23 de jun de 2013

My Dear Nerd - What If - Capítulo 15 - Não Estamos Fornicando


POV ANNA
Parti o beijo no mesmo instante, sentindo as batidas cardíacas aumentarem de um modo que nunca pensei que seria. Arregalei os olhos, virando lentamente a cabeça na direção da porta sentindo todos os músculos do corpo congelar ao mesmo tempo em que tinha a impressão de que todo o sangue do meu corpo se esvaísse rapidamente. Eu estava tão assustada que mal conseguia respirar e tudo que queria era sumir e nunca mais voltar. Ele tinha o semblante furioso e aquilo me deixou ainda mais assustada. Eu nunca fiquei com tanto medo em toda vida. Quando dei por mim, já estava sendo puxada a força pelo braço para longe do Juju. Ele parecia tão assustado quanto eu. Se soubesse que ele chegaria mais cedo... Oh Céus!
– MAS COMO HOUSA FAZER ISSO COM A MINHA FILHA? EU VOU ACABAR COM VOCÊ MOLEQUE! –gritava meu pai completamente furioso com o rosto vermelho em pura raiva. Com brutalidade ele me jogou no chão correndo atrás de Justin que por sua vez, correu dele o mais rápido que pode. Os dois corriam pela sala, mas a cena não era nenhum um pouco engraçado. Juju corria gritando como uma garotinha pela sala. Levantei o puxando pelo braço o fazendo ficar atrás de mim. Ele agarrou minha cintura colando meu corpo no seu, apavorado.
–PAI PARA! POR FAVOR, PARA! – eu gritei tentando fazê-lo parar, mas ele parecia possuído.
– DEPOIS QUE EU CHUTAR O TRASEIRO DESSE INFELIZ E IMPEDI-LO DE TER FILHOS VOCÊ FICA DE CASTIGO PARA SEMPRE! – gritou ele em resposta tentando pegar Juju. Mas virei, sentindo ele se segurar cada vez mais forte em mim.
– ME PERDOE SENHOR MONTÊS, MAS MINHAS INTENÇÕES COM SUA FILHA SÃO NOBRES! OUÇA-ME POR FAVOR. – pediu Juju aos berros completamente assustado. Meu pai me puxou dos seus braços com tanta força que quase pude senti-lo esmagar meus ossos.
– EU VOU ACABAR COM VOCÊ! SEU DESGRAÇADO! – gritou meu pai em resposta.
Juju me olhou perdido quando fui novamente jogada ao chão com mais força do que da ultima vez. Papai pegou Juju pela camisa o jogando no chão, o fazendo bater a cabeça contra o chão. Eu estava em completo desespero, não sabia o que fazer para acalmar meu pai e manter o traseiro do meu namorado no lugar.
– MAS O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? –ouvi minha mãe gritar aparecendo na sala junto a Mike, e pude ver os olhos dos dois arregalarem-se enquanto meu pai batia no Juju. Pensando rápido Mike segurou meu pai com muito custo o afastando do Juju. Minha mãe parecia não acreditar no quanto Alex foi agressivo, nunca o vimos com tanta raiva em toda vida.
– Alex Adan Montês o que significa isto? Ficou louco? Vai matar o garoto? Não estou reconhecendo você. – repreendeu mamãe meu pai de mãos na cintura. Ele por sua vez, permanecia assustado, enquanto eu cuidava de ajudar o Juju a sentar. Ele tinha o nariz e a boca sangrando. E mentalmente agradeci a Deus por mamãe ter chegado a tempo de impedir um homicídio.
– VOCÊ DIZ ISSO PORQUE NÃO VIU OS DOIS TRANSANDO NA SALA DE ESTAR. ELE IA TRANSAR COM A NOSSA FILHA, ROSE! TEMOS QUE FAZZER ALGUNA COISA. – argumentou ele ainda irritado. Seus olhos estavam vermelhos, e eu tinha certeza de que se Mike o largasse ele arrancaria o traseiro do Juju e a sua ‘mangueira’ também.
– aquilo era apenas um beijo, não passaria disso! Ele é meu namorado, pai. E caso não sabia namorados se beijam! – comentei irônica em minha defesa. Vi ele ficar ainda mais vermelho.
– SEU DESGRAÇADO EU ACABAR COM A SUA RAÇA! – continuou ele com os gritos, ainda mais enfurecido. Respirei fundo, deixando um beijinho na cabeça de Juju olhando irritada para meu pai.
