24 de jun de 2013

My Dear Nerd - What If - Capítulo 23 - Boas Novas


POV JUSTIN
Sorri orgulhoso, sentando melhor a cadeira da arquibancada vendo com um sorriso idiota no rosto minha pequena dançar livremente pela quadra com graça e beleza. Vê-la dançar era de fato uma das melhores coisas. Seu corpo se movia com facilidade, a doçura e precisão de seus movimentos eram impressionantes. Olhar sempre altivo, a leveza de seus passos, e o jeito como se entregava a dança eram tão lindos. Por vezes surpreendia-me com olhar apaixonado para ela.
Era ótimo não ter de me esconder para observá-la dançar como há alguns anos atrás. Olhei para o lado com certa rapidez em um momento de distração, encarando minha princesa novamente segundos depois. Suspirei irritado arrumando o óculo ao rosto. Era insuportável ver outros rapazes olhando descaradamente para minha namorada. Olhar para o traseiro dela. Anna Mel já era linda, de curvas perfeitas. O uniforme curto de torcida apenas evidenciava isso. Era detestável saber que ela usava roupas tão pequenas. Talvez ela pudesse usá-las apenas em um momento íntimo nosso, mas não em outro lugar. Não com garotos olhando para seu bumbum. Desejando-a. Poderia imaginar quantas vezes ouvia garotos afirmarem o quanto Anna Mel era linda. Isso mesmo antes de ter qualquer tipo de contato com ela. Hoje, provavelmente não seria diferente. E saber disso era detestável. Irritava-me profundamente. Sim, sou um namorado ciumento. E não tenho vergonha de admitir.
Sorri quando Anna acenou para mim com um lindo sorriso no rosto. Permaneci sorrindo, vendo-a agora, conversar com as colegas de torcida. Depois de tê-la quase as lágrimas em meus braços em sua casa, percebi o quão frágil é. A pose que fazia de mulher forte era apenas aparência. Porém por mais que sentisse que ela desejasse abrir o coração, algo parecia impeli-la. Talvez, Anna nunca tivesse desabafado com ninguém. Porém, o único modo de fazê-la falar era deixá-la livre para isso. Não quer dizer que não tentaria mais uma vez, mas seria melhor se ela decidisse fazê-lo.
– Oi. - ouvi sua voz em meu ouvido notando que ela me abraçava o pescoço. Ri abraçando sua cintura beijando-lhe a bochecha calorosamente.
– Olá anjo. Estava linda dançando. - comentei beijando agora, seus lábios. Ela sorriu partindo-o. Acho que chorar em meu ombro lhe fez bem.
– Obrigada...
– Pessoas que me amam, eu quero doces! Todos os doces que compraram. E quero já. A rainha lhes ordena. - disse Ashley interrompendo novamente nosso momento. Ri por mais uma vez encarando o rostinho de Anna que havia ficado vermelho com a pergunta. Ela detesta dividir os doces. Ciumenta.
– Como assim meus doces? Meus bebês? Está louca? Quase esganei o professor de Sociologia por isso. Não vou dar.
– Mas pra o Juju você dá.
– Ashley, ele já é uma Jujuba, vai comer mais Jujubas para quê? Para matar os próprios parentes? Aí ele será um CarniJujubas! - a comentou. Gargalhei alto atraindo a atenção de algumas pessoas. Não consigo acreditar no que ouvi. Mas que bobinha.
– Porque você está rindo? - perguntou ela.
– Eu... Devorando meus parentes... CarniJujubas... – tentei tornando a rir.
– Ah, ele está rindo porque achou engraçado você dizer que ele devora os parentes... Acho que a Tia Pattie passou açúcar com Doritos no Juju. Afinal você adora fornicar com ele. - comentou a loira dando de ombros.
– Ashley! Fale baixo! - reclamamos juntos. Rimos depois.
– E o que vocês resolveram sobre a festa? - perguntou à loira de repente. Fazendo cachos no cabelo com o dedo indicador.
– Que festa? - perguntou agora Anna. Confusa.
