19 de abr de 2015

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 24 - Férias de Verão


POV JUSTIN
 Férias de verão.
 Isso mesmo. Sempre gostei muito das férias de verão, apesar de gostar muito mais de aprender. Uma pausa para relaxar era sempre ótimo, e as vezes, até mesmo uma coisa necessária. E eu até que estava precisando parar e por os pensamentos em ordem. Preciso admitir que algumas coisas estão começando a aparecer. Apesar de serem vagas, é claro. Mas lembro, por exemplo, da primeira vez que falei com Anna Mel, e também da formatura. A mais confusa é uma em que eu, aparentemente, estou tentando tomar mais remédios do que um ser humano poder suportar, mas estou nervoso demais e não consigo abrir a tampa. É quando Anna aparece e briga comigo para tirá-los de mim. Mas a lembrança termina aí.
  Ninguém ainda sabe disso, é claro. Nem mesmo meus amigos, Sara e John. Até porque são poucas e confusas demais para que eu mesmo entenda. É difícil por em ordem cronológica. Outra coisa com a qual me sinto ainda mais confuso é o que realmente sinto em relação a baixinha que ainda está deprimida demais para se divertir. Sinto que posso estar "afim" dela, mas não a amo. Acho. Ou até apaixonado. É. Acho que posso estar apaixonado por ela. O fato é que ela é simplesmente encantadora, mesmo quando está triste. Enquanto todas as meninas passavam protetor solar e conversavam alto, entre risadas e os garotos comiam algo da cestinha de piquenique, ela estava na sombra de uma árvore, lendo Em Chamas. Ela estava lendo muitas distopias ultimamente.
  Tirei a camisa, ficando apenas de calção de banho e fui até ela.
- É bom? - perguntei me referindo ao livro, assim que sente ao lado dela. Ela levantou devagar a cabeça, e me olhou como se não acreditasse que eu tinha interrompido a leitura dela.
- Bem... eu ainda estou na metade. - mostrou o livro com seu dedo marcando o meio das páginas. - Mas como está valendo muito a pena, posso dizer que é bom.
- Legal. Sabe, eu leio de tudo, mas gosto mesmo é de fantasia fantástica e ficção científica. Você já leu Star Wars ou O Guia do Mochileiro das Galáxias? - perguntei, tentando iniciar uma conversa. Digamos que, depois que perdeu o avô, ela não está tão comunicativa como antes.
- Parei na metade do terceiro livro do Guia do Mochileiro das Galáxias. É engraçadinho, mas... sei lá!
- Porque todo mundo diz isso, " é engraçadinho, mas... sei lá!"? - ri enquanto ela marcava a página e deixava o livro ao lado. - Quer dizer, eu gosto muito. Li muito rápido. Lembro que foi complicado conciliar os exercícios de matemática da escola com os livros.
- Eu sei que gosta.
- Sabe? - olhei confuso para ela.
- Porque foi você quem me apresentou essa série. Na verdade, eu comecei a ler porque não aguentava mais ouvir você falando o tempo inteiro que iria reler e que eu deveria fazer o mesmo pois era muito bom. E quando comecei a ler o primeiro, você ficou tão empolgado, que quase me soltou um spoiler. E também ficou muito desapontado quando desisti da série. Mas eu prometi que voltaria para ela.
- E voltou?
- Não. - tive que rir disso. Primeiro por ser engraçado o modo como ela disse aquilo. Mesmo sem ter claramente a intenção. Segundo, por imaginar que meu outro eu estaria inquieto pela demora dela para retomar a leitura.
- Então deve terminar. É muito bom.
- Você me dizia isso também. E também roubava minha comida.
- Não, eu não faria uma crueldade dessas! Jamais roubaria sua comida! - brinquei, o que me fez pensar ter visto um vislumbre de um sorriso no rosto dela.
- Vamos dar uma caminhada. - levantei junto com ela. Ashley virou para nós, sem entender, já que nós estávamos nos afastando do grupo.
- Hey, pessoal! Estão indo para onde? - gritou ela, acenando para nós.
- Relaxa, vamos dar uma volta. Estamos com os celulares e dinheiro. Ligo qualquer coisa. - berrou Anna de volta, tranquilizando a amiga. Uma coisa engraçada é essa devoção feminina. Nessas últimas semanas, Caitlin e Ashley dormiam com Anna Mel, em uma tentativa de mostrar apoio e proteção (mas claro, em dias alternados para não tirar a privacidade que ela também precisava).
- Lembrei da vez que te conheci. - contei, mesmo sem saber porque estava fazendo aquilo, quando eu tinha prometido para mim mesmo não fazer até ter uma quantidade suficiente para isso. Ou quando as coisas ficassem menos confusas. Ao meu lado, ela andava lentamente, e quando falou, sua voz soou não animada ou distante, mas sim cuidadosa.
- Lembrou de quando me conheceu?
- Sim. Bom, eu acho. A lembrança em si é quando eu estava andando pelo corredor da escola de cabeça baixa e de repente trombei em alguém. Esse alguém era você. Acho que te derrubei no chão, mas mesmo assim não ficou brava comigo. Levantou, sorriu pra mim e disse que estava tudo bem. Tudo é um branco depois disso.
