30 de mar de 2015

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 23 - Luto

POV JUSTIN
 Na hora do jantar, duas semanas depois do enterro do avô de Mike e Anna, o silêncio entre os ocupantes da mesa já era esperado. Os irmãos estavam sentados lado a lado e falam apenas quando era necessário. O único som alegre era o dos cães que andavam de um lado pro outro pela casa, como se não tivessem a mínima ideia do que estava acontecendo. Eu tinha a estranha sensação de que Anna estava me evitando. Era como se não quisesse olhar pra mim. Ouvi uma conversa entre Damon e Ashley de que a baixinha sempre se fechava em seu mundo quando uma perda desse tipo acontecia. E que não sabia o que fazer pra ajudar, porque Anna Mel recusava ajuda. Mas ela precisava. E esse orgulho só piorava as coisas.
  O Spring Break se aproximava, e em uma semana, estaríamos viajando para Miami, onde iríamos passar essas férias. Nesse meio tempo, houve festas na faculdade e teria uma dessas amanhã a noite. Quando terminou, ela saiu da mesa e foi pro quarto com Amora seguindo a dona de perto. Foi quando Mike também se retirou, que a tensão entre nós acabou. Ashley suspirou tão profundamente que parecia que tinha ficado muito tempo sem respirar. Um detalhe é que a morena baixinha não cozinhava mais. E nunca mais a vi quando passava minhas noites em claro e ficava do lado de fora, vendo as estrelas. E senti falta daquilo porque desde aquele dia que ela quase me acertou a cabeça, nos víamos quase sempre durante as madrugadas de insônia.
- Não aguento mais ver esses dois tão tristonhos assim! Parece que tá morrendo um atrás do outro da família deles, meu Deus! - desabafou a loira, deixando o prato vazio na mesa. - Sinceramente não sei como estão aguentando.
- Não estão aguentando. - corrigiu Caitlin. E era verdade. Nenhum dos dois estava. Porém Mike estava um pouco melhor do que a irmã. - Temos que fazer alguma pra ela se distrair um pouco. Sei lá, tentar levar ela para a festa de amanhã. - sugeriu ela.
- Duvido que queira ir, Cait. - respondeu a loira, frustrada.
- Talvez o melhor a fazer seja deixar os dois passarem pelo luto sozinhos, como querem. Quando pedirem ajuda, vamos estar aqui. Como sempre estivemos. - o que Damon acabou de falar foi a coisa mais sensata que já ouvi depois dessas últimas semanas.
 Ouçam: Taylor Swift - Safe and Sound
 Horas depois, todos estavam nas suas camas,assim como eu. Mas eu não conseguia dormir. Bem diferente de Collin, que parecia estar do décimo sonho. Desisti da minha tentativa ridícula de dormir e levantei da cama. Pensei em pôr os óculos, mas acabei desistindo e fui sem eles até o quarto dela. Abri a porta, e pela luz baixa do abajur, vi que ela estava acordada. Deitada de lado na cama, o rosto de na direção da porta, abraçada a cadelinha, que obviamente era uma companhia melhor do que um urso de pelúcia. Mas ainda sim, não disse nada quando me viu.
 Fechei a porta, agora atrás de mim, me deitei ao lado dela, e ficamos assim por alguns minutos.
- Oi. - finalmente disse, baixinho. Ela só acenou devagar com a cabeça. - Sem dormir de novo? Já passam das duas da manhã, sabia? - minha tentativa de bronca "barra" piada não deu certo, obviamente. - Sinto muito por seu avô.
- Eu também.
- Quero te mostrar uma coisa. - levantei devagar da cama e sai do quarto.
  Ela me seguiu devagar, muitos passos atrás de mim. Cheguei ao jardim atrás da casa e deitei na grama. Durante todo esse tempo não olhei para trás, não descaradamente, é claro. Anna deitou do meu lado, alguns centímetros de distância. Não estava com Amora.
- Hoje dá pra ver as estrelas. Olha. - eu falava baixo, mas sabia que ela podia me ouvir. E ela olhou pra cima. E fiz o mesmo, observando o céu estrelado que se estendia em sua vastidão infinita a cima de nós. - Acho que seu avô está em algum lugar por ai, perto daquelas outras duas, acho. Quem sabe até toda a sua família que morreu.  - comentei, me referindo a um conjunto de estrelas.
- Não tenho cinco anos, Justin.
- Desculpe, eu só queria...
