4 de mar de 2015

My Dear Nerd - Heart by Heart - Capítulo 20 - Estamos Juntos?

  POV ANNA
 Tentei explicar meu ponto de vista para elas. E alguns fatos que sustentavam minha teoria.
 Caitlin entendeu, mas Sara continuou um tanto irritada.
- Essas pessoas, sinceramente, não tem nada melhor pra fazer. - comentou ela, andando ao lado de Caitlin que andava ao meu lado. Era nosso tempo vago, e foi uma surpresa agradável cruzar com Sara no corredor. Nosso destino era, como quase sempre, a área externa do campus. Sabe, a parte do jardim, que para minha felicidade, ficava próxima da biblioteca.
- Eu lembro bem da época que todos pensávamos que Justin e Britney eram mesmo um casal. Fiquei muito confusa, porque vocês pareciam ser felizes juntos. Todos achavam. - disse Cait. - Agora está tudo se encaixando muito bem. Não é porque sou sua amiga, mas, na minha opinião, eles não pareciam felizes, sabe? Ou pelo menos não o Justin. Britney tinha uma espécie de felicidade maléfica, se isso é possível.
- Então quer dizer que Emília só está seguindo os mesmos passos de Britney? Se aproximando do Justin para ferir você? - indagou Sara.
- Sim, está.
- Isso é muito infantil.
- Sim, bastante. - concordei com Sara. - É por isso que não vou me deixar abalar, pelo menos vou tentar. Já passei por isso antes, claro que não da mesma forma, mas, acho que sei como contornar a situação.
- Porque não falou pra ele sobre esse tipo de pessoas? Quer dizer, poderia ter evitado...
- Não evitaria, Cait. Só o incitaria a ir ainda mais. - discordei. - Justin é uma pessoa curiosa, não importa se ele lembra disso ou não. Eu até falaria, mas preferi que ele tivesse sua impressão dela sozinho; porque eu acreditava que ela agiria como a criatura desprezível que ela é.
- Você não esperava que ela fosse se jogar em cima dele. - Sara explicou com palavras o que eu queria dizer. Continuamos andando, e quando chegamos ao nosso destino, sentamos na grama lado a lado, e por um momento, ficamos quietas, apenas observando as pessoas passarem. Havia uma quantidade razoável de pessoas aproveitando o tempo livre por ali, assim como nós.
 Foi assim que lembrei que Sara e Justin estavam no mesmo curso, e, por tanto, na mesma classe.  Perguntei a ela sobre ele e não gostei da resposta.
- Estávamos saindo quando Emília apareceu com seu grupinho. Ela puxou ele pra longe, e o retardado me deixou plantada lá feito uma batata. - reclamou, mas acabei rindo depois. Só da afirmação final, é claro. Tentei não pensar que Justin e Emília poderiam estar em qualquer lugar, fazendo qualquer coisa e... Melhor não pensar nisso, pensei.
- Você está passando tempo demais comigo. - disse pra ela, que riu.
- Daqui a pouco, além de usar comida pra expressar como fiquei puta da vida por ele ter me largado, vou me de vestir batata-frita e cantar que sou crocante e salgadinha.
  Rimos todas. E por um longo tempo.
  Era a primeira vez que eu dava uma risada, desde o acidente de Justin.
  Sara tinha essa coisa de fazer as pessoas em volta dela rirem, e era tão natural que ela parecia não saber que era uma das pessoas mais engraçadas que já conheci.
POV JUSTIN
 Aquela garota era muito estranha. A declaração de Anna foi bem específica hoje de manhã, e entendi perfeitamente que ela se referia a Emília em gênero, número e grau.
 Apesar disso, deixei que me guiasse.
 Creio que Anna Mel estava apenas tentando me ajudar, porém, minha curiosidade me instigou a continuar. Queria constatar eu mesmo que tipo de pessoa Emília era. E a verdade, é que não tive uma boa primeira impressão dela. Ela dizia coisas como eramos grandes amigos, de como tivemos um breve romance e de como Anna Mel ficou louca de ciúmes e que eu planejava acabar com ela para ficar com Emília. Apesar de estar confuso, eu não era ingênuo. Detectei a mentira assim que a ouvi. Podia não lembrar de nada, mas sabia que era um blefe, não só pelo jeito que ela contou mas, pela reação de surpresa de seus amigos: se fosse verdade, ninguém ficaria tão surpreso daquele jeito.