- É uma boa notícia, afinal. - disse mais pra ela do que pra mim. - E lembra de mais alguma coisa?
- Minha cabeça está uma confusão danada. É difícil dizer o que é uma lembrança real de algo que minha cabeça cria. Mas estou me esforçando para lembrar. - assegurei para que ela não ficasse ainda mais triste.
  Eu me senti confortável ao lado dela, e por isso, talvez, tenha dito aquilo. E também por não ter muitas pessoas onde estávamos. Quando ela abriu a boca para me dar uma resposta, duas crianças passaram correndo por nós. Em seguida, um senhor que parecia ter quase setenta anos, corria atrás dos pequenos.
- Voltem aqui, crianças! - gritava ele.
- Você tem que pegar a gente, vovô. - gritou de volta o menininho, enquanto a garotinha do lado dele ria. Imaginei se Anna e Mike já brincaram assim com avô deles, se foram muitas vezes e se era divertido. Pensei em perguntar isso para ela, mas quando virei o rosto, vi que Anna não estava mais ao meu lado. Ela tinha parado de andar, e tinha ficado poucos passos atrás de mim. Fui até ela, confuso, mas entendendo a razão logo depois. Ela olhava pro mar, mas tinha lágrimas molhando seu belo rosto. Nunca a tinha visto chorar, por isso, não sabia o que fazer.
- Estou bem. - afirmou, sem nem mesmo olhar pra mim, mas sabia que estava mentindo. O fato era que ela não estava aguentando mais.
- Não, você não está. - cheguei mais perto, mas ela ainda evitava meu olhar.
- Tá bom, não estou bem. Satisfeito? - quando finalmente se virou para mim, não se importou em fingir que não estava chorando, como sempre fazia desde o ocorrido. Fiquei triste por vê-la assim. - É que eu sinto tanta falta, que... que dói! Ele morreu, Justin. Oh meu Deus!... - aí ela começou a chorar de verdade. De soluçar. E eu a abracei o mais forte que pude, e Anna retribuiu meu abraço, escondendo o rosto na curva do meu pescoço. Ela dava leves tremidinhas por causa do choro, o que me fazia abraçá-la ainda mais forte.
  Me sentia triste por ela, como se quem estivesse passando por essa perda fosse eu e não Anna. Mas me peguei gostando daquele abraço. A verdade era que não queria mais largá-la. E não me importei nenhum pouco por termos ficado por horas ali, abraçados, enquanto ela se acalmava. Eu deixei beijos em seus cabelos, e disse que ia ficar tudo bem. E ia ficar tudo bem. Porque eu não ia deixar que mais ninguém a fizesse chorar. Nem mesmo eu.
[...]
  O som das risadas foram abafados quando fechei a porta da sala. Caitlin e Damon contavam piadas. Mike estava dando risadas tímidas, muito tímidas mesmo, mas era um avanço. A noite estava fria em contraste com o dia ensolarado que tivemos. Anna estava parada na frente das escadas, apoiada na pilastra que sustentava o teto do terraço. Não tinha ninguém na rua. Meus passos até ela foram silenciosos e lentos.
 Ouçam Kerli - Chemical
- Oi. - falei quando parei ao lado dela. Pus uma das mãos nos bolsos, enquanto a outra arrumava os óculos.
- Oi.
- Você está melhor? - perguntei. Anna suspirou quando olhou pra mim. E seus olhos verdes encaravam os meus, castanhos. Me deixei levar pela beleza dos olhos dela e pelo som da voz de Anna. Parecia um anjo.
- Como você consegue?
- Não entendi.
- Como você consegue ser tão amável? Tão confiável? Eu nunca chorei na frente de ninguém e, de repente, você aparece e... Meu Deus! - suspirou, dando um passo a frente, em minha direção. - Quer dizer, aquilo não deveria ter acontecido. Eu simplesmente chorei como um bebê e... Estou com raiva, muita raiva, porque não consigo não amar você e nem deixar de confiar. Porque eu te amo, Justin. Mesmo sabendo que perdi você. Assim como perdi meus pais, meus avós. E perder todos vocês é a pior coisa que já me aconteceu.
- Você está com raiva de mim?
- Estou. Porque essa situação toda me deixa maluca. Você me deixa maluca. Porque estar perto de você me deixa louca. E não estar perto de você, me deixa louca.
  E eu fiquei ali, parado como um idiota, olhando pra ela sem entender. Fiquei nervoso, com o coração batendo a mil, sentindo pela primeira vez uma vontade louca de beijá-la. Estava tentando não ficar nervoso quando ela andou até mim, segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou. Segurei sua cintura, amando a sensação maravilhosa da boca dela na minha. O beijo durou apenas alguns segundos; mas segundos suficientes para que eu nunca mais me esquecesse dele. E quando abri os olhos, encontrei os dela enquanto seu polegar acariciava meu rosto.
- Eu tive semanas péssimas. Precisava disso. - explicou baixinho. - Boa noite, Justin. - ela soltou meu rosto devagar e caminhou para dentro de casa.
 E eu continuei lá, parado, com um sorriso idiota na cara.

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