- Ajudaria se parasse de me tratar como criança. Sei que nenhum deles está lá. - foi firme e direta. Acatei seu pedido. Parei de tratá-la como criança.
- Você precisa parar com isso. Se trancar no seu próprio mundinho e esquecer de viver. Ignorar as pessoas e agir como se nada mais fosse importante. Ashley está ficando perdida, e as vezes a ouço chorar, mas graças a Deus, Damon sempre está lá para confortá-la. Você está magoando-a.
- Estou magoando a loira? Vou te dar uma dica: meu avô morreu, Justin.
- E isso te dá o direito de...
- Me dá o completo direito. Sei que está me comparando com meu irmão, mas a forma como lidamos com a perda é totalmente diferente. E ela vai superar.
- Não pode ser assim, Anna.
- Seria muito melhor se parasse de me tratar como criança, parar de ter pena de mim. Só me deixem em paz. Isso não é pedir muito.
- Então nos diga como lidar com o fato de você simplesmente deixar de viver? Eu até te daria apoio, mas acontece que me importo com você, e me incomoda te ver desse jeito. E se quer saber mesmo, está sendo idiota por afastar as pessoas de você.
  Como se tudo estivesse cooperando para tornar a situação ainda mais ruim, as nuvens começaram a aparecer, escondendo as estrelas e dando claros sinais de que logo iria chover. Ela não me respondeu de imediato, e fiquei muito mal com a sensação de tê-la magoado ainda mais do que já estava magoada. Mas era a verdade. E ela também sabia disso, apesar de permanecer no erro.
- Sonho com eles a noite. - contou ela, baixinho. - Antes, era esporadicamente, mas agora, não só sonho com eles, mas também é como se eu revivesse o momento de suas mortes até mesmo quando estou acordada. Até as que não estive presente, como o suicídio do meu pai. O tempo todo.  Só consigo dormir se tomar pílulas para dormir, mas não vou ficar dependente de remédios.
- Quer contar sobre a morte dessas pessoas? Pode aliviar, desabafar sobre isso.
  Anna deu um suspiro cansado, como quem está quase desistindo de lutar. Uma chuva fininha começou, e o céu agora estava negro, como se estivesse sentindo a dor dela.
- É muito difícil pra mim falar sobre isso. Não sei se consigo. E não quero tentar. - ela olhou pra mim, e vi seus lindos olhos verdes marejados. Aquilo doeu em mim. - Não sei explicar o quanto dói, Justin. Dói tanto que só consigo me focar na dor que sinto e no quanto me sinto sozinha e perdida agora.
- A única coisa que quero é ajudar. Não sei porque, mas odeio ver você assim.
- Quer ajudar? Então, por favor, nunca mais me julgue. Você não faz ideia do que é estar se recuperando de uma perda e vir outra pra te por no chão de novo. Você não faz ideia de nada. Quando eu não aguentar mais, pedirei ajuda. Prometo. - a voz dela era tão baixinha, enquanto a chuva ficava mais forte, mas nenhum dos dois se moveu para sair dali. Ela fechou os olhos, a cabeça virada para cima. Quando peguei sua mão, sua pele estava fria e Anna tremeu levemente ao meu toque.
- Não fique mais ausente. Nós precisamos de você. Eu preciso de você.
Parem a música
[...]
 Foi um dia divertido. A aula tinha sido maravilhosa e ao mesmo tempo muito engraçada. Minha amiga Sara é claro, que contribuiu para isso. Me fez até esquecer da madrugada de hoje com Anna. Uma das muitas qualidades de Sara era fazer qualquer um rir mesmo não querendo. Mas antes que diga, Anna Mel e Mike são uma exceção. Saímos de braços dados da sala, rindo feito idiotas. Um garoto que passou por nós, piscou para ela, que como sempre fez piada quando ele estava longe.
- Sou tão gata assim?
- Você é gata sim, mas está andando demais com a Ashley. - comentei rindo. Esse era o único dia que todos nós tínhamos o mesmo tempo livre, por isso foi fácil ver uma roda de jovens cheios de livros espalhados e conversando muito. Mike estava concentrado em seu livro de psicologia, enquanto Anna arrancava o capim do chão. John também estava lá, e nos sentamos perto dele.
- Acho que Sara está ficando como você, loira. Só falta pintar o cabelo. - comentei e Ashley ficou muito contente com aquilo.