 Mas ainda estava curioso sobre aquela garota mentirosa. Quando saí da sala, ao lado de Sara, fui puxado pelo braço mais uma vez por Emília. Ponderando rapidamente se deveria permitir, concluí que se passasse mais tempo com ela, poderia descobrir mais coisas.
 O fato é que ela era ainda mais mentirosa e insuportável do que constatei da primeira vez. Eram histórias loucas de como nós dois planejávamos fugir, de como eu detestava o cãozinho de Anna e da minha suposta felicidade quando Angelina tentou por fogo na bolsa de Anna Mel com Amora dentro.
 Repulsa.
 Foi o que senti por ela.
 Uma reação instintiva, e me parecia bem familiar.
 Poderia ter esquecido uma boa parte da minha vida, mas sabia que jamais seria capaz de machucar um ser vivo. Principalmente se fosse um cãozinho. Apesar do pouco tempo que passei naquela casa, me apeguei rápido demais a todos aqueles cachorros e não conseguia me imaginar feliz com a quase morte de um deles. Por mais que tentasse. Amora era a menor de todos os cães daquela casa, e assim, a mais indefesa. Se parecia com sua dona tanto no tamanho (as duas eram baixinhas) como na fofura e temperamento. E ri quando lembrei da carinha de brava que Amora fez quando a tirei de sua soneca.
 Infelizmente, Emília entendeu aquilo como um avanço significativo.
 Ela continuou falando, mas minha atenção já não estava mais nela. Meu olhar estava concentrado num grupo de jovens rindo e conversando. Muito rápido, identifiquei Sara que provavelmente contava suas piadas que sempre me faziam rir. Depois Caitlin, e por fim, Anna Mel. Havia rapazes ali, e todos riam e brincavam como se não houvesse amanhã. Um desejo louco de estar ali com eles surgiu, sendo intensificado pela vontade de bater no cara mais próximo de Anna, que estava visivelmente flertando com ela.
 Emília puxou meu braço, pedindo atenção.
- Porque está olhando para aqueles fracassados? - perguntou ela, desdenhosa. - Você costumava detestá-los. - afirmou.
- E porque eu os detestava? - perguntei, curioso por saber até onde ela iria chegar. Enquanto ela mentia, Anna acabou me vendo ali e me olhou com uma intensidade que me deixou envergonhado. Foi quando Emília segurou meu rosto e me beijou. Não durou muito porque a empurrei para longe de mim, já bem irritado.
- O que pensa que está fazendo? - questionei, demonstrando toda a minha irritação.
- Ué, eu só...
- Quer saber? Esqueça. - interrompi. - Você é uma mentirosa e egoísta. Uma garota mimada, mal criada. A conheço há poucas horas, e já tenho pena de você. Nunca mais me procure e faça o favor de esquecer que existo. - percebi que a cada palavra que ouvia, ela ficava mais furiosa, mostrando quem era de fato. Depois disso, levei uma bofetada. É. Eu já esperava por isso, esse era o motivo de não me abalar ou ficar furioso. Apenas ri o que visivelmente a deixou ainda mais irritada. Ela estendeu a mão para me bater mais uma vez, porém, segurei sua mão antes que o fizesse.
- Vai se arrepender disso, Justin. - foi tudo que disse. Fiquei feliz quando Emília foi embora, mas quando me virei, no entanto, Anna Mel já não estava mais lá.
 Sara balançava a cabeça em desaprovação, e presumi que tinha visto Emília me beijar.
 Os outros pareciam não ter percebido nada.
 Eu, no entanto, só queria localizar Anna. E pedir desculpas.
[...]
