24 de mar de 2015

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 22 - Sobre Anjos

 POV ANNA
   Acordei sentindo alguém me cutucar o meu ombro. Meu corpo estava dolorido devido a cadeira do hospital que, mesmo acolchoada, era desconfortável. Olhei de Sara para meu avô, dormindo no leito, com vários equipamentos ligados a ele por agulhas, para levar soro para ele e essas coisas.
- Eu trouxe isso pra você. - diz ela, estendendo um saco pra mim. Era um saco de papel pra viagem, e me perguntei como ela voltou da lanchonete tão rápido.
- Rosquinhas e cappuccino?
- Foi a primeira coisa que pensei. Não é nada nutritivo, eu sei, mas vai manter seu estômago cheio até poder comer algo de verdade. - ela sorriu, sentando na cadeira ao meu lado. Meu irmão estava dormindo em uma cadeira parecia com a minha na outra ponta da sala. Sara foi até ele, o acordou, e lhe entregou um outro saco que estava em suas mãos. O último, era para ela.
- Obrigada. - agradeci quando ela voltou para o meu lado.
   Meu avô, Victor Montês, teve uma "crise do câncer". Mike e eu estávamos com ele quando aconteceu. Já no hospital, o doutor disse que nada se podia fazer por ele além de dar remédios que reduzissem sua dor. E disse também que ele não tinha muito tempo. Fiquei me perguntando como ele conseguiu o visto para viajar, estando tão doente. Como minha tia permitiu isso. A resposta veio segundos depois. Era uma despedida.
   A crise dele foi no dia seguinte a minha saída com Justin. Estou aqui desde a tarde de ontem.
- Cadê os outros? - perguntou ela.
- Ashley e Cait foram pra casa pra pegar algumas coisas pra mim. Os rapazes foram ajudar e parece que Justin e John irão dar o banho nos cães hoje. - expliquei.
- Prevejo que os rapazes ficarão mais molhados que os cães. - comentou. Mesmo naquela situação, me deixei rir baixinho daquilo. Eu tinha terminado minha rosquinha quando meus amigos chegaram. Vinham em silêncio como o médico tinha recomendado. John e Justin pareciam exaustos e os imaginei dando banho em nossos cinco cachorros.
- Oi abelhuda. - a loira me deu um abraço apertado. - O vovô abelhudo acordou?
- Ainda não. - Sara cedeu seu lugar ao meu lado pra Ashley sentar. Mike levantou e sentou do outro lado da loira. Ela segurou nossas mãos e deu um sorriso.
- Ele vai ficar bem, vão ver só! Vai viver mais do que a gente. Irá ver todos os nossos bisnetos fabulosos.
- O estado dele é terminal, loira. Agradeço que queira ajudar, mas mentir pra nós e pra si mesma não vai ajudar. - respondeu meu irmão. Ele não foi grosso, só foi... sincero. Não havia mais esperança na situação dele. E foi por isso que fiquei sem resposta.
- Vocês precisam de esperanças...
- Mike está certo, Damon. Qualquer um aqui sabe que isso é perda de tempo. - interrompi, levantando da cadeira.
- Pra onde você vai, Anna? Eu trouxe jogos!
- Vou tomar um ar, Ashley. Volto logo. - beijei sua testa e sai antes que alguém pudesse dizer alguma coisa.
  Caminhei até encontrar uma janela bem grande, onde pude ver o sol se por. Era tão lindo. Pela milésima vez no dia, me perguntei se meu avô veria um desses antes de morrer.
- Essa é minha parte favorita do dia.
- O que você está fazendo aqui, Justin? - ele estava ao meu lado agora. Mas levou alguns segundos pra responder.
- Você precisa de apoio. De um ombro amigo. De alguém que se importe com você.
- Se importa comigo?
- Também fiquei assustado com a rapidez com que você se tornou alguém com quem me importo. Não sei como explicar, só sei que odeio te ver desse jeito.
- Que "jeito"?
- Sem esperanças. Triste.
- Esse é o tipo de coisa que não da pra evitar em uma situação como essas.
- Nunca passei por uma perda como essas, pelo menos não que me lembre, mas, você nunca vai ficar sozinha. Tem seu irmão, sua tia, seus amigos. Tem a mim. - ele segurou minhas mãos entre as dele. - Você tem que ser forte.
- É o que tento fazer desde que meu pai se matou, Justin. Desde que minha avó morreu, minha prima quase me matou, e minha mãe morreu num acidente de carro. - ele parecia surpreso com aquilo, mas não fiquei surpresa por estar triste por ele não lembrar disso.
