15 de fev de 2015

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 18 - Estranho

POV ANNA
 Duas semanas depois, Justin tinha voltado pra casa. Ele continuava a não lembrar de ninguém além da família e Sara e John. O convenci a voltar pra cá, dizendo que a melhor forma de lembrar de nós, era estar no lugar que viveu os últimos meses, com as pessoas que ele conviveu durante os últimos e longos anos. Era muito estranho, toda aquela situação. Não fazia sentido ele lembrar de algumas coisas e não de outras, apesar de todas elas estarem interligadas.
  Ele voltou, mas na saída do hospital, ele foi com Sara e John, em um carro separado. Eles pediram desculpas, mas os tranquilizei dizendo que eles não tinham culpa de nada. E realmente não tinham. Mas as vezes eu via nos olhos de Sara que ela não sabia como agir. Era sábado de manhã quando resolvi passar no quarto dele, antes de ir para meu curso de culinária avançada. Amora estava em meus braços quando me parei na frente da porta aberta.

POV JUSTIN
 Peguei um dos livros da estante. Seu título era Harry Potter e o Enigma do Príncipe, e foi estranho tocá-lo e sentir uma estranha familiaridade. Quando o abri, vi que havia algo escrito ali, em letras pequenas e graciosas, uma espécie de dedicatória na folha de rosto do livro.
   "Oi! Espero que enquanto você lê esse livro, ame essa história tanto quanto eu, apesar de você já saber que é meu livro favorito da série. Espero que lembre que esse é o primeiro de muitos livros que compartilharemos, entre muitos anos de namoro. Espero que sempre lembre de nós.
                                                                                           Com amor, Anna."
  Respirei fundo, adicionando aquela informação. Pelo jeito, ela realmente era minha namorada, e parecia me amar muito. Na noite passada, virei a madrugada descobrindo coisas por esse quarto, e pude concluir que eu também a amava muito. Mas eu não lembrava dela. Por mais que tentasse. E eu queria lembrar. Ainda estava com o livro nas mãos quando senti que tinha alguém parado na porta do quarto. Lá estava ela, e dessa vez, com um cachorrinho nos braços. Sorriu de leve pra mim.
- Oi. - disse ela.
- Bom dia. - respondi.
- Dando uma olhada no lugar? - perguntou, apontando para o livro na minha mão.
- É, passei um bom tempo vendo tudo, espero que não se importe, vou por tudo no lugar depois.
- Tudo bem, pode mexer no que quiser. - tranquilizou a garota, fazendo carinho no cachorro em seus braços. - Espero que tenha descoberto alguma coisa útil.
- Descobri muitas coisas, na verdade. - falei, dando um passo na direção dela. - Mas são coisas demais, e não lembro de grande parte delas. - continuei. Não sabia porque estava sendo tão sincero com ela, afinal, eu não a conhecia, mas mesmo assim eu estava contando. E apesar disso, pude notar que ela ficou um pouco triste quando disse que ainda não lembrava de nada. Se foi isso, tentou disfarçar.
- Você vai lembrar, é só uma questão de tempo. - a voz daquela garota era tão doce e tranquila que era muito fácil se deixar levar por ela. Se realmente nós tivemos algo, eu poderia concluir que tinha um ótimo gosto para garotas. Ela era, sem dúvidas, a garota mais linda que já vi.
- E se eu nunca lembrar?
- Gosto de pensar positivo. - sorriu fraco.
- Esse cachorrinho é seu? - perguntei.
- Essa folgada aqui, que só faz comer e dormir? - rimos da cadelinha que dormia. - É sim. O nome dela é Amora. - concluiu. Achei engraçado por nome de comida a um cão.
- Eu posso... Hmmm.... Segurar a Amora um pouquinho? - questionei tímido, mas ela sorriu pra mim, e entendi que podia. Amora era tão leve que era muito fácil segurá-la apenas com um dos braços e tão peludinha que provocava algumas cócegas. Não pude evitar um contato físico com Anna quando ela pôs a cadelinha nos meus braços, o que provocou um certo arrepio pelo corpo, que logo tratei de disfarçar. - Porque você está acordada tão cedo, em um dia de sábado?
- Eu tenho curso de culinária avançada aos sábados de manhã. - explicou ela, muito perto de mim, passado as mãos por todo o pelo macio da cadelinha. Os olhos dela subiram lentamente e pararam quando encararam os meus. Anna tinha lindíssimos olhos verdes e não pude evitar encará-los. Esperava não parecer um bobo. - E como quero ser uma chefe de cozinha famosa, preciso trabalhar duro.
- Quer ter o próprio restaurante? Isso é ótimo! - exclamei admirado. Ela riu. - Eu ouvi a garota loira, sabe, a maluca, dizer que você cursava Artes. Porque você está nesse curso se quer ser chefe?
- Posso te contar um segredo? - perguntou, e confirmei que sim. - Nem eu sei! - tentei não gargalhar para não acordar a cadelinha, mas aquilo não funcionou como deveria. Quando paramos de rir, Amora me observou com seus grandes olhinhos castanhos e parecia muito aborrecida por ter sido acordada daquela maneira. A devolvi para a dona, agora, rindo de Amora.
- Ela não gostou de acordar desse jeito. - ri.
- Nenhum pouco. - afirmou risonha.
- O que vai fazer sobre a faculdade?
- Vou esperar o processo de seleção começar para tentar gastronomia. Acho que já aprendi o suficiente. - respondeu. - Está pronto para voltar, na segunda?
- Não sei dizer, mas Sara estará lá, então, acho que não vai ser tão ruim.
- Boa sorte então. - dessa vez, o sorriso foi sem mostrar os dentes. Me perguntei o que a chateava. - Tenho que ir agora, não quero me atrasar. - sua fala foi acompanhada de um suspiro cansado.
-Tudo bem. - balancei a cabeça, afirmativo. Então ela se virou e saiu do quarto mais rápido do que veio. Agora eu me via sozinho naquele quarto, com um Husky Siberiano dormindo ao pé a minha cama. Me aproximei da mesinha de cabeceira e vi uma foto nossa, digo, Anna e eu, juntos, sorrindo, felizes. Peguei no porta retrato para olhar a foto mais de perto. Suspirei infeliz em seguida.
[...]
POV ANNA
- Sinto muito mesmo, realmente é uma situação desconfortável. - disse meu professor de culinária, no fim da aula.
- Ele lembra de pequenas coisas, mas grande parte ainda é desconhecida pra ele. É como se estivesse no meio de estranhos, não parece confiar em ninguém que mora lá. Apesar de, é claro, do lugar estar cheio de evidências de que ele realmente viveu ali.
- Justin só está inseguro e confuso. É normal. Você só precisa ter paciência, porque momentos ainda mais desconfortáveis virão.
- Eu sei. E muito obrigada por me ouvir. - suspirei, me apoiando na mesa. - Mas é muito difícil fazer alguém acreditar em você enquanto essa pessoa olha pra você como se fosse um estranho.
- Pense positivo, e tudo dará certo. - disse ele, segurando minha mão. - Está de carro? Posso levar você até sua casa, se quiser.
- Não, obrigada, mas eu tenho que ir a um lugar primeiro. Além do mais, caminhar é um exercício que vai me me ajudar a não ficar gorda, vendo o quando eu como por dia. - ele riu. Me despedi dele com um beijo na bochecha e fui embora. No caminho, como sempre, encontrei Margo e acenei para ela.
  No caminho de volta, não parava de pensar em como o ajudaria a se lembrar das coisas, de nós, e o que faria caso ele nunca recuperasse a memória. Essa incerteza era a pior coisa, de fato. E agora, me via na posição de reconquistá-lo, mas eu não sabia por onde começar. Se ele estava confuso, eu também estava. E com ainda mais medo. Eu queria acreditar que ainda havia esperança, esse era o único motivo por ainda continuar aqui. E ainda não sabia como dizer pra mãe dele o que tinha acontecido e tinha medo da reação dela.
  Quando cheguei em casa, no entanto, estavam todos na sala, Justin, sentado ao lado das únicas pessoas que lembrava.
- Abelha! Que demora, estávamos todos esperando por você. - falou a loira, assim que abri a porta.
- Ué, porque?
- Vamos dar uma volta por ai, todo mundo quer um piquenique na praia...
- Menos eu, sua amiga maluca me arrastou do quarto como se a casa estivesse pegando fogo. - Justin falou, e me assustei brevemente por ele ter tido coragem de falar.
- Não sou maluca, sua jujuba esquelética.
- É esquecida, Ashley. - corrigiu Damon.
- Isso também! - concordou ela, em seu vestidinho rosa de verão. - Então vamos logo...
- Vossa Majestade se importa se eu tomar um banho antes de irmos? - perguntei fazendo reverência, uma brincadeira típica, mas que ela na maioria das vezes, acreditava.
- Tudo bem, lhe concedo alguns minutos, mas seja rápida. Minha beleza belezuda não pode esperar muito. - concordou ela. Subi as escadas rindo.

