18 de fev de 2015

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 19 - Ela Sonha com o Paraíso

 
POV ANNA
 Acordei assustada e com tanto medo que estava suando frio. Era a primeira vez em muitos anos que tinha aquele pesadelo. Eu tremia mais do que finos galhos de árvore no meio de uma tempestade. Tentei acalmar a respiração, mas meu coração parecia querer sair do peito.
  A primeira vez que isso aconteceu, foi depois que meu pai se matou. Naquela mesma noite, sonhei que estava no carro com ele, vendo seu desespero e sem fazer nada para ajudar. Aquilo era até pior que ter pesadelos com baratas. Sentei na cama, respirando e inspirando, mas não conseguia parar de tremer. Pareci mil vezes pior do que da primeira vez. Ainda tremendo, levantei da cama e sai do quarto, caminhando no escuro, assustada e quase chorando.
 Abri a porta do quarto de Justin, deitei do lado dele, me encolhendo toda, observando a noite, enquanto as batidas do meu coração iam aos poucos retornando ao ritmo normal. Pouco antes de dormir, tive a sensação de ser abraçada e de um beijo na minha bochecha.

POV JUSTIN
 Acordei com Anna Mel na minha cama.
 Calma.
 Não é exatamente o que está pensando.
 Na verdade, ela entrou no meu quarto, no meio da madrugada do sábado pro domingo. No começo, até pensei que fosse um ladrão, mas aí, ela deitou ao meu lado na cama, encolheu como se fosse um bebê. Percebi que ela estava agitada, e parecia estar no meio de uma tremedeira incontrolável. Pensei ouvir o início de um choro abafado que durou apenas alguns segundos. Percebi que era uma garota durona, apesar do medo de que sentia do provável pesadelo.
 As cortinas estavam um pouco abertas, e por essa brecha, a luz da lua atravessou a janela e se instalou no meu quarto; foi assim que pude ver ela acalmar-se aos poucos e pegar no sono. A cobri com o cobertor, pus meu braço em volta de sua cintura na intenção de fazê-la se sentir mais protegida (mesmo que estivesse dormindo) e dei-lhe um beijo de boa noite. É claro que não sabia porque cuidei de uma garota que invadiu meu quarto durante a noite, mas pensei que ela só não quisesse dormir sozinha.
 Na manhã de domingo, fui o primeiro a acordar. Anna tinha um sono tranquilo, e parei por alguns segundos para observá-la dormindo. Novamente, devo enfatizar que era muito bonita. Quando sai do banho, no entanto, a encontrei sentada na minha cama, e parecia um tanto tímida quando me viu. Arrumei o óculo, sorrindo pra ela em seguida.
- Bom dia. - falei.
- Bom dia. - respondeu baixinho. - Sinto por isso. - sentei na frente dela na cama.
- Você teve um pesadelo? Parecia muito assustada. - Anna suspirou, como se parasse para ver os prós e contras de me contar a verdade. Por fim ela disse:
- Meu pai se matou alguns anos atrás. - disse ela. - Sonhei com isso. - ela foi curta e direta. Fiquei muito triste por ela. - Desculpe por isso, não vai mais acontecer. - ela fungou, mesmo sem ter chorado e levantou da cama. Estava perto da porta quando a chamei. Ela parou e olhou para mim, e sem pensar muito, eu a abracei. Ela apoiou a cabeça em meu ombro, retribuindo o abraço.
- Sinto muito. - falei. E sentia mesmo. Continuei abraçado a ela, e era uma sensação muito boa. Anna tinha um perfume de melancia, o que combinava muito com ela. Me espantei quando me vi forçado a soltá-la e não quis fazê-lo; mas nos soltamos devagar e relutantes, bom, pelo menos da minha parte. Tirei uma mecha de seu cabeço do seu rosto, pondo atrás de sua orelha e olhei bem para seus olhos.
- Você está melhor? - perguntei. Ela sorriu fraco pra mim, mas parecia bem melhor.
- Estou, obrigada. E bom, sobre ter entrado no seu quarto, foi só a força do hábito. - explicou. Concordei, acreditando nela. Ela deu meia volta para sair do quarto quando a chamei novamente. Virou-se para mim, esperando que eu dissesse algo.
- Pode me fazer um favor?
- Claro.
- É que eu queria conhecer a cidade e o local da faculdade um dia antes das aulas, mas Sara me trocou por uma festa SPG e John por algo que tem que fazer mas que não me disse o que é. - ela riu, talvez por eu não ter gostado nada em ser trocado por uma festa.
- O que é uma SPG? - perguntou ela, risonha.
