25 de jun de 2013

My Dear Nerd - What If - Capítulo 35 - Desespero

Fanfic / Fanfiction de Justin Bieber - My Dear Nerd - What If - Capítulo 35 - Desespero
POV ANNA
Um dia Depois…
Cruzei os braços, olhando, ainda de pé, para a cama onde ele se encontrava. Dormia tranquilamente, como um perfeito anjo. Sequer parecia que aquilo tudo realmente tinha acontecido. Mas era real. Justin tentou se matar, e isso não foi um sonho. Eu vi, junto a Pattie, Ashley e Damon, o vídeo que foi o ápice para que ele tentasse se machucar. Não tinha dormido, e meu corpo estava mole. Mas tinha medo dele tentar fazer aquilo novamente. Mesmo sedado. E foi nesse instante que agradeci por ele ter postado aquele vídeo. Porque, se não o tivesse feito... Céus! Não quero sequer imaginar!
A família dele estava aqui. De avós a primos. Jeremy estava mais do que louco para fazer justiça pelo filho, e por vezes tentava acalmar a mulher baixinha, que soubera nesse instante, o sofrimento que o filho guardou para si durante quatro ou cinco anos. Os pequenos estavam na casa de Justin com a mãe. Eram crianças, e não era justo que eles ficassem naquele lugar. Que vissem o irmão naquele estado. Eles não precisavam saber o quão cruel era a vida. Pelo menos não agora... Nunca pensei que ele chegaria a esse ponto. Parecia ser sempre um garoto tão forte, porém, no entanto, tentou tirar a própria vida. Aquilo era cruel. Eu sentia raiva de todos daquela escola, que maltratou ele. Mas em especial, Frad. Ele realmente não era humano. Chegava a ser pior que Britney.
- Você não quer comer alguma coisa? – perguntou Damon, abraçando meu corpo gentilmente por trás. Suspirei, encarando rapidamente Pattie acariciar os cabelos do filho, em meio a algumas poucas lágrimas. Sem responder sua pergunta, andei até o lado de fora, onde sentei calada em alguma das cadeiras do corredor. Damon sentou ao meu lado, e com cuidado segurou firmemente minha mão e suspirou logo em seguida.
- Eu que está muito calada porque o que presenciou naquele banheiro não foi bom. Realmente entendo que esteja abalada, e que deseja refletir sobre tudo que passou nessas horas. Mas também precisa entender que me preocupo com você. Quando peço para que coma, é para o seu bem.  – dizia doce, encarando meu rosto. Ainda que lentamente, virei e o observei por algum tempo. Tomando coragem para respondê-lo, vi Pattie sair do quarto acompanhada do ex-marido. Ele, andou até nós e logo começou a falar.
- Vocês sabem o que houve com ele? O que houve para que ele chegasse a tanto? – perguntou o homem preocupado e raivoso. Jeremy me encarou por alguns segundos. Mas Ashley tomou a palavra e falou por mim. Explicou tudo desde o inicio, enquanto ele ouvia atentamente tudo que ela falava. Por alguns raros segundos, ele olhava para mim, e tornava a observar a loira em meio de suas explicações. Ela dizia tudo que sabia, e não escondia nenhum detalhe sequer de tudo que Justin passou durante esses anos.
- Vocês podem me levar a casa desse moleque? Preciso por tudo em ordem, e garantir que isso jamais se repetirá. – disse ele. Ashley levantou e arrumou a roupa rosa que vestia. Disse que o ajudaria a chegar à casa de Frad. Mesmo Damon insistindo em ficar para ajudar-me, acabou concordando em acompanhá-los até a casa daquele infeliz. Não sentia coragem de fazer nada, com aquela terrível lembrança de Justin tentando abrir o pote de remédios, da minha briga com ele para impedi-lo. De seu choro descontrolado e desesperado.
- Está abalada, não é meu bem? – perguntou a doce voz de Pattie, agora, sentada ao meu lado. Encarei o chão sem resposta. Não que fosse tão obvio, ou que fosse, mas desde que ele desmaiou, as palavras haviam tirado férias. Aquilo era assustador demais.