- Jura? Se quiser, eu te ajudo a encontrar uma coloração que vai ficar super lindo em você e vai parecer bem natural. - começou ela, animada - Vou tornar você minha fiel discípula.
- Porque tenho que ser fiel? - perguntou e todos na roda riram. Tá não foi todos.
- Estou te oferecendo a oportunidade de ser minha companheira de beleza e você faz piada? Você não merece tal honraria! - a loira jogou uma mecha de cabelo para trás, meio ofendida meio rindo.
   A conversa seguiu esse ritmo feliz por um bom tempo, mas não por tempo suficiente. Porque Emília chegou mais uma vez para estragar a pequena harmonia que se instalou ali, Ela fez piadas de mal gosto, que ignoramos, mas tudo mudou quando ela passou a se referir particularmente para Mike e Anna. O estopim da briga foi Emília ter zombado da morte do Sr. Montês e Anna partiu tão rápido pra cima da outra que ninguém teve tempo de pensar em segurá-la. Um dos garotos tentou tirá-la de cima de Emília, mas Mike interviu, dando-lhe um soco que o fez cair no chão. Ele estava furioso.
- Nunca mais encoste na minha irmã! - segurou-o pela gola da camisa e bateu de novo até tirar sangue do garoto. Do outro lado, Anna desferiu o último soco na já desmaiada Emília. Os irmãos ficaram lado a lado, enquanto o resto de nós ainda estava estupefato com o que tinha acontecido.
- Vamos sair daqui. - disse ele.
- Sei pra onde. - ela respondeu. Eles saíram.
 Fiquei perplexo por saber pra onde exatamente Anna o levaria.
 Os segui minutos depois.
[...]
 Eles estavam enfaixando a mão um do outro, mas não falavam muito. Era aquele mesmo pub na praia que ela me levou antes do pior acontecer. Fiquei numa mesinha distante deles, e a distância me impedia de ouvir o que diziam. Arrumei o óculos observando Mike beijar gentilmente a testa da irmã e ir embora. Ela ficou ali, olhando pro nada, a xícara de chocolate quente intocada. Resolvi me aproximar dela.
- É feio seguir as pessoas, Justin. - disse,assim que me sentei de frente para ela, mas não parecia zangada.
- Não segui. Quando cheguei vocês já estavam aqui.
- Como sabia que estava aqui? - quis saber, e no fundo, nem eu mesmo sabia como aquele lugar me parecia tão óbvio, mesmo não sendo tão óbvio assim. Além do mais, ninguém a encontraria aqui além de mim.
- Não sei, eu simplesmente soube.
- Está começando a se lembrar, então. Isso é bom.
- Esse lugar tem alguma importância pra nós? Tivemos momentos importantes aqui? - perguntei, curioso. Ela acenou com a cabeça.
- Sim, tivemos momentos aqui. Mas com certeza, o Justin que eu conhecia, sabia o suficiente sobre mim para me achar aqui. Sem nem mesmo precisar pensar. - sorri ao saber daquilo. Era um bom sinal, afinal. Aquilo me deixou mais esperançoso. Por que não precisei pensar pra onde ela o levaria, eu só sabia. - Veio aqui me dar uma bronca por hoje cedo? - perguntou, tomando pela primeira vez, um gole de seu chocolate quente.
- Não. Não posso dizer que achei certo o que fez, mas entendo porque fez. E me colocando em seu lugar, acho que faria a mesma coisa.
- Acha?
- É. Eu me certificaria de que ela tivesse o suficiente para não esquecer de mim. Mas você fez um bom trabalho. - ela quase riu, mas não passou disso.
- Acho que gosto mais de você agora. - eu ri, arrumando de novo aquele bendito óculo.
- Mas não quer dizer que estou incentivando você a repetir aquilo.
- Sabe aquilo que dizem de cantar vitória antes do tempo? Pois é. - ri de novo, mesmo sabendo que não era intenção dela fazer piada. - Mesmo perdendo a memória, não deixa essa coisa de ser você.
- É uma característica minha. - pisquei pra ela,
- Acha que vou ser expulsa?
- Creio que nesse caso, uma suspensão para ambas as partes já é o suficiente. - expliquei pra ela.
- Realmente preciso de um tempo longe daquele lugar, de qualquer maneira.Ver aquela garota me enoja profundamente. - comentou Anna. Pensei na festa de hoje a noite, e que ela precisava de uma distração momentânea. E também porque queria levá-la.
- Quer ir a festa de hoje comigo?

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