– A festa de comemoração de 16 anos que será conjunta. Anna Mel e eu comemoraremos juntas. Lembram? Vamos comemorar juntas, nossos dezesseis aninhos. Não acredito que não resolveram nada! - reclamou Ashley.
– Oh sim, lembro agora.
– Que bom Juju, porque você é o príncipe da Anna. Você vai dançar a valsa com ela. E Anna que me ama, não precisa procurar um vestido para usar.
– Ashley, por favor, me diga que não comprou um vestido rosa e grande no formato de um bolo... - Anna cruzou os dedos mordendo os lábios implorando para que a resposta fosse não. Ashley sorriu deixando a mão sobre a cintura. Pude ver alguns garotos lhe encararem o traseiro.
– Pode ficar tranquila, quem comprou foi minha mãe e ela achou um vestido perfeito para você. Só não posso contar mais detalhes, porque sua Jujuba está bem abraçado a você. - respondeu ela juntando os lábios.
– Se foi a sua mãe quem escolheu os modelos, fico mais tranquila. Você tem alguma foto dos vestidos no celular? - perguntou Anna vendo Ashley assentir positivamente com a cabeça. Ri olhando para o lado vendo um garoto olhar para o bumbum da minha namorada. Ele tinha a boca aberta, e seu amigo que estava ao seu lado fazia o mesmo. Desci o olhar até as calças dos dois. Infelizes!
– Hey! Vocês dois! Ela tem namorado! - gritei para os dois que não estavam muito longe. Anna e Ashley viraram o rosto olhando para os dois.
– Idai? Isso não nos impede de olhar pro bumbum delas. - respondeu da esquerda.
– Pare de olhar pro bumbum dela, ou terei de ser indelicado e bater nos dois. - ameacei cobrindo o bumbum da minha namorada com as mãos espalmadas. Anna Mel riu fraquinho. Mantive o olhar firme vendo os dois se afastarem caminhando para fora da quadra. Tentei em vão baixar um pouco a saia curta que minha pequena vestia enquanto ouvia sua risada em meu ouvido.
– Você fica lindo com ciúmes. – disse baixinho em meu ouvido. Deixei minhas mãos espalmadas em seu traseiro tentando cobri-lo. Onde está meu casaco em horas dessas?
– Estou apenas cuidando do que me pertence. Não gosto quando eles ficam olhando seu traseiro. Até parece que não tem namorada. Mas que coisa! – reclamei fazendo Anna ficar de costas para mim. Abracei-a por trás, cobrindo assim, seu bumbum. Ela pôs as mãos sobre as minhas deixando sobre elas alguns carinhos.
– Traduzindo para nossa língua, você está com ciúmes. – disse Ashley simples. Anna riu. Rendido assenti com a cabeça afirmando que estava com ciúmes relaxando a cabeça sobre o ombro dela. Que perfume maravilhoso.
– Sim eu estou com ciúmes e vocês sabem disso. – falei. Elas riram mais uma vez.
– Você recebeu alguma informação do seu pai? Desde a noite passada que ele não apareceu. – comentou Ashley.
– Não, mas logo ele estará em casa. Não duvido nada que esteja com outra.
– Não seja tão negativa, Anna. Ele pode mudar...
– Está enganada, Ashley. Dizer que meu pai pode mudar é o mesmo que perguntar se cego pode enxergar.
– Pessoas crescem. – continuou ela.
– Não, elas não crescem. – rebateu Anna.
– Bom, como vão os preparativos para o ‘Cine Pipoca’ de hoje à noite? – perguntei mudando rápido de assunto. Anna parecia irritar-se com o rumo da conversa. Ela precisava esquecer um pouco, mesmo que por meros segundos todos os problemas.
– É mesmo Juju! Tinha até me esquecido! Tinha comentado sobre isso com a Anna durante a aula de matemática e...
– Você andou conversando durante a aula? Você sabe que isso é prejudicial? Você pode perder a explicação. Nunca mais faça isso! Os estudos são a única forma de garantir um futuro melhor. – falei assustado com ato das duas. Elas riram. Mas o que há de engraçado? Estou falando a verdade.
