16 de mai de 2014

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 8 - Uma Despedida


 


POV JUSTIN

 Me acomodei melhor ao banquinho pequenino, observando o dia ficar frio com uma rapidez enorme. Acho que não poderia contar nos dedos o tempo que Anna passou em seu quarto, com a mãe, resolvendo os assuntos inacabados do passado. Ela sentia falta da mãe, e talvez esse fosse o momento de por tudo em pratos limpos.
 Daquela varanda na frente da casa, podia se ter uma excelente vista da rua, e lá estava eu, tentando pensar em uma forma de confortá-la caso elas se desentendessem. Não me importava com as aulas que estava perdendo e tinha certeza de que minha namorada achava o mesmo.
- Oie, jujubona. - a loira sentou ao meu lado e estendeu um copo de chocolate quente para mim. Peguei-o, incerto dos talentos dela na cozinha. - Pode tomar, essa é uma coisa que sei fazer muito bem, pra sua informação. - argumentou ela, irritadinha. Ri dando um bom gole, satisfeito com o doce sabor do chocolate em minha boca.
- Ela ainda está lá dentro? - perguntei sem rodeios.
- Sim. Mike decidiu sair para deixá-las mais a vontade e já foi pra faculdade. Eu mandei uma mensagem pra minha abelhinha dizendo que teríamos uma conversa a noite, sabe, pra ela contar como foi. Se ela quiser é claro. Acho que seria melhor para ela refletir um pouco depois desse encontro inesperado. Todos sabemos o quanto ela sentia falta da tia Rose.
- Sentia falta mesmo. - comentei concordando com a loira.
-Você vai ficar aqui e esperar elas terminarem? - perguntou o que me fez balançar a cabeça, confirmando. - Cuide bem dela, tá?
- Eu sempre cuido. - sorri fraco, mas antes que ela pudesse responder a porta da frente se abriu, e Anna saiu de lá ao lado da mãe. As duas sorriam como nunca, e todo o medo de algo dar errado desapareceu.
- Oi oi, tia Rose dos cabelos lindos! - Ashley acenou muito alegre e me levantei para observá-las. Toda aquela felicidade me atingia de uma maneira maravilhosa.
- Olá minha querida. Você está maravilhosa. - respondeu a mulher.
- Ah, para. - gesticulou com as mãos envergonhada. - Mentira, pode continuar. - rimos.
- É bom ver você de novo, Justin. - falou Rose, agora para mim. - Vejo que está cuidando bem da minha menininha.
- Sempre cuidarei bem dela, senhora.
- Muito bem. Caso contrário, vai ter um traseiro chutado. - dei uma risada, sabendo exatamente onde ela tinha aprendido aquilo.
- Quem vai levar um chute no traseiro é aquele girafão idiota! - reclamou Anna, ao lado da mãe. Não entendi, mas Rose riu da filha.
- Como assim, tia Rose, pessoa que me ama? - perguntou a loira. Ao longe, vi Damon finalmente perceber o movimento, sair do carro e andar em nossa direção.
- Mamãe me mostrou uma foto ao lado do novo "barra" velho namorado dela. O cara parece ter mais de dois metros de altura! - argumentou ela, meio irritadinha. - Se aquele girafão acha que não consigo alcançar o traseiro dele com o pé, está muitíssimo enganado.
- O que foi que perdi aqui? Quem é o infeliz que vai levar um chute no traseiro da anã? - indagou Damon, assim que se juntou a nós. Nós rimos do que ele falou, mas Anna pareceu bem zangada.
- A girafa e você.
- O que é que eu falo sobre agressividade, querida? - repreendeu a mãe antes que a baixinha desse um passo na direção do amigo. O moreno deu um sorriso de vitória, pela proteção da ex-sogra. - Me deixe sair daqui primeiro, depois você solta os cachorros. - completou e Damon arregalou os olhos e todos rimos mais uma vez. A baixinha pareceu esquecer que foi chamada de anã.
- Eu realmente quero conhecer esse cara. Vou dar umas boas lições nele.
- Ele tem o dobro do seu tamanho, querida. - ela segurou o riso.
- Não me importo. Tamanho não é documento, afinal, as melhores comidas estão nos menores pacotes.
- Acho que o ditado não é assim. - tentei corrigir e minha namorada deu de ombros. Ela não conseguia conter a felicidade.
- Está na minha hora, é melhor eu ir andando.
- A senhora vai andando? A senhora tá morando aonde? - questionou a loira pensando que ela realmente iria andando até em casa.
- Não, meu bem, é uma forma de expressão.
- Ah tá. - mexeu nos cabelos dourados, aliviada.
- Aquele carro do outro lado da rua é o seu?
- É sim, filha.
- Vou levar você até lá. - a mulher concordou com a proposta da filha e caminharam juntas a nossa frente. Quando pararam perto da pista e Rose deixou um beijo afetuoso na testa da filha. Elas se despediam em silêncio, aguardando o momento de se encontrarem mais uma vez. Então elas acabaram com o abraço e Rose caminhou pela pista na direção dos carros. No meio do caminho, deu uma rápida virada para acenar para nós e se despedir, e foi quando tudo aconteceu.
  Aconteceu muito rápido, e não tivemos tempo sequer de gritar ou pensar em gritar. A ficha caiu, quando vimos o corpo ensanguentado, estirado no chão e sem vida. Mas ainda tive tempo de ver Anna paralisada onde estava, os olhos arregalados e chocados, sem acreditar no que tinha visto.
[...]
(Ouçam Birdy - Skinny Love)

