase o perdi. Tentei proteger Mike e agora ele estava chateado comigo. Tentei ajudar Britney, impedi-la de cometer um completo erro, e acabou no que vivemos hoje. Sempre inimigas uma tentando ser melhor que a outra. Pois é, acho que é melhor parar de ser 'boazinha' antes de perder mais alguém.
– Está tudo bem? - perguntou ele ao meu lado parando no meio da calçada.
– Estou, porque a pergunta?
– Está tão calada. Parece pensativa. Se quiser conversar, desabafar... Estou todo a ouvidos. - disse doce. Dei de ombros depois de um pequeno suspiro.
– Não tem nada errado... É só que...
– Anna...
– Mike nunca foi um irmão perfeito, era normal que agisse desse modo de vez em quando. Não é uma grande coisa... O que me deixa irritada é que ele acha que menti quando na verdade estava apenas o protegendo.
– Ele é bobo, não sabe a sorte que tem por tê-la como irmã. - disse ele beijando minha testa. Olhei em volta avistando uma loja especializada em doces. Sorri largo, segurando a mão do meu namorado.
– E você não sabe a sorte que tive por ver essa loja de doces!
– O que?
– Tem chocolate lá. Vamos! - falei o puxando pela mão até a dita loja.
Mais uma mudança de humor repentina minha. Não sabia como Justin me suportava, porém Justin não parecia se incomodar. Até gostava do meu sorriso que tinha no rosto por ver tantos doces. Porém acho que não vale a pena me desgastar por bobagens. Mike apesar de ser o mais velho, era ainda o mais imaturo. O mais impulsivo e cabeça dura. Irritava-se muito fácil. Apesar de ser chato, ele era meu irmão, me importava com ele. Mas por hora, é melhor guardar forças para o dia da cirurgia da minha mãe. Ela precisa de mim. Conversarei com Mike depois.
– É desse docinho que você gosta, anjo? - perguntou Juju parando ao meu lado com a visão dos Céus. Ele apontava para uma prateleira que por sua vez estava cheia de garrafas. E não eram apenas garrafas. Eram garrafas de M&M's.

– SANTA BALINHA AÇÚCARADA! ISSO É INCRÍVEL! - falei de boca aberta, namorando aquela beleza. Minha barriga até roncou só de ver aqueles doces dentro daquelas garrafas.
– Se continuar namorando esses doces, ficarei com ciúmes. - brincou Justin ao meu lado. Peguei duas ou sete garrafas, deixando-as organizadamente no carrinho de compras que Justin carregava. Sorri satisfeita. Até pegaria mais daquelas, porém não sobraria espaço para os demais doces.
– Ual! Chocolates a vista. Vamos marujo, próxima parada, Ilha das Gostosuras. - cantarolei caminhando até a outra prateleira que comportava o doce mais amado no mundo. Enquanto eu pegava algumas dez barras, pouca coisa, meu namorado carregava apenas algumas e as colocava gentilmente no carrinho.
– Pare!
– O que houve? - arregalou os olhos. Tirei o celular do bolso da calça.
– Me deixe tirar uma foto sua segurando esses doces. É muito lindo...
– Não sou muito fotogênico...
– Se disser que é feio novamente bato no seu traseiro. Você é lindo deixe de ser bobo, agora fique parado. - reclamei. Ele riu arrumando o óculo. Segundos depois tirei a foto. Sorri satisfeita ele ficou simplesmente lindo, incrivelmente fofo. E ainda ousa dizer que é feio. Aí depois sou a malvada por quere bater no traseiro dele.