– você viu o que fez? Quase matou ele! Ficou louco? – perguntei irritada ouvindo Juju tossir por vezes.
– Alex acalme-se. – ordenou mamãe e pouco a pouco ele a obedeceu. Foi relaxando os músculos e respirando fundo. Mas ele não parecia calmo. Ele só tinha parado de gritar.
– Sr. Montês eu juro por tudo o que mais amo que minhas intenções com sua filha são as mais nobres. Eu a amo, eu só quero...
– eu sei muito bem o que você quer. Você é o tipo de rapaz que engana as garotas se fingindo de bom moço, passa a noite com elas e depois vai embora as deixando com o coração partido. Mas eu vou logo avisando, você não vai fazer isso com a minha filha. Nem que seja preciso arrancar suas pernas e seus testículos para ficar longe dela. – interrompeu papai ameaçador e aparentemente calmo.
– eu não sou como os outros.
– todos dizem isso.
– mas estou falando a verdade. Eu amo a Anna. Nós íamos conversar com o senhor sobre isto, contar sobre nosso relacionamento. Iria pedir a mão dela ao senhor. Do jeito certo, do jeitinho que ela realmente merece...
– ora rapaz cale a boca! Seu discurso não me comoveu nenhum pouco. Saia da minha casa agora. – falou ele autoritário começando a irritar-se mais uma vez.
O vi caminhar em nossa direção, mas antes de tentar abraçar o Juju ele me puxou pelo braço com força o apertando. Eu tentava me libertar do seu domínio, mas por mais que tentasse nada funcionava. Juju levantou do chão com a ajuda da minha mãe, que apesar de ser firme com papai estava o ajudando com doçura. Ao menos eu sei que perto dela não tem riscos do meu pai acertar um pé no traseiro dele.
– acho melhor ir rapaz. Mike leve o garoto para casa. - falou mamãe tentando por um fim a confusão.
– mas...
– acho melhor conversarem outra hora. Agora vá. – a interrompeu doce deixando um beijinho nos cabelos dele. Rendido acabou por aceitar a carona do meu irmão e assim saíram da casa. O clima ainda permanecia tenso, e meu pai apertava cada vez mais forte.
– pode nos explicar o que houve? – perguntou ele.
– solta meu braço, está machucando. – reclamei.
– é pra machucar.
– Alex não seja tão duro, ela é só uma adolescente.
– fala isso porque não viu o que eu vi.
– não importa. Largue ela agora. – ordenou ela. Ainda relutante ele me largou e aliviada acariciei o braço que agora tinha uma nada bela marca roxa.
– isso não é justo. Ele é um garoto incrível. Eu não ia transar com ele ali, se é o que está pensando.
– então você admite que iria transar com ele. – rebateu ele.
– eu estou dizendo que diferente do que pensa, sou uma pessoa responsável. Tenho plenos saberes das consequências dos meus atos. Foi você que me criou, você é meu pai. Deveria confiar em mim.
– eu confio em você. Eu sei a filha que tenho. – rebateu ele
– não é o que parece. – respondi fria subindo as escadas em seguida na direção do meu quarto. Bati a porta com força, ouvindo meu pai gritar meu nome do outro lado. Bufei sentando na cama, discando alguns números. Pus o celular em seguida no ouvido e sem demoras pude ouvir uma voz fininha do outro lado da linha.
– oi Aninha que me ama muito. Tava com saudades né? Eu sei que sim. – comentou Ashley alegremente. Suspirei abraçando Milhela com força contra meu corpo.
– eu preciso desabafar. – respondi.
[...]
Sai de casa bem cedo, antes que meus pais acordassem, ou até mesmo antes de Mike me encher o saco. Eu caminhava rápido, sentindo o vendo balançar minha camiseta quadriculada vermelha. Não demorou muito, e logo estava na escola, no lugar que chamo de inferno, hospício ou coisa parecida. Esta por sua vez estava quase vazia. As poucas pessoas que ali tinham estavam conversado, sorridentes nos corredores. Fui até o armário deixando dentro dele minha bolsa fechando a porta em seguida suspirando fraquinho. Olhei a minha volta notando que realmente tinha poucas pessoas ali. Dando de ombros, caminhei com calma até o jardim da escola, mas nenhum sinal de seres vivos por ali. Tirei o celular do bolso da calça discando alguns números.
– alo? – ouvi a voz que fez meu coração disparar. Mas como isso não é novidade, adiante.