POV JUSTIN
  Aquilo era bem estranho, e aquela loira era bem maluca. Uma pessoa aparentemente legal, mas muito maluca. Meia hora depois ela tinha quase me empurrado escada a cima para chamar Anna, fazer com que ela terminasse mais depressa.
  Quando vi Amora brincando com uma bolinha de borracha no chão, entendi que era o quarto certo. Entrei devagar, e a estranha familiaridade me pegou de surpresa mais uma vez.  Era um lugar acolhedor e muito elegante. Escutei o barulho do chuveiro e presumi que ela ainda não tinha terminado. Andei pelo quarto, e encontrei uma foto nossa na mesinha de cabeceira dela. Parei para olhar mais de perto. Havia outras espalhadas pelo quarto, dela com as amigas provavelmente no ensino médio, outra dela com a loira, outra com o irmão, uma com Caitlin, a garota risonha, e outra com o namorado da loira maluca.
  O fato era que estava entretido demais no que via, que não percebi que o chuveiro tinha sido desligado e que alguém saída do banheiro. Quando olhei para trás, tive uma visão completa de Anna apenas com uma toalha azul claro. E sim, fiquei muito, mas muito nervoso mesmo.
- O que você está fazendo aqui? - perguntou ela, segurando a toalha mais firme.
- Desculpa, é que Ashley pediu pra chamar você e... - cocei a cabeça com uma mão e com a outra arrumei o óculo no meu rosto. - É isso. Tchau! - quase sai correndo dali, envergonhado, mas gostando do que vi.

NOTAS FINAIS
Olá pessoal, espero que tenham gostado do cap. Beijocas e até o próximo :D
Roupa da Anna: http://data3.whicdn.com/images/163159227/superthumb.webp
Foto Antiga da Anna: http://data1.whicdn.com/images/162783812/large.jpg

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