- Eu sinto muito se passou por tudo isso. Mas agradeço de todo coração por ter chegado a tempo. Por ter impedido o meu menino, o meu bebê de se machucar. Você e sua amiga salvaram a vida do meu filho. Ao sabe o quanto lhe sou grata. – continuou baixo e suavemente. ‘Não precisa agradecer’, ‘ Faria novamente se a situação se repetisse’ desejava dizer. Mas nada saia. Pouco tinha coragem de olhá-la nos olhos.
- Anna, por favor, olhe para mim... Eu sei que é difícil, ele é meu filho, mas estou sendo forte por ele. Para passar a segurança e carinho que precisa, quando despertar. Não é fácil saber que ele passou por tudo isso sozinho, sem nunca me dizer nada. Bem... Ele não estava sozinho, não é mesmo? – perguntou ao final, com um fraco sorriso no rosto. Confusa, meu olhar de curiosidade a fez rir baixo e endireitar-se na cadeira.
- Sim, ele não estava sozinho, querida. Ele tinha você. Agora tenho certeza de que ele suportou tudo aquilo por você. Porque ele tinha alguém que o amava pelo que era, e que não queria mudá-lo. Lembro de como ele falava, animado que uma garota era sua amiga. Dizia que ela era muito bonita, e que sempre quis falar com ela, ser seu amigo... Lembro também na segunda semana de namoro de vocês... Ah. Ele estava tão feliz. Agora sei que naquela época, ele também sofria com isso, mas você parecia ser o motivo pelo qual ele se manteve forte. Ele tinha você. E depois do término, ele ficou mais quieto e retraído. Sempre dentro do quarto, e com olhares tristes. Isso foi o ponto para que ele tentasse... Hum... Você sabe o que. – falou ela, e por mais uma vez a curiosidade aumentou e minhas palavras pareciam resurgir.
- O que está querendo dizer?
- Digo que ele não tentou antes por você. Porque você o amava e o queria bem. Você era o porto seguro de Justin. E sem você... Bem. Acho que não preciso dizer... Vou com os outros para a praça de alimentação, comprarei algo para você comer. Tem algum pedido especial, ou me deixará livre para escolher? – perguntou ao final levantando-se. Ainda atordoada, encarei seus olhos verdes, dizendo tudo sem precisar utilizar palavras. Deixando um beijo carinhoso sobre meus cabelos, ela afastou-se para longe de mim.
Mordi os lábios, e me dirigi até o quarto em que ele dormia. E assim me sentei sobre a cadeira macia ao lado da cama, e observei através da janela. Por segundos, pude ver uma ave cortar o ar com suas magníficas asas brancas e grandes. Sendo livre. Sem sofrer, apenas vivendo seus limites sem passar por tudo. Queria ser como ela. Viver a vida sem me preocupar com os riscos e as sequelas das escolhas, estejam elas, certas ou erradas. Ser livre. Mas não era bem assim que as coisas aconteciam. No momento me encontrava encarando o céu de uma janela de hospital. No momento, um garoto se encontrava deitado sobre o leito.
Naquele momento, percebi finalmente que estava assustada demais para falar. Ou até mesmo para sentir fome. Por momentos, agradeci por serem pílulas em um frasco vedado. Se caso ele tentasse prender uma corda ao pescoço e se enforcar... Não. Agradeço por ele não ter pensado nisso. Se o tivesse feito, nem toda velocidade do mundo impediria... Aquilo. Passei os olhos pelo quarto sem vida, e o parei em Justin. Ele se moveu lentamente na cama e suspirou, o que me fez levantar e parar perto da cama. Confusa, senti um dos braços dele, rodearem minha cintura e me puxar delicadamente para sentar ao seu lado. O que claro, fiz sem dizer uma palavra. Em seguida, Justin, me trazendo para mais perto, deitou a cabeça sobre minhas pernas e permaneceu abraçando minha cintura. Suspirei e com as mãos levemente trêmulas, e de forma duvidosa, acariciei seus cabelos macios.