– Mas foi só por cinco minutos! Não foi muito tempo, além do mais o professor não estava fazendo nada. – disse Anna.
– O quadro negro estava repleto de atividades. – falei.
– Então aquelas letrinhas eram isso? Hum... Legal. – falou ela dando de ombros.
– Vocês precisam se interessar mais pelos estudos. Estou falando sério. – continuei. Recebi um beijo na bochecha da minha namorada. Ao ouvirem a treinadora chamá-las as duas foram o seu encontro deixando-me sozinho mais uma vez. Com um sorriso orgulhoso sentei novamente retirando da bolsa o caderno respondendo as questões pendentes do exercício de matemática. Olhei mais uma vez para minha morena e sorri.
[...]
Bati na porta por duas vezes arrumando o óculo ao rosto e o cabelo jogando-o para o lado. Ouvi alguns sons do outro lado. Arrumei a roupa.
– Só um minuto. – ouvi a voz de Anna Mel. Sorri com isso.
– Anna onde estão os doces? E os esmaltes que disse que comprou? Damon faça alguma coisa! – ouvi a voz de Ashley do outro lado. Ela resmungava bastante. Será que ainda tem alguém vivo ali?
– Estou indo... – ouvi Anna Mel dizer mais uma vez até abrir a porta respirando fundo. Poderia imaginar que estivesse bastante ocupada correndo de Ashley. Beijei-lhe a boca abraçando seu corpo com a mão livre. Ao partir o beijo notei que ela estava apenas de pijama e com sua costumeira Milhela nos braços. Sorri bobo.
– Você é linda sabia? Trouxe para você. Era a mais linda rosa que encontrei. Sabia que esse tipo de flor tem como significado amor eterno e romantismo? – perguntei sorrindo. Não conseguia parar de sorrir, era automático sorrir ao vê-la. Era tão linda. Tão simples. Estendi a flor vendo um sorriso invadir seu rosto. As batidas do meu coração aumentaram com o ato.

– Que lindo! Obrigada querido. Você é um amor! – disse doce e impressionada abraçando fortemente meu corpo puxando-me para dentro da casa.
– Viu só Ashley? Não falei que era só ele chegar para ficarem fornicando? – falou Damon provavelmente sentado em algum lugar da sala de estar. Viramos os observando.
Havia uma espécie de colchão no lugar onde geralmente ficava a mesa de centro. As luzes estavam baixas, a madeira queimava na lareira, a sala tinha um clima ótimo proporcionava conforto. Havia pipocas sobre a cama forrada em um lençol azul claro. Olhei para Ashley vendo seu pijama sempre rosa. Precisei segurar o riso.

– Não estamos fornicando Damon. – reclamou Anna. Aproximamos-nos dos dois. Olhei para Damon observando que o mesmo também vestia roupas confortáveis. Mas o que há por aqui? É uma festa do pijama e não me contaram nada? Poderia ter trazido algo também.

– Porque estão todos de pijama? Pensei que fossemos assistir alguns filmes. – falei óbvio. Obviamente confuso.
– E vamos assistir alguns filmes. Mas preferimos usar algo mais confortável. Se quiser pode subir e trocar de roupa, querido. – disse Anna docemente. Para minha sorte, havia deixado uma roupa extra em minha bolsa. E para ser ainda mais sortudo também trouxe um pijama caso minha namorada pedisse para que lhe fizesse companhia esta noite.
Parti o abraço que nos envolvia subindo as escadas na direção do quarto da minha pequena. Fechei a porta, ainda ouvindo a voz de Ashley reclamar por sorvete. Ri tirando a roupa vestindo o pijama. Dobrei e guardei a roupa que usei para vir devolvendo-a a bolsa organizadamente. Peguei a mochila deixando em cima da cama dela onde estavam as bolsas de Ashley e Damon organizadas em fila. Caminhei até o espelho arrumando o cabelo e o óculo. Realmente, era bem mais confortável. Fiz alguns ajustes na roupa, saindo do quarto. 