– Juju onde você esta? – perguntei chutando algumas pedrinhas com o sapato.
– estou na biblioteca com a Ashley. Mas é quase impossível recomendá-la bons livros se ela só pensa em esmaltes. – resmungou ele. Eu ri a ouvindo protestar do outro lado da linha. Eu tinha certeza de que ela estava torturando ele.
– é a Aninha no telefone? Diz Jujuba! Senão eu te Desjujubo e aí você vai ver só uma coisa. – comentou a loira.
– amor, vou passar o telefone para loira ela tá me ameaçando com um esmalte cor de rosa. – falou ele assustado. Eu ri tornando a caminhar em direção da biblioteca.
– olha você tem que falar com essa Jujuba aqui. Ele é muito chato. Não quer deixar eu por os meus esmaltes nele só pra ver como ficarão em mim.
– você quer que ele use esmaltes cor de rosa? Ficou doida, Ashley? – perguntei risonha.
– não flor, é só por um tempinho. Depois eu tiro né? – rebateu ela em forma de pergunta. Eu ri por mais uma vez dando de ombros abrindo a porta da biblioteca vendo os dois sentados à mesa. Encerrei a chamada sentando no meio dos dois deixando um beijinho fofo na bochecha da Jujuba e um abraço apertado na loira.
– Aninha você tá deprimida? Porque está usando algo que a moda recusa? Pegou de algum mendigo foi? Quer levar umas tapas no traseiro? E aquelas dicas de moda que dei pra você? Hum? Você é muito má!- resmungou ela com um biquinho no rosto. Olhei pra minha roupa confusa.
– o que há de errado? Ela está linda!- comentou Juju ao meu lado com um sorriso fofo no rosto.
– sério? Que fofo! – falei sorrindo boba dando umas beijocas na bochecha dele.
– eca! Será que dá pra vocês pararem de fornicar na minha frente? Sou linda demais pra ficar moscando. – atrapalhou Ashley cutucando minha perna com o dedo indicador.
– não estamos fornicando. É só um beijo.
– é a mesma coisa. – respondeu ela dando de ombros. Neguei com a cabeça. Não seria bom corrigi-la estando esta com esmaltes em mãos.
– porque estão na escola tão cedo? – perguntei curiosa.
– eu tinha que entregar uns documentos para a renovação de matriculas. Eu estava atrasada e tinha que entregar.
– e você renovou a sua matricula? – perguntei.
– sim, está tudo certinho agora. Lindo como eu. Mas me digam o que houve ontem quando o gatinho do pai da Aninha viu vocês fornicando no sofá. – a comentou baixinho.
– primeiramente, não estávamos fornicando. Segundo ele é meu pai e você chamá-lo de ‘gatinho’ me provoca náuseas. Terceiro eu já contei a você ontem por telefone. – respondi simples. Eu não entendo porque todos dizem que eu fornico com o Juju. É apenas beijos mais quentes, só isso. Às vezes parece até que as pessoas querem que forniquemos. Vou bater nessa loira se ela disser mais uma vez que eu fornico. Se bem que, até que seria legal fornicar com ele. Ou vocês acham que eu esqueci que já o vi peado, e que pude ter a visão do paraíso com aquela coisa enorme me dando ‘oi’.
– eu sei, mas fica mais emocionante quando se fala ao vivo. -a comentou.
– meu anjo, o que vai acontecer agora? Seu pai já descobriu tudo do jeito errado...
– do que você tem medo Juju?
– eu tenho medo de te perder. De ter que ficar longe de você por causa dele. Todos nós sabemos que o Sr. Montês só que proteger você, mas eu não quero ficar longe de você. – argumentou ele abraçando minha cintura com força colando nossos corpos.
– se bem que a Jujuba tem razão. O que vai ser da Abelha sem a Jujuba? – perguntou Ash fazendo um pequeno draminha.
– vai ficar tudo bem, ok? Ele só ficou assustado com o que viu.
– e você dizendo que não estavam fornicando né? Safadinhos! – falou a loira rindo alto.
– shiu! Façam silencio! Isso é uma biblioteca não um bordel. – reclamou à bibliotecária.
– não faz ‘shiiu’ pra mim. – reclamou ela com um biquinho na cara. Eu ri.
– mas eu estou falando sério. E se ele proibir nosso namoro?
– ele não vai fazer isso.
– como tem tanta certeza? Ontem a noite ele quase me mata a base de pancadas.