Quatro Dias Depois
  Porto de Galinhas, Pernambuco - Brasil

- Eu não consigo acreditar nisso. - murmurrou Ashley, os olhos cheios de lágrimas.
   Era a primeira vez em toda vida que a via usando preto. Pus as mãos nos bolsos, sem acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. Era um péssimo modo de conhecer o país natal dela. Anna estava com a família, as cinzas de sua mãe tinham sido jogadas no mar. Ela não derramou uma lágrima sequer, se manteve impassível e consolou o irmão. Mas aquele era o jeito de Anna de lidar com uma perda como aquelas. Ela abraçava o irmão, e era abraçada pelo avô, há alguns centímetros de nós. Conhecemos Ian, o namorado de Rose e tudo que minha pequena fez, foi, simplesmente, balançar a cabeça de forma positiva pra ele.
 Os olhos verdes que antes eram de pura alegria, tornaram-se um olhar ferino e de ódio, assim que descobrimos que o "acidente" foi proposital. Ela quase não falava e comia, o que me deixava sem saber o que fazer. Não se tinham palavras para amenizar aquela dor. Na maior parte do tempo ela era fria, desejando estar sempre sozinha. Eu entendia sua dor, mas não gostava de saber que seu coração tinha sido partido da pior forma possível. Quando senti um vento frio em minha pele, percebi, finalmente, que o sol que antes estava absurdamente quente há alguns instantes, tinha desaparecido para dar lugar ao tempo nublado e triste.
- Parece mentira que ela morreu. - continuou a loira, abraçada por Damon de forma afetuosa e protetora. Nenhum de nós sabia o que aconteceria a partir de agora. O avô fez a proposta de que ela e Mike retornassem a morar no Brasil, definitivamente, para se afastar do lugar onde perdeu a mãe, seguir a vida no lugar onde nasceu. Nenhum dos dois irmãos tinha respondido, pedindo apenas tempo para pensar e pôr as ideias no lugar. Seria indelicado questioná-la sobre isso em um momento como esses, mas tinha medo de que no calor do momento, ela resolvesse aceitar a proposta.
- Eles devem estar muito mal. - disse Caitlin. - Mas eu nunca sei o que dizer numa hora dessas. Mike parece tão frágil, e por outro lado a Anna parece tão calma, mas...
- Mas ao mesmo tempo abalada. - completei baixo. - Tudo o que podemos fazer é oferecer nosso apoio, eles vão precisar muito.
- Eu não sei porque alguém mataria a senhora Montês. - disse Damon, pensativo. - Quer dizer, ela era uma boa pessoa, sempre foi. Nunca teve nada contra ninguém, pelo menos pelo que sei.
- O motorista nem parou para prestar ajuda. - continuou Caitlin. - Primeiro pensei que ele estava bêbado, mas depois do que o investigador disse, tudo fez sentido. Ela foi acertada em cheio, o carro desviou o caminho comum para bater nela...
- Quem bateu em quem? - perguntou Anna, surgindo atrás de nós de repente, nos assustando e interrompendo Cait. Ela parou a nossa frente, de braços cruzados e olhar cruel. Como um adulto que descobre que seu filho desobedeceu uma de suas ordens.
- A Ashley esbarrou na Cait sem querer, e acabou derrubando o copo de vidro no chão. - menti o mais rápido que pude.
- Não foi o que me pareceu...
- Mas foi exatamente o que aconteceu. - continuei firme na mentira, porém mantendo o tom de voz doce.
- Vou ficar com vocês um pouco. - se pôs ao meu lado, o que me permitiu abraçá-la gentilmente de lado. Ela não me abraçou de volta. - Mike está fazendo um escândalo do outro lado. Nem meu avô está assim. - reclamou, parecendo irritada com os berros do irmão. - Mamãe não gostaria disso. Parece um franguinho.