– Viu só? Ficou uma fofura. - comentei mostrando a ele a foto. Justin deu uma pequena risadinha.
– Pegou tudo? - perguntou ele.
– Bom, temos Doritos, Ruffles, Pizza, Chocolates, Cupcakes, M&M, Alcazus, Torta, Refrigerantes, Pipoca, Sorvete, Jujubas, Rosquinhas e outras balinhas adicionais. É... Acho que está tudo aqui. - respondi analisando o carrinho. Justin ao meu lado riu.
– Você tem certeza que vai comprar tudo isso? Vai acabar ficando com cáries. - comentou risonho.
– São meus doces prediletos.
– Então quer dizer que você gosta de cada doce existente nesse lugar?
– Sim. - respondi mordendo os lábios. Ele riu novamente enquanto caminhávamos em direção ao caixa, para pagar tudo. Precisamos de uma cesta grande para por todos os sacos, que foram ao todo quatorze. Essa foi minha menor compra até agora. Mesmo com alguma dificuldade, caminhamos até minha casa aproveitando o tempo do almoço antes de voltar para a escola.
– Nunca vi alguém comprar tantos doces na vida. - comentou Justin quando sentamos no sofá.
Arrumei-me melhor ao seu colo suspirando em seguida. Logo pude sentir seus lábios nos meus em um breve selinho. Permaneci com os olhos abertos, encarando a sala de canto a canto. Era como um aperto no coração ver tudo aquilo vazio. Saber que meu pai poderia estar em qualquer lugar, minha mãe em uma cama de hospital e Mike causando problemas a todos. Por mais que tentasse esquecer, não era uma tarefa fácil. A felicidade da minha família estava sobe um fio. Era como se estivesse segurando uma ponta de uma corda infinita que a cada vez que puxava me trazia mais problemas. Não consigo lembrar o dia em que minha vida se transformou nesse tormento. É certo que tinha pessoas que se preocupavam comigo, mas me sentia egoísta por fazê-las passar por isso junto a mim. Era por isso que evitava tocar no assunto. É por isso que prefiro sofrer sozinha a ver pessoas que amo sofrendo comigo. Com pena de mim. Isso é horrível.
– Algo errado? - perguntou Justin confuso. Neguei com a cabeça, retornando ao mundo real.
– Está tudo bem.
– Preocupada com seu pai? - perguntou. Olhei para nossas mãos entrelaçadas, permanecendo quieta.
– Amor, eu já falei milhões de vezes e vou falar novamente. Se precisar conversar, se precisar de um ombro amigo para chorar estou aqui.
– Obrigada pela preocupação, mas não preciso chorar. Sou uma pessoa forte.
– Sei que é forte. Mas ninguém é forte o tempo todo...
– Estou bem, ta legal? Porque insiste que preciso conversar?- rebati na defensiva.
– Porque sei que mesmo sorrindo por alguns momentos, tem algo perturbando você. Sei que você não sustenta esse sorriso o tempo todo. Sei que desde ontem está preocupada com seu pai mesmo que diga para si que não. Sei que no fundo do seu coração tem medo de perder sua mãe nessa cirurgia, sei que tem medo que Mike a deixe para sempre. Noto que não gosta de dividir dores com ninguém. Sei que tem medo que as pessoas 'viagem' até o mais profundo do seu coração e perceba sua dor. Eu só pergunto por que tudo isso? Porque não se abre para ninguém? - rebateu ele confuso. Suspirei alto levantando de seu colo ficando a sua frente, agora de pé. Justin me encarava a procura de respostas, podia enxergar isso em seus olhos por baixo dos óculos.
– Porque não quero que pensem que sou fraca. Não quero receber o olhar de pena de ninguém. Porque eu sei que é isso que vai acontecer se eu decidir conversar com alguém.
– Então quer dizer que vai guardar isso pra você? Me diz até quando? Porque um dia não vai aguentar mais esse turbilhão de emoções. Não percebe que tenho medo que cometa uma loucura? - rebateu levantando-se do sofá. Dei um passo para trás. Tinhamos olhares firmes e respirações pesadas. Não queria brigar com ele, mas parecia que a furia dominava meu ser, e tudo que queria era gritar e explodir de uma vez.
– Sou forte o suficiente para suportar isso sem precisar de ninguém.
– Não percebe que só quero ajudar você? Porque é tão teimosa? - falou mais alto dando um passo a frente. Repeti o ato fechando as mãos em punho.
– Porque eu sou assim. Sempre fui e sempre serei. Se quiser me ajudar mesmo, pare de falar sobre meus problemas, pare de me perguntar como me sinto e me faça esquecer tudo...
– Então quer dizer que você prefere sofrer sozinha a pedir minha ajuda? Agora eu entendi tudo. Você não confia em mim...
– Porra Justin! Põe na sua cabeça que eu não quero te levar junto, caralho! Não quero ver você preocupado comigo, sofrendo comigo. Vejo você sofrendo Bullying todos os dias na escola, isso não basta pra você? Eu prefiro me isolar porque não gosto de ver o olhar de pena das pessoas sobre mim. Porque odeio o simples fato de parecer fraca, prepotente, incapaz. Minha mãe está entre a vida e a morte, meu irmão mal olha pra mim, meu pai é um homem infiel que no lugar de estar com a esposa está vagando por um lugar desconhecido longe de tudo isso. Todos os problemas da família estão sobre minhas costas. Além de ter a pressão da escola e das pessoas com quem estudo por ser popular e ter sempre uma pose perante eles para ser respeitada. Você não sabe o que estou sentindo!
– Então porque não me deixa ajudar? Só quero o seu bem!
– Eu sei. Mas é que... São muitas dores, muitas culpas. Se soubesse o que houve no meu passado acho que nunca olharia para mim. Acho que tudo que estou passando agora são conseqüências de um erro. É por isso que não quero envolver você. Porque não quero vê-lo sofrer junto comigo.
– Se me amasse de verdade me deixaria cuidar de você...
– E se você me amasse de verdade respeitaria meus sentimentos e me daria o espaço suficiente para conversar quando achasse que estivesse pronta. Pensei que fosse capaz disso... Estava enganada, não é? - rebati aumentando levemente o tom de voz até ouvir a companhia da casa tocar e a porta se abrir. Clarice entrou na casa arrumando o óculo ao rosto com um sorriso tímido.
– Oi Anna, eu vi você saindo da loja de doces com algumas sacolas. Posso ficar com as jujubas? - perguntou ela. Virei encarando seu rosto tentando controlar a raiva.
– Vá. Se. Foder. - falei pausadamente saindo de casa batendo a porta. Limpei a lágrima que molhou meu rosto.
Continuei andando o mais rápido que podia completamente arrependida de ter brigado com ele. Parei onde estava enquanto algumas lágrimas molhavam meu rosto. Virei para trás, vendo Clarice sair da casa com um saquinho de Jujubas. Meu coração acelerou as batidas ao finalmente me dar conta de que tinha brigado com a pessoa mais importante da minha vida. Arrependida, tomada pela angústia e dor corri até a casa vendo Justin ainda parado de pé na sala de estar. O abracei com força deixando-me levar pelas emoções. Ninguém é forte o tempo todo... Ele estava certo. Precisava dele. Agora mais do que nunca.
– Me desculpe...
– Está tudo bem anjo. Tudo bem. - disse doce, colando ainda mais nossos corpos.

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