- Nunca mais faça isso. – falei baixo pela primeira vez em minutos.
- Obrigada. – respondeu em quase um sussurro, deixando um beijinho singelo em minha perna, por cima da calça jeans. Ele estava seguro agora.
[...]
Um Dia Depois...
Saí do banheiro, e me olhei no espelho da porta do quarto de Mike. Depois de pegar a bolsa, abri a porta e caminhei até a sala. Aquela casa trazia lembranças maravilhosas. Onde passei parte de minha vida. E onde também tive meus tormentos e aflições. Era minha casa. Que na verdade, agora não era minha. Não mais. Mas decidir passar algum tempo com meu irmão rendeu boas risadas, boas lembraças de tempos maravilhosos. E, claro, aproveitando a brecha, fiquei para tormar banho e comer. Comer muito. Muito mesmo.
- Já está pronta? - perguntou analisando minhas vestes. Ok, irmão ciumento na área.
- Rose já chegou?
- Ainda não... Ela tem perguntado por você. – comentou.
- E o que ela pergunta?
- Ela soube do que aconteceu com o Justin, e acha que ainda estão juntos. Queria saber como você estava e como estava lidando com essa situação. Acho que ela está percebendo o erro. – respondeu em seguida.
- Pena que é tarde demais para isso. – rebati.
- Tem certeza de que está tudo bem? Sou seu irmão, sabe que pode contar comigo para qualquer coisa. – disse carinhoso a minha frente. Com um sorriso fraco, esmurrei quase sem força seu ombro. Tentando ser brincalhona. Apenas tentando, é claro.
- Está querendo bancar uma de Conselheiro, moleque? – brinquei em resposta a ele, que sorriu abraçando-me de lado.
- Sou um conselheiro muito sexy. Só não deixo você se apaixonar por mim, porque sou seu irmão. Caso contrário, estaria implorando para ser apenas seu. – respondeu cheio de si.
- Não me faça rir, Mike! Nem bigodes você tem! – brinquei risonha e ele, por sua vez, não gostou e fez bico. Um completo bobo.
- Certo, agora você me magoou. E só por isso, irei acompanhar as duas no passeio.
- Ah não! Fala sério, Mike. Esse é um passeio de garotas, se for, tenha em mente que irá carregar todas as sacolas... – dizia cruzando os braços quando o celular tremeu dentro da bolsa. Já esquecendo o que diria a meu irmão doido, peguei o celular atendendo a chamada, enquanto caminhava para fora da casa, a espera de Ashley.
Ouçam Sia - Breath Me
- Aqui é Anna, quem fala? – perguntei simples, olhando ao fim da rua, o carro da loira se aproximar. Mais rápido do que o comum. Que estranho.
- Querida eu não sei o que fazer. Eu não sei como ele conseguiu e... – ela dizia em aparente desespero. Quando o carro da loira parou a minha frente, arregalei os olhos por ela não estar pronta para sair. Apesar de usar rosa, estava ‘simples’ para o que normalmente usa. Certo, que raios está acontecendo?
- Vocês dois, entrem no carro. Depressa. – disse ela agitada apertando o volante. Enquanto Mike entrava na parte de trás, sentei ao lado da loira no banco do carona. Ainda podia ouvir um choramingar baixinho do outro lado da linha.
- Pattie, por favor me conte o que houve. – pedi tentando manter a calma entre nós. Podia ouvir barulhos do outro lado, ela parecia assustada. O que estava havendo afinal?
- A porta do quarto do meu filho está trancada... Ele... Ele não abre, não fala. Estou com medo de que ele tenha tentado novamente... E conseguido dessa vez. – dizia apavorada e meu corpo parou por segundos. O vento que passava pela janela era gelado, o tempo estava mais frio que o normal, e o céu nublado. Ashley dirigia a toda velocidade pela pista molhada. O medo tornou a me dominar e ainda paralisada no assento do carro, meu coração teve suas batidas aceleradas. Se ele tivesse tentado novamente... Céus! Ele estava tão ‘bem’ na ultima vez que o vi.