- Quer dizer; Só Para Garotas. Aquela traidora. - resmunguei. - Nunca mais vou emprestar minha tabela periódica pra ela. - Anna riu ainda mais.
- Ela já pediu sua tabela alguma vez?
- Não, mas se pedir eu não vou emprestar. - ela riu de novo, uma risada muito bonita de se ouvir, devo dizer.
- Sinto que sou a segunda opção aqui. Sabe, só sinto.
- O que? Não, nunca! - neguei rápido, porque tive medo que ela se sentisse ofendida. Mas ela me surpreendeu mais uma vez, rindo um pouco alto.
- Tudo bem, estava brincando. - admitiu o que me fez rir junto com ela.
- Que bom! - suspirei aliviado. - Então. Você pode me levar?
- Só me deixe tomar um banho e tomar o café da manhã. - concordou, pisando amigável, saindo do quarto logo em seguida. Ri comigo mesmo pensando que, mesmo em tão pouco tempo de convivência, percebi muito facilmente que ela amava comer. E ri ainda mais, porque aquilo era muito fofo.
[...]
- É um lugar muito bonito. - afirmei, sentado no banco do carona no carro, no caminho de volta pra casa.
- É verdade, apesar, é claro de ser estragado por certas pessoas. - disse ela, olhando atenta para a estrada. Não entendi.
- Como assim?
- Tudo que precisa saber por enquanto, é que lá existem pessoas legais e pessoas ruins. Mas não quero falar sobre isso agora. - explicou ela. Aceitei a explicação e arrumei o óculo no rosto. - A questão é que estou louca pra repetir o rito de passagem.
- O que é esse rito de passagem? - perguntei curioso. Ela me olhou por breves segundos de olhos arregalados.
- O quêeee? Você não lembra nem disso? - ela parecia indignada, mas percebi que era só brincadeira. - Eu deveria bater nesse seu traseiro branquelo por ser tão... tão... esquecido! Deveria dar um peteleco em você. - continuei rindo, sendo seguido por ela logo depois.
- Como é isso?
- É bem simples. Quando compramos esse carro, decidimos que cada um de nós iria inaugurá-lo cantando e dançando a primeira música que tocasse no rádio, em uma estrada longa e sem muito trânsito. Acho que você sabe porque do trânsito...
- Para o carro se mover sem interrupções de sinais de trânsito, engarrafamentos e afins.
- Entendeu direitinho. - sorriu. - É bem simples como pode ver, e como você não lembra de nada...
- Quase nada. - corrigi alegre.
- Ok. Quase nada. Então é como se fosse sua primeira vez nesse carro. E você vai inaugurá-lo cantando a primeira música que tocar no rádio. - esclareceu. - Ah, uma das regras diz que você deve fazer isso sem o cinto de segurança.
- Como? - perguntei assustado. - Quer dizer, é uma coisa bem perigosa de se fazer. Você sabia que grande parte dos acidentes no trânsito são causados por...
- Justin, qual é! É divertido.
- E perigoso.
- E divertido.
- Não vou fazer isso.
- Vai sim.
- Não vou.
- Vai sim.
- Não vou.
- Você não vai e ponto final. - disse ela.
- Eu vou e ninguém vai me impedir. Aconteça o que acontecer. - respondi e ela deu de ombros.
- Tudo bem, você quem manda.
- Hey! - reclamei, me virando para ela. - Você usou o truque do pernalonga, isso não é justo! - Anna riu de mim, mas acabei rindo junto com ela.
Ouçam Coldplay - Paradise
  Tirei o cinto (em um ato de muita coragem) e liguei o rádio do carro. Sentia ela me olhar de esguelha, um meio sorriso no rosto. Como as regras mandavam, deixei a primeira música tocar. Ela disse para que eu aumentasse o volume, e assim o fiz. Conhecia a letra porque Anna ouvia muito aquela música, e no meio daquela estrada na orla da praia, com o vento batendo no meu rosto, me senti livre e feliz.
- Cante. - disse e assim o fiz.
  E o mundo parecia novo e me sentia cheio de nostalgia. Era maravilhoso. Comecei a cantar mais alto, sem mais me preocupar com nada além daquilo. Não demorou muito para ela estar cantando comigo e estávamos rindo e cantando, sem a preocupação para a voz parecer bonita. Era bom do jeito que era.
  Aumentei ainda mais o volume.
  Era maravilhoso. Assustador. Me fez sentir livre.