[...]
POV ANNA
Apoiei a cabeça no peito do meu namorado comendo mais um pedaço da barra de chocolate. Estava tentando a todo custo não me assustar com o filme. Damon era o único que poderia escolher um filme de terror para assistir. Não gosto da Samara Morgan. Ela me assusta me dá arrepios. Imagina se ela sai da televisão agora e mata todo mundo? Ainda tenho doces para comer. Isso é um absurdo!
– Você está com medo? – perguntei no ouvido de Justin o abraçando ainda mais forte. Ele riu negando com a cabeça.
– Está com medo? – rebateu ele com a mesma pergunta.
– Perguntei primeiro.
– Não. Acho até interessante como utilizam tanta tecnologia nas cenas. Principalmente na cena em que ela sai pela televisão. Porém devo admitir que o segundo parece que é melhor do que o primeiro.
– Eu prefiro assistir A Hora do Pesadelo, com o Freddy Krueger. Ele é mais gatinho do que a Samara. – comentei um pouco alto.
– Você prefere um cara que mata as pessoas nos sonhos do que uma garota que sai do poço? – perguntou Ashley.
– É bem melhor. – falei.
– Está dizendo isso porque gosta do filme. Eu morro de medo desse filme. Ele vai destruir minha linda pele com essas lâminas que tem no lugar dos dedos. O Freddy é muito mau! – rebateu Ashley.
– Tem medo do Freddy, mas não tem medo da Samara Morgan. Qual o seu problema, Ashley? – perguntei desentendida arqueando a sobrancelha.
– Não tenho problemas. Sou uma pessoa alegre. Só seria feliz se tivesse mais pipocas. Elas acabaram. – respondeu à loira.
– Eu trago mais. Pode deixar. – falei levantando rápido saindo da sala às pressas tentando a todo custo não ter medo e não olhar para trás.
Sei que fantasmas não existem, mas me certificar que não tem nenhum atrás de mim não custa nada. Suspirei pesado pegando a pipoca para microondas. Abri a embalagem tentando não pensar no filme. Tinha medo que ela saísse do microondas como sai da televisão só para me matar. Para me prevenir peguei a maior faca que havia na cozinha. Paranóica? Eu? Imagina!
                                                               Play na Música...
– Você é muito medrosa! – cantarolou alguém. Levantei o olhar vendo Damon com um sorriso divertido encostado a bancada.
– Não sou medrosa. Apenas me previno de fantasmas inexistentes com uma faca. – expliquei. Na verdade estava com medo, mas, ele não precisa saber disso.
Deixei a faca sobre o balcão deixando a pipoca no microondas. Depois de acertar o tempo de cinco minutos virei distraída dando de cara com Damon. Ele estava próximo demais, podia sentir sua respiração próxima. Respirei fundo. Estávamos próximos demais.
– Está passando mal? – perguntei tentando mudar o rumo daquilo. Sabia que não iria acabar bem. Ele riu acariciando meu rosto.
– Sempre brincalhona.
– Damon...
– Você parece tão feliz com ele. É difícil saber que minha ex-namorada é feliz com outro cara...
– Damon não...
– Não consigo ver você com ele, eu não gosto desse cara. Eu te amava Anna Mel. Eu ainda te amo. Não suporto ver você com ele. Não suporto saber que ele beija sua boca, desfruta do seu corpo. – dizia ele ficando cada vez mais perto de mim. Seu olhar se dividia entre meus lábios e meus olhos. Falando sempre baixo, sempre doce.
– Por favor, não faça isso... – tentei mais uma vez. Justin estava na sala. A alguns metros de nós. Se nos visse desse jeito, não gostaria de imaginar o que ele pensaria.
– Porque é tão doce? Tão simples tão carinhosa e caridosa? Porque é tão linda? Porque me faz amá-la cada dia que passa? Minha pequena dos olhinhos verdes... – perguntava ele baixinho. Engoli a seco.