  Mas fiquei surpresa com o abraço. Porém não o recusei. Aquilo me fazia sentir tão protegida e amada, que desejei ficar assim pra sempre. Era tão bom. Mas tivemos de nos separar e voltar para o quarto de hospital. Já era noite quando abri a porta. Ele tinha acordado, e o médico parecia frustrado. Meu irmão estava ao lado do vovô, e não demorei muito pra ficar perto deles.
- Ele quer sair daqui. - disse Mike.
- Estou tentando explicar pro seu avô, Anna, que sair daqui a essa altura é perigoso. Ele pode morrer a qualquer momento e sem os remédios para dor...
- Vou morrer estando ou não estando aqui. Esses remédios me fazem dormir o tempo inteiro e não viajei de tão longe para morrer nesse hospital, sem ver meus netos antes de partir. Quero estar com minha família. Ou não posso ter o direito de morrer em paz? - Vovô parecia aborrecido e um tanto desesperado.
   Entendi o lado do doutor. Ele só estava tentando ser um bom profissional, tentando mantê-lo sem dor, já que mais nada podia ser feito. Mas também entendi meu avô. Era o último pedido dele. Morrer em tranquilidade, ao lado da família. Por isso foi ver Clarice, a prima que tentou contra minha vida. Por isso ele está aqui. Por isso minha tia está vindo pra cá. Ele queria uma despedida. E ninguém tiraria isso dele. Mike parecia ter compreendido isso também, porque o que dissemos juntos, foi a coisa mais difícil e ao mesmo tempo certa de se fazer.
- Ele sairá daqui.
[...] 
 Ouçam Not About Angels - Birdy
  Os problemas burocráticos foram resolvidos com rapidez. Dois dias depois, meu avô saia do hospital para o ar da manhã de sexta, sentado em sua cadeira de rodas, que era empurrada por Mike. Vovô parecia aliviado por poder ver o dia novamente. Minha tia chegou dois dias atrás com seu marido e uma barriga de grávida bem visível e redonda.
  Foi no carro dela que o colocamos e seguimos caminho em família. Meus amigos estavam no carro de trás. Foi ali também que ele, vovô, decidiu parar na praia para fazermos um piquenique. O que foi fácil, já que Ashley tinha jogos, os garotos uma bola de futebol americano e Sara tinha comida.
  O levamos de cadeira de rodas até a areia, e pusemos a toalha de piquenique de baixo da sombra de alguns coqueiros. Já sentado, pusemos as coisas ali. Era um circulo grande e risonho, o que formamos ali. Piadas, momentos constrangedores e loirices eram ditas. Apoiei a cabeça no ombro do meu velhinho e rindo dos meus amigos. John, Damon, Justin e Mike estavam empolgados com as dicas do marido da minha tia de como "pegar" mulher. Damon levou um puxão de orelha, é claro. Mas os outros três riam bastante.
   Então foi decidido que todo mundo ia jogar futebol americano. Ficamos apenas Mike, vovô e minha tia, por estar grávida, apesar que ela não queria sair de perto dele. Eu suspeitava que eles já tinham conversado, e eu sabia que ele sentia muito por não ver seu outro neto nascer. Me endireitei e vovô apoiou sua cabeça no ombro do meu irmão, seguido de um suspiro. Queria muito saber se o remédio para a dor que ele tomou antes de sair do hospital ainda fazia efeito. Ele pegou minha mão e fez um carinho.
- Sou o avô e o pai mais orgulhoso e sortudo do mundo. E eu os amo. Vocês são a família que eu pedi a Deus, e não poderia querer nada melhor do que isso. Até porque não existe e nem jamais existirá algo melhor que vocês. Sejam fortes, fiquem unidos. E continuem sendo essas pessoas maravilhosas que são. 
- Nós também te amamos. Amamos muito. - respondemos Mike, eu e tia Alice, fazendo o possível para não chorar, para ser forte, como ele pediu. Ele respondeu dois minutos depois, ainda com a cabeça apoiada no ombro do meu irmão, e com uma voz tão baixinha que era quase um sussurro.
- Minha família querida.
  O aperto de mão afrouxou.
  Em seguida o silêncio.
  E ele morreu com a cabeça apoiada no ombro do meu irmão.

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