– ele é um pai que se preocupa com o bem estar dos filhos. Se ele me ama de verdade perceberá que nosso amor é verdadeiro. Quando ele se der conta do quanto é importante pra mim ele irá aceitar.
– mas...
– ele é meu pai e preza por minha felicidade. E se você me faz feliz para ele bastará. – respondi firme. E sem querer cabei por deixar um clima tenso passar por nós. Juju parecia ter medo do que poderia acontecer, parecia ter medo de não poder mais chamar-me de namorada. Apesar de ter certo receio, sabia que papai seria racional. Ele sempre disse que faria de tudo para que eu fosse feliz. Ele não é radical, apesar de parecer. Alex sempre é legal depois que se conhece, é um cara bacana. Porém eu entendia com razão o medo do Juju.
– hey gente que cor de esmalte fica mais bonito em mim? O rosa clarinho, o rosa gliterizado, o rosa choque, o cintilante, o rosa desbotado, ou o normal? – perguntou a loira cortando o clima tenso que havia ficado no local. Rimos.
[...]
Sentei na cadeira bufante. Eu odeio ter que levantar o traseiro da cadeira para entregar os trabalhos. E sim, antes que perguntem quem fez tudo foi o meu namorado. Eu não sou burra, apenas preguiçosa. Foi por isso que o deixei fazer.
– soube que seu namorado levou alguns chutes no traseiro do seu pai. – comentou Damon normalmente ao meu lado. Dei de ombros.
– ele não conseguiu alcançar essa área.
– mas o que soube foi que ele estava furioso por ver a filha fornicando com o namorado no sofá. – rebateu ele me encarando. Contei até três com os dedos respirando fundo. Tentando a todo custo conter a revolta. Caramba!
– primeiro eu não estava fornicando com ele. Foi só um beijo. E segundo quem contou isso a você? – rebati com uma pergunta. Vi ele arregalar os olhos com ironia e de sorrisinho de lado bem no cantinho da boca.
– quem você acha? Essa loira fala pelos cotovelos, tente rever suas amizades. – respondeu entre risadinhas baixas. Muito baixas.
– eu amo aquela loira maluca.
– eu também a amo. Mas não diga isso a ela. Não quero esganar o pescoço daquela maluca por ficar me enchendo os ouvidos. – piscou. Eu ri.
– acha que ele irá concordar com meu namoro?
– claro. Ele só quer sua felicidade, mesmo que você ‘quebre a cara’ com ele depois. Porque você acha que ele permitiu que namorássemos no passado? – perguntou risonho.
– foram bons tempos. – comentei com um sorriso.
– tem razão.
– era muito divertido. Colocava você nas maiores enrascadas. – falei rindo.
– como na vez em que passou trote para uma moça que trabalhava com frangos que, era de uma funerária e estava com descontos?
– não foram simples descontos, ok? Dois caixões pelo preço e um, com juros e pagamento a vista. E vale lembrar que o caixão era entregue com antecedência. Antes de morrer o defunto poderia escolher o modelo de sua futura morada. – respondi simples.
– Sr. Salvatore e Sra. Montês, está boa a conversa por aí? – perguntou o professor na frente do quadro.
– tá muito bom sim. Obrigada por perguntar. – respondi fazendo um ‘joinha’ com a mão.
– muito abusada você, Sra. Montês.
– não sou não. Só estou explicando para ele a oferta do meu produto. – expliquei o vendo ficar curioso.
– e que produto é esse?
– bom se pagar a vista, com juros poderá escolher o modelo do seu caixão antes de morrer. Com garantia de que ficará confortável lá dentro. Quer experimentar? Mas pra isso o senhor vai ter que morrer primeiro. – respondi ouvindo as risadas altas da turma com o meu comentário. Pude ver o professor respirar fundo e no momento em que possivelmente reclamaria a diretora entrou na classe fazendo as risadas cessarem. Mas que gente medrosa.
– bom dia professor, bom dia alunos. Tenho um comunicado sério para fazer. Para melhor estimulo no aprendizado dos alunos, foi resolvido que apenas os alunos com bom comportamento e notas farão um passeio para uma ilha paradisíaca.
– pensei que fosse para nos estimular a estudar. – comentou uma garota a minha frente.
– e é.
– mas se irão apenas os alunos de boas notas e bom comportamento, ninguém irá além dos nerds. – comentou Damon. É se bem que ele tem razão. Não tenho boas notas e muito menos bom comportamento. Sou uma delinquente. Hum!