– Pensei que tinha superado.
– Não consegui. Mas pelo visto você fez isso por mim. – disse ainda baixo.
Abraçou minha cintura com a mão livre colando nossos corpos. Com a outra acariciou meus cabelos aproximando nossos rostos. Encarei seus olhos me perdendo em sua imensidão azul. Aquilo me fez lembrar todos os momentos que passamos juntos.
– Sinto muito. Eu nunca quis magoar você... Mas, agora eu tenho outro alguém. Eu amo...
– Por favor, não diga que o ama. Não na minha frente, por favor.
– Nunca foi a minha intenção fazer você sofrer, eu...
– Admita Anna. Admita que lembre tudo, que ainda sente falta. Olhe nos meus olhos e fale. – disse ele. Engoli a seco novamente. Aquilo era impossível. Não conseguiria mentir para ele olhando em seus olhos. Não olhando tão profundamente.
– Eu não poço. – disse olhando para o chão. Mas fui puxada para ele novamente. Poderia ouvir o estalo da pipoca atrás de mim.
– Estava certo! Você nunca me esqueceu. Nunca! É tudo fachada, não é? Sei que me ama. – dizia ele com um pequeno sorriso no rosto.
– Damon eu o adoro, mas não o amo. Eu amo...
– Por favor, não complete essa frase...
– Eu amo o Justin. O amo como nunca amei ninguém. Amo de verdade.
– Então quer dizer que seu amor por mim foi uma mentira? – perguntou e uma lágrima molhou seu rosto. Doeu vê-lo chorar.
– Não! Nunca! Jamais menti em relação dos meus sentimentos por você. Eu era apaixonada por você Damon...
– Mas não era a mesma coisa. Paixão não é a mesma coisa que Amor. Você diz que era apaixonada por mim. Você diz que o ama. Paixão e Amor são coisas tão diferentes, Anna... Infelizmente nunca tive seu coração, não é mesmo? – continuou a perguntar deixando outra lágrima cair. Sua mão tornou a tocar gentilmente meu rosto.
– Sinto muito. – falei baixo.
Uni todas as minhas forças encarando seus olhos se fecharem e seu rosto ficar cada vez mais próximo. Fechei os olhos sentindo-o deixar um beijo doce na ponta do meu nariz. Respirei fundo abrindo lentamente os olhos criando coragem para encará-lo novamente. E quando o fiz meu coração se partiu ao ver lágrimas silenciosas molharem seu rosto.
– Você nunca foi minha... Mas meu coração sempre será seu. – disse baixo ainda encarando fixamente meus olhos.
Antes que pudesse pensar em dizer algo vi o mesmo sair pela porta da cozinha. Saiu do jeito que estava de pijama e chinelos. Atordoada vi Ashley na porta da cozinha e uma lagrima escapou de meus olhos. Ela assentiu parecendo ter ouvido parte da conversa. Ela entendia. Ela sabia.
– Mas o que houve aqui? Céus! A pipoca vai queimar. – ouvi a voz de Justin invadir a cozinha, segundos depois.
Parada no mesmo lugar o observei tirar a pipoca do microondas e deixá-la em cima do balcão. Olhou para mim confuso, ficando a minha frente. Acariciou meu rosto com a mão.
– Está tudo bem, meu anjo? Onde está Damon? Ele disse que viria ajudá-la, mas...
– Ele atendeu a uma ligação. Provavelmente foi a mãe dele que ligou o chamando para casa. Está tudo bem, vamos voltar e assistir o filme que a Anna sugeriu. – mentiu Ashley pondo as pipocas em um recipiente de plástico grande, agindo normalmente. Saiu da sala segundos depois.
– Está tudo bem mesmo? – perguntou inocente. O puxei pela nuca colando nossos lábios em um beijo.
– Eu amo você. E nunca. Eu repito, nunca duvide disso. – disse firme assim que parti o beijo.
– Eu também amo você... Mas tem um policial esperando na sala de estar. Ele quer falar com você. - o revelou arrumando o óculo.