 No fim das aulas, o carro estava mais vago. Anna não foi com a gente na volta pra casa, e nem vi Sara. Presumi que estavam juntas, falando sobre coisas de garotas, ou Sara estaria dizendo como sou um bobão e ao mesmo tempo, tentando arrancar algumas risadas da amiga. Eu queria muito me desculpar com ela.
 Em casa, Mike e Damon assistiam ao basquete e faziam suas apostas. No outro canto da sala, Caitlin e Ashley estavam bastante atentas no xadrez; pelo menos, Caitlin tentava ensinar alguma coisa do jogo pra loira, que reclamava a falta de cor no tabuleiro. Entediado e preocupado com a demora de Anna, subi as escadas que levavam aos corredores de quartos com Collin e Amora em meu encalço. Foi engraçado assistir Amora tentar subir os degraus sozinha, mas conseguiu com muito esforço. Sentei perto da janela, e pensei como tive um dia e tanto. Pensei também no jeito como Anna Mel olhou para mim quando me notou perto de Emília. Ela passou de alegre para triste em um piscar de olhos. Eu me sentia muito culpado por isso. Entre esses pensamentos, vi Sara e Anna saírem juntas de um carro preto. E depois John. Presumi que tinham passado a tarde juntos, e fiquei aliviado por saber que ela estava com meus amigos. 
  Eles conversaram por alguns minutos e até deram algumas risadas. Despediram-se com um abraço e Anna entrou. Ao ouvir a voz da dona no andar de baixo, Amora foi em sua direção sem olhar pra trás.
POV ANNA
  Peguei minha cadelinha nos braços e subi as escadas, depois de levar uma bronca do meu irmão e da loira por não avisar que ia demorar. Aquilo me fez rir por dentro.
  Fiquei aliviada ao chegar no meu quarto e sentar na minha própria cama. Um lugar só meu. O problema foi que isso me fez lembrar o longo dia que tive, e que estava durando tempo demais. Procurei pensar no conselho de Sara, mas a única coisa que me vinha na cabeça era Emília beijando Justin. Eu ainda não sabia o que fazer sobre isso.
  Era uma situação muito confusa.
  Nós dois namorávamos, mas ele não lembrava disso. E como não lembrava, não achava que estava no meio de um relacionamento. O que significava, creio eu, que não tínhamos mais nada.  
   Doeu perceber aquilo.
   Meus olhos estavam marejados quando ouvi batidas na porta. Respirei fundo e deixei quem batia entrar. Era justamente quem eu menos esperava.
- Oi. - disse ele, parado na porta.
- Oi. - respondi. Justin deu um passo para dentro. Parecia bem tímido. - Você demorou pra chegar hoje.
- Eu sei.
- Ficamos preocupados.
- Sinto muito. - foi tudo que respondi.
- Quero falar com você sobre algo.
- Pode falar. - ele sentou do meu lado na cama, como se estivesse a ponto de dizer algo importante, e tudo que eu menos gostaria era de ouvi-lo falar de Emília de modo romântico.
- É sobre o que você viu hoje de manhã...
- Justin, não. - interrompi. - Não preciso ouvir isso, é obvio que vocês se entenderam e...
- Não era isso que ia dizer. - revelou ele. - Na verdade, queria pedir desculpas por aquela cena. Sinto que magoei você e não tive intenção de fazê-lo. Me desculpe, mesmo. Percebi quem aquela garota é de verdade, e nunca mais irei me aproximar dela.
- Tudo bem. - dei um sorriso sem mostrar os dentes. Fiquei feliz por ele ter vindo se desculpar mas tinha alguma coisa ali. Não tinha acabado, ainda não.
- Mas preciso dizer que estou confuso com nossa situação. Mas que fique claro que meus pedidos de desculpas permanecerão mesmo depois da resposta. - ele respirou fundo para tomar coragem e olhou fixo nos meus olhos. - Nós somos ou não namorados? - exatamente o tipo de pergunta com o tipo de resposta que estava evitando.
- Nós eramos, pelo menos até você perder a memória. - respondi, já sentindo a dor que a verdade iria provocar. Mas continuei firme.
- Ainda somos? - questionou, chegando mais perto.