– certo como quase todos os alunos desta escola correspondem à massa que não liga para nada, todos que pagarem os ingressos irão a este passeio. – falou a diretora.
– mas que pobreza! Até pra passear temos que pagar! – falei assustada.
– o custo da viajem é alto Sra. Montês. – respondeu à velha.
– se o custo é alto, porque então propõem isso?
– você faz muitas perguntas.
– e você não respondeu minha pergunta. – rebati a vendo bufar.
– certo, aviso dado agora retomem suas aulas. – cortou ela saindo em seguida da sala. Bufei. Odeio-a. Que velha chata.
[...]
– fornicando em publico. Que coisa feia. – ouvi uma voz conhecida falar. Parti o beijo já irritada, olhando para o ser a minha frente. Juju abraçou minha cintura de lado enquanto eu me ajeitava melhor em seu colo.
– Damon pela milésima vez, não estou formigando!
– ela ficou irritadinha. – ironizou ele risonho sentando na cadeira ao lado.
– onde está Ashley? – perguntei curiosa. Será que ela está fornicando?
– deve estar fornicando com o namorado por aí. – deu de ombros.
– namorado?
– é um carinha que ela anda ficando. Parece um casal. Que bobões! – falou Damon.
– e você está com ciúmes dela. – falou Juju dessa vez com a cabeça apoiada no meu ombro enquanto nossas mãos permaneciam entrelaçadas caídas sobre meu colo.
– claro que estou. Aquela louca é minha amiga, não quero eu a machuquem.
– não é deste tipo de ciúmes a que me refiro. – continuou Juju. Vi o rosto de Damon corar pela primeira vez em toda vida. Foi tão fofo. Eu nunca o vi corar na vida. E ele parecia sem jeito quando ouviu o que Juju falou. Parecia incomodado.
– você está ficando pirado da cabeça. Pirou na batatinha. Completamente biruta. Eu não tenho ciúmes dela, entendeu? Não repita isso em voz alta novamente. Com licença. – respondeu ele um pouco grosso e em seguida ele levantou e saiu irritadinho.
Será que ele gosta mesmo da minha loirinha? Se isso for mesmo verdade vai ser incrível. Depois de jogar os pensamentos sobre meus amigos fora tratei de abusar da minha Jujuba roubando dela todo o açúcar que pude. Mina mão que antes estava entrelaçada a dele agora acariciava seu rostinho de bebê durante o beijo que permanecia romântico. Nossas línguas brincavam sem pressa dentro de nossas bocas fazendo uma troca de caricias maravilhosa. Viciante. Suas mãos grandes faziam alguns carinhos na minha cintura, sempre com muito respeito e delicadeza.
– será que dá para vocês pararem de fornicar? Preciso conversar com você rapaz. – ouvi uma voz grave nos interromper. E antes mesmo que eu pudesse pensar em um belo xingamento arregalei os olhos vendo o ser que eu menos esperava ver por ali.
POV JUSTIN
Respirei pesadamente deixando as mãos dentro dos bolsos da calça. Era difícil esconder o nervosismo. Ele é o pai dela, o homem que trouxe o meu tesouro ao mundo. Se houvesse uma briga eu não poderia batê-lo por respeito aos mais velhos além de ele ser o responsável pela guarda da minha amada. Não tinha a menor ideia do que ele iria falar, mas não podia negar a minha ansiedade e nervosismo.
– tenho certeza de que tem ideia do assunto a que vim tratar com você.
– claro senhor. – respondi firme o encarando nos olhos. Eu tinha medo de que algo ruim fosse acontecer, porém não permitiria que nada a tirasse de mim.
– eu não sei o que fez para deixar minha filha tão encantada, mas ordeno que pare.
– desculpe, eu não entendi.
– ela brigou comigo por sua culpa, não retorna as ligações. Ignora-me por completo como se eu fosse qualquer pessoa. Ela nunca agiu assim, então minha conclusão é que você a está fazendo assim.
– o senhor está completamente errado...
– não eu não estou. Ela é minha princesinha e é o meu dever protegê-la de estúpidos sexuais como você que deseja tirar proveito do coração generoso de Anna Mel. Se for possível quero que fique longe dela. Não quero um conquistador barato que vai mudar a minha pequena. Ela merece um homem e não um garotinho como você.
– como é que é?