- Você já sabia disso, Ashley? – perguntou Mike por mim.
- Estava tentando ligar pra vocês, mas nenhum dos dois atendia... Chegamos. – respondeu por fim quando estacionou o carro na frente do hospital. Como se acordada pela realidade, abri a porta do automóvel e, às pressas me direcionei para dentro. A mesma sensação de angústia me dominava, enquanto eu corria pelos corredores e subia as escadas o mais rápido que podia. Para minha sorte, não demorei a chegar ao corredor o quarto dele. Porém, assim que avistei a porta, alguns homens tentavam arrombá-la. Eu ouvia os gritos de Pattie em desespero, via a feição de preocupação no rosto de Jeremy. Ainda correndo, empurrei alguns dos médicos assistentes repirando fundo. Em seguida, senti a minha mão esmurrar com força a porta de madeira branca. Aos gritos.
- Abre essa porta, Justin! Abre agora! – gritei em desespero. Meu corpo vibrava na emoção do momento.
- Me deixem em paz! Vocês me odeiam!... Deixem-me em paz! – gritou em resposta.
- Ele pegou o meu computador portátil sem que eu percebesse. Trancou-se no quarto e não conseguimos abrir a porta. – explicou um dos jovens médicos, como se pedisse desculpas. Ele parecia assustado, porém não tanto como eu. Ele tinha visto, tinha tornado a ver o site da escola, onde as pessoas, a essa altura, ainda falavam mal dele. Virei-me para porta, e novamente tornei a esmurrá-la.
- Justin, ninguém odeia você. Todos querem o seu bem. Abra a porta, por favor, abra! – continuei a gritar na esperança de que ele respondesse. Ouvi barulhos dentro do cômodo. Barulhos estranhos e assustadores.
- Não vocês me odeiam! Eu vi! Estão todos rindo de mim... Eu não aguento mais! Deixe-me em paz! – tornou a responder em gritos.
- Abre logo essa droga! Eu estou mandando, abre essa porta! Agora! – gritei socando-a o mais forte que podia, e nada respondeu. No segundo seguinte, um dos homens chutou a porta com toda a força que possuía, arrebentando as dobradiças, fazendo assim que ela se abrisse que caísse ao chão. De olhos arregalados, vi por frações de segundos, Justin de pé sobre uma cadeira. Com um lençol bem amarrado a parede. Na outra ponta, em força de um nó mal feito, ele tentava passar a cabeça sobre o tecido.
- Não pense em fazer isso!... Justin!  – falei alto e seu rosto encharcado mirrou o meu. Justin, em meio ao desespero tentou apertar o nó no pescoço, porém corri e me joguei sobre ele, atirando para longe o lençol. Caímos juntos no chão. Ele ainda gritava e esperneava, quando sentei sobre ele e o imobilizei.
- Me deixe em paz... Eu quero morrer. – chorava ele, finalmente desistindo de tirar-me de cima dele. Olhei para a cama onde ele dormia. Ali encontrei o computador que ele roubou. Agora tinha certeza de que ele tinha visto aquilo novamente. Já perto da parede, sentei no chão e o acolhi em meus braços, ouvindo seu choro forte e abafado nos meus ombros. Seus braços redoavam meu corpo e sua dor era expressa pelas lágrimas grossas que molhavam seu rosto, e logicamente meu ombro. Ele não era o único a chorar. Apesar de silenciosas, algumas gotas também molhavam meu rosto. Enquanto um dos jovens médicos tentou se aproximar, para controlar Justin e sedá-lo, em um sinal com a mão o impedi de fazê-lo. Ainda ouvindo o choro, ainda sendo seus abraços apertarem meu corpo, e ainda sentindo que ele precisava de ajuda. Que precisava de alguma forma por toda a dor que senti para fora. E foi assim que se passaram longos minutos, até que ele finalmente dormisse em meus braços.
Parar a Música
[...]
No Dia Seguinte...