- Ele só está passando por um momento difícil, é normal que fique assim.
- Eu também estou passando por um momento difícil, Cait, e caso não tenha reparado, quem a viu morrer fui eu e não ele. - retrucou Anna, impaciente.
- Não foi bem... O que eu quis dizer... É que...
- Tudo bem, eu entendi. Você está defendendo seu namorado. Normal. - respondeu, sem sequer dirigir seu olhar para ela.
- O que ela está tentando dizer é que o modo dele de reagir é diferente. Você é mais forte, e vai ajudá-lo a lidar com isso, assim como fez com o seu paie sua avó. - Ash tentou ajudar Caitlin, mas não obteve resultado.
   Quando uma chuva fraquinha começou a nos molhar, acompanhamos de longe os parentes de Anna caminharem de volta para casa, Mike e seu avô abraçados. Ele parecia mais calmo, porém não menos triste. Minha pequena finalmente abraçou minha cintura e apoiou a cabeça em meu ombro; acho que não tinha coragem de olhar pra trás e saber que a mãe, agora, fazia parte do mar. Deixei um beijo em seus cabelos. De repente, ela soltou-se de mim e andou o mais rápido que podia de volta a praia. Apenas quem estava perto viu que ela tinha voltado, e percebendo o olhar preocupado de todos, principalmente da loira, falei alguma coisa.
- Podem continuar, eu vou atrás dela. - não tive tempo de ver ou ouvir a resposta deles, pois já estava correndo/andando rápido de mais atrás dela.
   A praia estava praticamente vazia, e não era difícil encontrá-la com aquele vestido preto e simples até o joelho. As sapatilhas lisas da mesma cor, o casaquinho que a cobria até os pulsos mesmo que o inicio do dia estivesse quente, o cabelo preto em um penteado que eu não sabia o nome. Parei atrás dela, as mãos nos bolsos, observando-a jogar algumas flores ao mar. Por um momento esqueci que ela carregava flores nas mãos.
- Será que foi rápido? - a voz dela era quase um sussurro; Anna permaneceu parada onde estava, admirando o horizonte, praguejando por sua mãe fazer parte dele sem que ninguém mais perceba que ela está lá. Minúscula. Reduzida a pó. Dei um passo a frente. Não sentia mais calor com aquele terno fúnebre.
- Tenho certeza de que ela não sofreu. - afirmei, mesmo sendo mentira.
- Não quero ir embora agora. - revelou no mesmo tom de voz. Sentei na areia e a convidei para sentar comigo. Anna sentou entre minhas pernas, apoiando a cabeça em meu ombro.
- Vamos quando você quiser, okay? - ela balançou a cabeça. Abracei seu corpo, trazendo-a ainda mais para perto de mim.
- Fale alguma coisa de nerd. Fale alguma coisa. Qualquer coisa. Preciso de uma distração. Mamãe precisa.
- Quer saber um pouco mais sobre Einstein? - perguntei em seu ouvido, a voz perto de um sussurro.
- Eu adoraria. - concordou, e me deixei falar baixo em seu ouvido, alguns dos meus conhecimentos sobre aquele homem, sabendo que ainda sim não conseguiria ser uma distração o suficiente. Ela ainda não aceitava a morte da mãe.
 Não conseguia, não queria, não podia.
  Essa era a questão.

NOTAS FINAIS
Oi oi oi , meu povo bom! rsrs Demorei pacas, desculpas mesmo, mas aqui estou eu com um cap novinho em folha pra vocês. Aproveitei da greve da PM pra escrever e finalmente terminei esse capítulo. \o/
Então, o que acharam? Ficou bom? Meio triste né? Eu sendo má. rsrs A partir daqui as coisas vão dar uma remexida muito boa por aqui :D
 Me desculpem por qualquer erro existente, okay? Até o próximo! Beeeijocas :3
Ps: não tem muitos gifs do JB de óculos, então, imaginem que ele tá usando quando tiver gif dele. rsrs

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