– um homem. Alguém como Frad Thomas um rapaz elegante, tem uma boa vida social, tem nome de influencia, é um rapaz saudável, é bonito e forte. Um verdadeiro homem. Ele pode dar a minha filha tudo o que ela quiser com uma simples ligação. Já você... – falava o homem quando por instinto eu ri. Ele me olhou estranho, porém era ridículo ouvir aquilo sair da boca de alguém.
– senhor é com todo o respeito que lhe digo, mas é ridículo alguém como o senhor, um homem de meia idade, se permitir falar tantas bobagens.
– como é que é rapaz? – perguntou ele chegando mais perto. E diferente das outras vezes não me deixei intimidar dando um passo a frente encarando-o nos olhos com firmeza.
– é ridículo alguém julgar uma pessoa pela posição social. Pessoas como Frad Thomas só tem imagem e dinheiro. Ele é um ser podre. Ele é racista, egoísta, egocêntrico, mesquinho, perverso, ardiloso, sem moral. Ele julga as pessoas nesta escola pelo dinheiro e influência que possuem. O senhor acha que esta é uma ‘qualidade’ para alguém? Praticar Bullying? Porque é isso que ele faz comigo. Ele me faz ofensas, me bate e desmoraliza apenas por não ter tanto dinheiro. Por ser mais inteligente do que ele. Por estar nessa escola apenas por conta da bolsa de estudos. Por usar quase as mesmas roupas todos os dias. Eu tenho que chegar antes da minha mãe em casa para que ela não veja as marcas da violência que ele pratica contra mim todos os dias. O senhor acha mesmo que ele é um homem?
– eu estou dizendo apenas que...
– sabe, acho que o motivo para gostar tanto dele, é por ser igual a ele. Já parou para pensar que se ele fosse realmente o melhor para Anna ela já não estaria com ele? Porque acha que ela o ignora? Acha que ela não sabe que ele faz coisas ruins com as pessoas que nunca sequer o olharam? Porque acha que ela sente repulsa dele? Porque ele é cruel. Não sabe quantas vezes precisei mentir para minha mãe sobre os machucados para que ela não pudesse se sentir culpada por não poder me dar uma vida melhor.
– eu...
– dinheiro não define caráter de ninguém Sr. Montês. E eu sinceramente achei que o senhor soubesse disso. Mas pelo visto, eu me enganei não é mesmo? – questionei arqueando a sobrancelha vendo-o me encarar completamente sem resposta. Eu via o homem a minha frente abrir e fechar a boca por diversas vezes tentando em vão argumentar, porém seus olhos arregalados denunciavam o quão surpreso estava com minha resposta.
– o senhor tem sorte por ter uma filha tão humilde e maravilhosa como Anna Mel. Ela é um verdadeiro presente de Deus. Espero que saiba cuidar bem deste tesouro. – finalizei dando as costas para o homem caminhando na direção em que tinha deixado a minha amada. Assim que a vi me encarar a espera de alguma resposta a abracei forte antes que qualquer frase fosse dita antes da hora. Ela por sua vez, me abraçou sem entender apoiando a cabeça entre a curva do meu pescoço e sentir sua respiração naquela região fez-me arrepiar e rir.
– então, o que foi que houve? Ele veio aqui pra chutar o seu traseiro, foi? Ele conseguiu? Que lado ele chutou? – perguntava Ashley enrolando uma mexa dos cabelos loiros na mão.
– na verdade ele me chamou para uma conversa completamente sem escrúpulos. Ele queria que eu me afastasse da Anna...
– como? Eu não acredito que ele fez isso! – exclamou ela partindo o abraço, irritada. Eu podia ver em seus olhos uma mistura de medo e raiva consumi-la de uma maneira rápida e absurda.
– ai que mau! Posso bater no traseiro dele? – perguntou a loira como uma criança mordendo os lábios.
– o que você disse a ele? – perguntou Anna apertando as próprias mãos com medo da minha resposta. Ela mantinha o olhar fixo em mim, mordendo os lábios.
– eu não vou deixar você se é o que está pensando que fiz. Respeito seu pai, mas não tenho medo dele, e se você quiser ficar comigo eu enfrento qualquer coisa. Se você me quiser ao seu lado, eu nunca vou te deixar ir. Nem que me matem. – falei vendo o sorriso crescer em seu rosto e logo ela estava me abraçando forte e com um sorriso a colei ainda mais ao meu corpo deixando um pequeno beijo no topo de sua cabeça.
– é claro que eu quero você ao meu lado. Não precisa perguntar. – a comentou.