– O que? – perguntei assustada caminhando rápido até a sala.
– Você é a filha de Alex Anthony Montês? – perguntou o policial parado no meio da sala. Afirmei confusa e temerosa.
– Sim sou eu o que deseja?
– Bom, eu sinto muito informar, mas... Identificamos o corpo do seu pai que jogou o carro da ponte que fica na divisa das cidades e... – disse ele. Arregalei os olhos com o coração a mil.
– Espere. Como assim o ‘corpo’? Não me diga que...
– Alex Anthony Montês morreu quando o carro caiu da ponte na divisa das duas cidades. Eu sinto muitíssimo senhorita.
 [...]
Cruzei os braços. Desencostei da parede respirando profundamente pela milésima vez. Estava impaciente. Fazia duas horas que ela estava na sala de cirurgia. Há cinco minutos cheguei da pequena capela que havia no hospital. Lá orei por Alex, pedi por minha mãe. Não queria perdê-la. Mas não queria ver a dor em seus olhos quando soubesse do que aconteceu com o ex-marido. Sabia que apesar de tudo ela ainda gostava dele. E isso era terrível.
– Trouxe um sorvete anjo. – disse Justin a minha frente. Sorri vendo a bela visão que ele trazia nas mãos.
Meus olhos se arregalaram e minha barriga roncou. Passei a língua nos lábios pegando aquela beleza. Justin riu quando levei um pouco do sorvete a boca, fechando os olhos em seguida saboreando lentamente aquela maravilha. Continuei comendo e comendo vendo algumas pessoas. Tinham até algumas crianças caminhando junto de seus pais pelo corredor. Ver aquilo me fez lembrar que os irmãos de Justin estariam na cidade para visitá-lo. Porém não tinha o mesmo medo da última vez. Com a ajuda do bolo consegui interagir muito bem com eles. Pequenos anjinhos. O único problema é que eles tenham me esquecido e fiquem com receio de chegar perto de mim. Sim, podem me chamar de paranóica, não ligo. Ri fraquinho olhando para o lado vendo Ashley passar por nós com um sorvete rosa nas mãos. O canto de sua boca estava sujo pelo sorvete rosa que comia. Parecia uma verdadeira criança.
– Como consegue comer tão rápido? – perguntou a loira ao meu lado. Dei de ombros, continuando a comer minha gostosura.
Passei a língua pela colher de plástico que por sua vez estava melada de sorvete, tornando a comer novamente. Que maravilha! Não tem coisa melhor do que isso. Não existe tempo nem hora para um bom sorvete. Admito.
– Eu soube que os pequenos Bieber chegam hoje, é verdade? – perguntou Ashley distraída. Caminhei até o pequeno sofá da sala de espera sentando sobre ele com certo alívio. Uma das regras dos preguiçosos é sentar sempre que se tem oportunidade. Foi o que fiz.
– Sim. Estou ansioso. Sinto falta dos meus irmãos. – respondeu Justin agora sentado ao meu lado.
Ele parecia realmente animado com a chegada dos pequenos. Também os adorava, era uma pena que chegaram nessas condições. Alex foi enterrado ontem, seu corpo levado para o país natal. Pensei de inicio que ele não sentia culpa alguma por ter feito o que fez. Por se dizer arrependido e, no entanto, traí-la novamente com uma pessoa sem caráter. Porém saber que ele simplesmente jogou o carro da ponte por culpa me deixou sem palavras. Os peritos constataram que o carro estava em perfeitas condições antes de entrar em contato com a água. Suicídio.
Sempre ouvi dizer que esse era o pior pecado que se poderia cometer. Está ele no inferno por isso? Ou está simplesmente dormindo á espera do retorno de Jesus que irá nos julgar e mandar-nos para o céu ou o inferno como diz minha religião. Não sou Católica. Tinha medo de que isso acontecesse com ele. Adultério também era outro terrível pecado... Mas afinal porque estou pensando nisto? Preciso me concentrar em minha mãe e dar-lhe forças para superar tudo isso. O problema é onde irei encontrar forças se nem eu tenho.