  Anna Mel acelerou. Ríamos como idiotas. Sabia que ela estava atenta a estrada, mas não parecia preocupada em receber uma multa. Mas pela primeira vez desde que saí do hospital, nada mais me preocupava ou aborrecia. Não ali. Não naquele momento. Tirei os óculos e me senti ainda mais livre sem eles. Percebi que também estava feliz por ela estar ali comigo. Guardaria esse momento para sempre.
 Parem a música
[...]
POV ANNA
 Entrei no carro no banco do motorista e Ashley sentou no banco do carona. Os outros se instalaram no banco de trás. Como é de costume, aconteceu a briguinha matinal pra ver quem dirigia. Estou aqui agora porque ameacei todo mundo com um chute no traseiro. Depois, a briga vou pra ver quem sentava no banco do carona. Quinze minutos depois, a loira conseguiu esse direito dizendo que jogaria esmaltes em quem reclamasse. A parte boa é que isso fez Justin dar algumas (muitas) risadas.
- Então, pra onde vocês foram ontem? E porque só voltaram na hora de dormir? - perguntei quando já estávamos a caminho da faculdade.
- Andamos por aí. - disse Damon.
- Sabe, caminhando. - continuou Mike.
- Cruzando as ruas da vida. - falou Cait.
- E porque não nos chamaram? E não levaram o carro?
- Não queríamos atrapalhar. - disse a loira.
- E preferimos andar. - completou Damon.
- É uma pena, afinal, vocês perderam Justin fazer o rito de passagem na volta da faculdade.
- Justin fez o Rito de Passagem? E não estávamos lá pra ver ele amarelar? Qual é, não é justo! - reclamou Damon, o que nos fez rir. Quando foi a vez de Caitlin, ela ria mais do que cantava, mas acabou valendo porque ela normalmente ria de tudo, até de uma mosca de biquíni.
- Claro! Numa manhã de domingo e não tinha ninguém em casa. Foram vadiar e nem avisam, ué! Queriam que esperássemos por vocês? - perguntei dando de ombros.
- Hey, vadiar não. - discordou meu irmão. - Fomos apenas andar sem rumo definido pelas ruas da cidade. Apenas.
- Na verdade, nós procuramos vocês. - comentou Ashley em resposta. - Mas não queríamos incomodar, sabe? Entende? - Ashley erguia e descia tanto as sobrancelhas com aquele olhar de "humm, sei, danadinha!" que pensei que fossem parar na testa. Sem falar do sorrisinho malicioso de "conseguiu, né, garota? hehe" que me fez sentir uma imensa vontade de gargalhar.
- Sua idiota, não houve nada de mais.
- Claro que sim. - ela concordou, ainda com aquela cara de "finjo que acredito".
  O demoramos alguns minutos para chegar. Mas assim que estacionei o carro, vi Sara e John se aproximando de nós. Depois que todos desceram do carro, guardei a chave na bolsa.
- Pronto pro primeiro dia? - perguntou Sara para Justin. Ele afirmou com a cabeça. De repente, me perguntei se ele lembrava que tinha sofrido bullying no ensino médio. Se não lembrava, era a única parte boa de ter perdido a memória.
- Você vai ficar bem cara, não precisa ter medo.
- Não estou com medo, John. - respondeu Justin. - Só estou tentando me acostumar a tudo isso.
- Eu posso te ajudar a se acostumar, docinho. - reconheci aquela maldita voz e minha raiva surgiu de forma rápida e avassaladora. Ali estava Emília, sorrindo pra ele.
- Ela já sabe. - Damon sussurrou para mim ao meu lado. Concordei com a cabeça.
- Sabe o que eu te falei sobre pessoas ruins, Justin? - perguntei a ele, fazendo sua atenção se voltar para mim.
- Sei.
- Pois é. Está vendo uma bem a sua frente. - apontei para Emília, que sorriu para mim. Eu odiava aquele sorriso.
- Deixe de ser mentirosa e ciumenta, Anna. - disse com uma falsa suavidade. - Nós eramos grandes  amigos, Justin. Confiávamos um no outro...
- Mentirosa descarada.
- E você é uma baixinha muito nervosa. - rebateu Emília.
- Como é? Ninguém mexe com minha anã não, sua horrorosa! - reclamou Ashley ameaçando ir na direção de Emília, sendo impedida por Damon. Isso fez Emília rir de satisfação.
- Vem comigo, Justin. Vou te levar pra longe desse bando de loucos. - ela puxou ele para longe dali. Ele parecia não saber o que fazer ou em quem acreditar, mas resolveu segui-la mesmo assim. Sara estava de boca aberta em surpresa.
 Entendi exatamente o que meu professor de culinária quis dizer.
 Haverá muitos momentos difíceis.
 E infelizmente ele estava certo.

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