- Acho que não. - respondi. E pela minha lógica, era a mais pura e dolorosa verdade. Apesar de não significar que iria desistir dele.
- Você acha? - decidi que Justin parecer decepcionado com a resposta era tudo coisa da minha cabeça. Quando afirmei que sim, ele apenas sorriu e saiu do quarto.
  Sozinha e percebendo o que tinha acabado de fazer, comecei a chorar.
[...]
  Meus dedos do pé estavam sentindo a mesma dor de todas as madrugadas famintas, de todas as vezes que vou para a cozinha no escuro e acabo batendo em tudo. Fiquei surpresa por ver a luz da sala acesa, e peguei a primeira frigideira que vi: o faqueiro estava longe demais. Fui andando na ponta dos pés, pronta para acertar o ladrão desprevinido na cabeça.
Não fui tão rápida.
Se fosse um ladrão de verdade, estaria perdida. Mas não era.
Justin me olhava assustado, segurando minha mão no ar. Mesmo surpresa, ri do susto e da felicidade por não ser um ladrão. Ele também riu, mesmo sem entender.
- Você queria ver se minha memória voltava dando outra pancada na minha cabeça? - perguntou enquanto soltava meu braço. Percebi o tom de brincadeira em sua voz.
- Pensei que fosse um ladrão.
- Ainda bem que não sou. - rimos. - Sentiu fome de novo? - perguntou.
- Na verdade, só queria tomar um chocolate quente. Isso sempre me ajuda a dormir. - respondi. Ele vestia uma blusa preta de mangas e uma calça de moletom cinza. O cabelo estava um pouco bagunçado e parecia mais bonito com aquela carinha de sono. Justin sorriu pra mim, ficando ainda mais bonito. Precisei me concentrar muito para não ficar parada como uma idiota, olhando pra ele.
- Também sem sono? Estou começando a suspeitar que isso pode ser contagioso. - brincou. Justin caminhou até a mesinha de centro e pegou uma caneca bege, estendendo-a na minha direção. - Chocolate quente. 
 A caneca estava cheia até a metade. Tomei um gole, sentindo o sabor maravilhoso que tinha. Justin andou até a porta da frente e saiu da casa. O segui ainda segurando a caneca de vidro. 
- É triste não ter nenhuma estrela esta noite. - disse ele quando parei ao seu lado. Olhei para a vastidão do céu negro que se estendia sobre nós. Não tinha nenhuma estrela, mas não deixa de ser lindo. A calmaria da madrugada deixa tudo ainda mais "mágico". - Você deveria ter visto quando elas estavam no céu. Deu até pra localizar a Ursa Menor. 
- Espero que não seja um tipo de trocadilho por a pessoa que está do seu lado ser baixinha. - brinquei, tomando outro gole do chocolate quente. Justin riu.
- Como você mesma diz: nos menores pacotes, estão os melhores salgadinhos. - ri com ele, contente por lembrar daquilo que falei por acaso há duas semanas atrás. Era um bom sinal, não era? Não de memórias reavidas, mas de sentimentos.
- Acha que ainda temos chances de ver alguma constelação hoje?
- É mais provável que apareça chuva do que estrelas. - apontou para uma nuvem imensa que se deslocava no céu. Não sei como não a notei antes. Senti as mãos dele segurarem as minhas e seus olhos observarem os meus. - Sinto muito mesmo. Eu não quero te machucar, Anna.
- Tudo bem, Justin.
- Eu realmente quero me lembrar de você. Juro que estou tentando. Sinto um vazio enorme, e nada parece fazer sentido. Odeio ter uma parte da minha vida da qual não lembro, é como um buraco no meio da estrada. Sei quem são Sara e John, mas não sei como e onde nos conhecemos. Não lembro de nenhum de vocês, nem dessa casa, nem dos cachorros. É horrível e assustador. 
- Entendo pelo que está passando. É muito triste pra todos nós, também.
- Espero que tenha paciência comigo e que me ajude com isso, porque, sinceramente, estou perdido.
- Eu sempre vou estar aqui por você.

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