– hey! Tão se esquecendo de mim? Eu estou aqui, ô! Será que dá pra vocês que me enxergarem daqui, ou a iluminação está deixando a visão de vocês embasadas? – perguntou Ashley tomando toda a nossa atenção. Ela acenava com as duas mãos fazendo algumas danças malucas em pleno refeitório. Para a sorte dela, estávamos em aula vaga, por tanto o ‘mico’ seria bem menor.
– não é isso Ash...
– nada disso mocinha! Não mesmo! Cê tá achando que vai ficar em enrolando só para não ouvir o que eu tenho a dizer? – perguntou ela.
– e o que você tem a dizer? – perguntei receoso arqueando a sobrancelha em seguida.
– me ouvir dizer o quanto o passeio que tive foi maravilhoso. Vocês não sabem o quanto eu aprendi sobre unha, cabelo, pele e maquiagem. Vocês não vão acreditar...
[...]
POV ANNA
– quero silencio. Sem conversa, sem suspiros, respirações ou troca de olhares. A prova está bastante difícil, tem vinte questões abertas e todas valem um ponto cada. Exceto algumas que são especiais e não vou dizer quais são e quanto valem. Nada de bolsas e estojos sobre as mesas, quero tudo em baixo das cadeiras. Se quiserem colar espero que sejam profissionais e que tenham sorte, pois existem três tipos de provas diferentes. E caso eu pegue alguém filando, podem pedir um lugar especial no paraíso. Não é mesmo, Anna Mel querida? – dizia a professora enquanto distribuía as provas para os alunos.
– tamo junto. – respondi zombeteira vendo ela me fuzilar com os olhos deixando a prova de matemática sobre a minha mesa.
– é bom você rir muito, se eu pegar você filando diga adeus ao mundo. – rebateu ela. Dei de ombros bufando em irritação.
– você é muito cruel, mas acho que consigo ser mais. – dei de ombros respondendo-a depois de algum tempo.
– é o que veremos senhorita. – respondeu ela sentando em uma cadeira a frente da turma com um livro em mãos.
Respirei fundo em encostando na cadeira deixando a caneta em cima da mesa. Dando uma breve olhada na prova, descobri que a velha tinha certeza que acabaria com a minha vida. Para ser exata, existiam umas quatro folhas repletas de exercícios enormes. Levantei o olhar bem lentamente, vendo o meu namorado a minha frente mexendo seus ‘palitinhos’ fazendo a prova com a maior calma e concentração. É claro que ele estaria calmo, ele sabia de tudo mesmo.
Eu o via escrever, apagar, escrever, apagar, escrever e passar a resposta para caneta. Olhei para a professora a vendo ler um livro consideravelmente grosso, porém por certas vezes ela dava uma olhadela bem rápida na turma. Disfarçadamente, olhei para o lado vendo Ashley me olhar em uma tentativa de me perguntar a resposta da prova.
– senhoritas, olhos apenas na prova, por favor. – reclamou a professora ainda olhando para o livro em mãos. Bufei passando a mão pelo cabelo, frustrada.
– sabe o quarto quesito? – ouvi cochicharem atrás de mim. Frad. Neguei devagar com a cabeça sem tirar o olhar da professora. Eu realmente não sabia de nada, e além de assinar o nome a prova estava toda em branco. Se eu soubesse eu até passaria a cola, mas como não sei de nada, vou ficar nesse 'zero a zero'.
– sabe o primeiro? – perguntei a ele em mais um sussurro.
– quando eu souber te passo a resposta. – respondeu baixinho.
– professora quantos pontos vale os nomes? – perguntei.
– como assim?
– quantos pontos ganhamos se colocarmos os nossos nomes certos? - perguntei com um sorriso amarelo nos lábios. Ela bufou ajeitando os óculos quadrados ao rosto, negando freneticamente com a cabeça.
– Anna Mel você sabe muito bem que o nome não vale nenhum ponto. Agora queria, por favor, fazer sua prova em paz? Obrigada. – respondeu tediosa. Bufei por mais uma vez sentando melhor a cadeira.
Meus olhos brilharam ao ver que o nerd tinha a minha frente tinha dado mesmo que sem querer uma pequena brechinha de sua prova. Ainda disfarçadamente peguei a caneta e passei a anotar tudo o que podia ver. Certas vezes eu até fingia deixar o lápis cair perto dele ao chão com a velha desculpa esfarrapada. Eu sabia que a velha estava de olho em mim, mas ela nunca me pegou no flagra então tá valendo.