Tateei as coisas com a mão, e por sorte achei a parede. Onde estava esse maldito interruptor? Nunca o encontro quando preciso! Reclamei em pensamentos. Esse era um dos motivos pelos quais detestava andar pela casa da loira durante a noite. Mas minha barriga roncava, e a fome não me deixava dormir.
- Ai! – reclamei quando meu dedinho bateu em algo. Estava doendo, bolas! Continuei a andar quase cega pelo lugar desconhecido. Ninguém poderia acordar.
- Au! – outra vez, outro dedinho do pé machucado. Dei dois passos a frente, e minhas mãos sentiram o ar. Desistindo de tentar achar o interruptor daquela casa, curvei meu corpo para frente à procura do corrimão da escada. Dei mais um passo.
- Ai!... Ora Molhos de Queijo! – xinguei levemente algo. Agora meu outro dedinho tinha experimentado um choque contra algo de madeira. Certo, estou perto do corrimão. Quando minhas mãos tocaram-no e tentei dar um passo a frente, sempre tentando ser silenciosa, fui de mau jeito. A coisa não foi como planejado. Um passo muito longo, ou muito curto, foi o suficiente para que eu rolasse escada a baixo. Fazendo um barulho enorme. Já no fim da escada, sem ouvir nenhum barulho que indicasse que a família Benson acordou com minha barulheira, o que achei um absurdo, porque foi muito alto, levantei. Tudo escuro. Novamente tornei a inclinar o corpo para frente. Com as mãos sentindo o ar, tentei achar algo, antes que meus dedinhos fizessem isso por mim. Bumbum inclinado pra frente, corpo na diagonal, e mãos estendidas para frente. Era assim que me encontrava.
- Ai, porcaria ambulante! Filhos de péssimas madeiras da natureza! – reclamei alto. Desse jeito meus dedos não aguentam! Dei mais um ou dois passos. Péssima escolha.
- Aí! Por Cachorros-Quentes com milho e ervilha! Vá pra mãe que te teve infeliz! – xinguei outro móvel desconhecido que me fez cair. Agora foi minha cintura. O que falta mais? Algo cair em cima do meu dedo mindinho?
- Ai!... Aí!... Aaaai! O que é isso? Uma conspiração? – perguntei e reclamei todas as vezes que tentei levantar e minha cabeça batia em algo. Acariciando-a, engatinhei pelo chão do lugar escuro para poder levantar. E mais uma vez um dedinho sai machucado. Dessa vez o da mão. Bolas de Goma! Quando consegui levantar, uma luz cegou meus olhos e cai sobre um móvel. Uma das cadeiras pelo que pude perceber. Outra barulheira. Agora é oficial, não tenho vocação para ser espiã.
- Mas o que é isso? Porque interrompeu meu sono de beleza? Porque está fazendo barulho, derrubando móveis e falando de cachorros quentes? – uma voz conhecida, e um tanto sonolenta perguntou. Ao olhar para frente, vi uma loira de pijama cor de rosa, com pantufas e coelho, também cor de rosa. Cabelos presos em um coque mal feito, rostinho e boneca e biquinho. Coçava os olhos e falava devagar. Ao olhar ao redor percebi que grande parte dos móveis estava sobre o chão. Ah, foram os que acertaram meu dedinho mindinho. Aquela cozinha era um perigo no meio da noite. Meu dedinho sabe muito bem disso. E com aquela carinha de bravinha que minha amiga fez, perdi logo a fome. Estou de molho, cozinhada e frita. Ri nervosa pra ela, e levantei passando a mão na cabeça.
- Não, eu só... Estava com fome. Alem do mais fui muito silenciosa.
- Silenciosa? Pude ouvir do meu quarto, você cair da escada, reclamar usando um nome de comida, bater com o dedinho os móveis da casa e reclamar novamente. – corrigiu ela, e ri nervosa novamente. Ela tinha razão. Não foi nada silenciosa. Meu sonho de ser espiã foi para o Espaço Lasanhal.