– hey, passa a resposta da quarta questão. – sussurrou Frad atrás de mim. Olhei para a prova, vendo que a mesma era alternativa. Mas não preciso dizer que para saber qual das alternativas era a certa era necessário um chato calculo. Recostei-me na cadeira, pondo os braços sobre a mesa e logo em seguia fingi me espreguiçar.
– Ai como estou cansada! – falei um pouco alto na velha indireta.
– caso na tenha reparado isso ainda é uma prova, Sra. Montês. – reclamou a velha.
Dei de ombros, tornando a copiar as respostas da prova do meu namorado. Ele estava mais do que concentrado e era do tipo de aluno exemplar que tirava notas boas que se divertia durante uma prova de matemática. Faltavam apenas uma questão e eu tentava escrever o mais rápido que pudesse antes que ele entregasse a prova.
– Sra. Montês a prova e individual. – reclamou a professora.
– eu sei, eu sei. – reclamei ainda copiando a resposta. Quando de repente Juju vira e olha pra mim como se quisesse me dizer algo. Até que senti alguém me cutucar o ombro e no mesmo instante senti meu sangue gelar em raiva por ter sido pega no flagra.
– finalmente chegou o dia que tanto esperei não é mesmo, senhorita? Me de sua prova vá para a direção e logo entraremos em contato com seus pais. – falava ela cima de mim. Irritada entreguei a prova para a velha levantando da cadeira caminhando na direção da porta enquanto todas as atenções estavam voltadas para mim.
– ah, mais uma coisa. Eu só consegui colar a última questão, ok? Vê se põe isso no meu histórico para não me fazer parecer tão malvada. – comentei mentirosa antes de sair porta a fora da sala. Meu único medo agora era meus pais saberem e acabarem com a minha vida. Nota mental: fugir pras colinas enquanto ainda há tempo.
[...]
– filha, mas que demora, ande depressa. –ouvia meu pai falar do lado de fora. Bufei irritada passando uma maquiagem leve no rosto. Eu não queria sair a essa hora da noite com minha família. Eu queria mesmo era ficar em casa assistindo a um filme bobo na televisão comendo Doritos, Coca-Cola, pipoca, soverte e batata frita. Tudo isso com Justin, Damon e Ashley. Mas não, meu pai tinha que inventar um jantar em família. Sempre que ele nos leva a um jantar em família sempre pagamos mico. Por quê? Nem queria saber. Sai do quarto segurando apenas uma bolsinha carteira bem simples do jeitinho que eu gosto. Desci as escadas na maior calma rezando pra que ele desistisse da ideia.
– querida antes e sairmos será que posso falar com você por um instante? – perguntou ele assim que eu estava na sala. Assenti com a cabeça estranha. Tem alga coisa aí.
– claro.
– eu queria pedir desculpas. – falou ele.
– desculpas? Desculpas pelo que? – perguntei desentendida. Esse não é o meu pai. Será que algum ET o sequestrou ou fez uma lavagem cerebral nele? Céus!
– desculpas por agir como um idiota. Eu tive uma conversa com seu namorado hoje, e ele me fez enxergar muitas coisas que antes eu não via. Ele não é o homem que sempre sonhei para você, mas esse garoto me fez entender que apenas o dinheiro e posição social não são muito importantes.
– onde o senhor está querendo chegar? – continuei curiosa. Sério mesmo que eu estava ouvindo meu pai falar aquilo ou era tudo um sonho? Será mesmo?
– estou querendo dizer que se ele é um bom rapaz, tem intenções boas e reais com você, se te faz feliz é tudo o que importa. É tudo o que eu quero. – concluiu ele. Ainda tomada pela surpresa o abracei com força sendo abraçada em troca. Aquilo tudo parecia um sonho, mas era real, eu sabia que era real. Era tudo o que eu queria para ser feliz por completo. Ter o apoio do meu ‘velho’.
– vá encontrar seu amor querida. Saiba que eu te amo muito. – disse ele me partindo o abraço e deixando um beijo doce em minha testa.
Ainda sorridente virei meu olhar para a porta vendo o sorriso mais lindo ser direcionado para mim. E assim que pude avistar as flores perfeitamente organizadas em suas mãos pude então perceber o motivo do ‘jantar em família’ que tinha como um único propósito me fazer ter um encontro com meu namorado. Virei para o meu pai quando já estava ao lado do meu namorado perto da porta.
– eu te amo, pai.
– eu também amo você princesa.

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