- E para onde a senhorita pensa que vai? – perguntou de braços cruzados quando viu que dei um passo a frente. A carinha dela tava me dando medo. To falando sério.
- Pro meu quarto.
- Se você desceu, veio pra comer. Fez esse barulho inteiro, interrompeu meu sonhinho para reforçar minha beleza inacabável, e agora vai voltar pro quarto? – perguntou. Assustada, passei correndo por ela, tropeçando em tudo a minha frente. E acredite se quiser, no degrau também. Mas finalmente entre no quarto e fechei a porta antes que ela me esganasse com um esmalte por ter retirado-a de seu sono de beleza. Nunca mais vou tropeçar em nada. Prometo ser atenta, e observar os detalhes...
- Aaaaaai! Caramelos! – ok, eu não tenho jeito.
[...]
- Essa escola parece mais calada do que o normal... Porque ninguém está admirando minha beleza? – Ashley cochichou ao meu lado. Depois de sofrer por ter devorado o ultimo nacho do pacote, ao qual não deveria ter acabado tão cedo, passei as mãos pela roupa e a outra mão, lambi para tirar o sal do salgadinho. Ninguém falava em outra coisa. O assunto era simplesmente, as tentativas de suicídio mal sucedidas de Justin. Depois da segunda, e ultima, assim espero, os comentários maldosos pararam. Principalmente depois que deixei em meu perfil, um pequeno texto dizendo o que achava de pessoas que faziam isso.  Minha popularidade tinha uma força que nem eu conhecia. E aquilo parecia ser algo novo.
- Porque o assunto que corre é o que você viu de perto.
- Ninguém tentou falar algo depois do que você postou no seu perfil. Se antes, os nerds gostavam de você, hoje eles com certeza de amam. – disse enquanto andávamos. Era hora de ir para casa. Damon nos aguardava no carro, e as pessoas que passavam por nós, achavam algum modo de nos chamar a atenção. Não gostava desse apertado, muitas pessoas andando do meu lado. Quase grudando em mim.
- Porque não foi pro ‘ponto’, vadia? – perguntou Britney ao longe, com um sorriso debochado na cara.
- Porque eu não sou você. –respondi com um grito para que ela ouvisse o que pareceu dar certo, já que ela pareceu brava. Esse dia não estava indo muito bem. Sabia disso assim que bati meu dedinho pela primeira vez no móvel, hoje de madrugada. Porém sorri ao sentir meus lábios tocarem gentilmente os de Damon. Depois de um abraço apertado, e um Você é linda Ashley, que ela sempre fazia questão que ele falasse, ele pegou minha bolsa, e deixou no banco do carro.
- Hum... Gosto de Doritos Queijo Nacho... Ah, não posso esquecer o leve sabor de Ruffles Cebola e Salsa. – comentou um pouco safado de sobrancelhas arqueadas.
- Eu sei que você gosta. – brinquei e ele riu safado. Será que dá pra parar de ser sexy?
- Será que dá pra vocês pararem de fornicação e catar pneus? Quero minha noite de beleza, depois de voltarmos do hospital onde está a Jujuba... – a voz da loira veio do carro, onde ela sentava no lugar do motorista. O carro, dessa vez, era dela.
- Será que posso falar com você, Anna? – a voz de Frad interrompeu a frase da minha loira, e quando virei, minha raiva parecia começar a resurgir. Senti até algumas pessoas parando o que faziam para olhar a cena.
- Não falo com vermes como você. – disse simples e fria.
- Eu preciso que escute, eu...
- Eu tenho pena de você, Frad. – interrompi com olhar superior.
- Pena?
- Sim. Tenho pena por você precisar humilhar as pessoas para se sentir bem. Agora me diz, quem é o inútil da história? – cortei baixo, simples e sem demais emoções na voz. Com aquele simples discurso, pude ver, pela primeira vez em anos ele baixar a cabeça. O silêncio foi cortado, quando bati a porta do carro, quando já estava dentro dele. E deixando todos em um silêncio mortal, nos dirigimos rumo ao hospital.

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