– Eu adoraria conhecê-los. Sua irmãzinha gosta de rosa? – perguntou Ashley. Justin riu.
– Sim ela gosta. Gosta de cor de rosa, Barbie, piscina de bolinhas e algodão doce. Adora a comida da Anna. – disse ele. O encarei ao ouvir a última frase que de fato me chamou a atenção.
– Ela gosta mesmo da minha comida? – perguntei curiosa.
– Sim. Ontem à noite enquanto nos falávamos perguntou se você poderia fazer algum doce para ela. Disse também que sente sua falta e que adora brincar com você. – respondeu ele afirmativo. Um pequeno sorriso surgiu em meu rosto.
Minha avó disse-me uma vez que para conquistar um homem é necessário começar pela barriga. Nunca pensei que isso funcionaria com crianças. Fiquei ainda mais feliz por saber que sentia minha falta. Jazmyn e Jaxon eram uma das poucas crianças que eu conseguia conquistar. Nunca fui má com nenhuma delas, o problema acontecia quando ficava nervosa tentando conquistar uma criança e acabo falando bobagens. O final é fácil de saber.
– Ela vai me amar quando ver minha beleza e meus cabelos poderosos. Jazmyn e eu iremos Divar! Mas só posso deixá-la observar minha beleza maravilhosa amanhã. Tenho que providenciar meu vestido para a festa de aniversário... Anna Mel as garotas no Brasil também comemoram os dezesseis anos? – falava a loira fazendo uma pequena pergunta no final.
– Sim, mas lá eles comemoram os quinze. Aqui é dezesseis. Entendeu?
– Entendi. Mas sabe, estava pensando... Não quero Britney e Dyllan na nossa festa. – comentou com firmeza.
– Mas é claro que não. Eles não passaram sequer pela porta da recepção... O que me faz lembrar-se de perguntar se já mandou os convites e se ainda guarda a lista dos convidados para que eu possa avaliar. Além do mais precisamos de quinze casais para a valsa... Céus! São tantos detalhes. Estou esgotada! – falei suspirando fundo sendo abraçada carinhosamente de lado pelo meu namorado.
– A lista dos convidados, eu entrego depois. Os sete casais serão nossos amigos mais íntimos e seus respectivos namorados. Os outros oito casais foram selecionados por mim de acordo com afinidade entre si, altura e claro, caráter. E também de acordo com nosso carisma por eles. Minha mãe está de olho em uma casa belíssima que serve como salão de festas. Você pode se encarregar de providenciar um DJ? – perguntou ela. Assenti positiva. Ela continuou.
– Bom, quando sua mãe sair do hospital, se Deus quiser isso vai acontecer muito rápido, tiraremos suas medidas para seu vestido. Damon será meu ‘Príncipe’ já que o mesmo se ofereceu de muito bom grado, e eu claro aceitei. Afinal somos lindos e maravilhosos. E estamos procurando um vestido belíssimo para que você dance a valsa com o Juju já que não gostou do vestido rosinha que escolhi o que prova que tem mal gosto para moda. Além de que temos que encontrar vestidos perfeitos para usar durante a balada. Ah, esqueci de perguntar se pode providenciar as lembrancinhas da festa. – continuou a falar tão rápido e alto que se não estivesse realmente prestando atenção não entenderia nada.
– Será uma grande festa. – comentou Justin. Ele olhava para baixo por vezes, deixando-me aflita.
Ele não tinha dinheiro para pagar um bom terno e um presente adequado para esse tipo de festa. Jamais quis que ele se sentisse desconfortável por não poder estar tão elegante quanto os demais. Para mim ele é perfeito de qualquer maneira, porém era difícil convencê-lo disto.
– Você deixou claro no convite que como presente, desejo que façam doações a instituições de caridade? – perguntei. Ela riu assentindo.
– Você é tão boa flor. Não entendo porque não pede de presente o Sneaker que sempre quis. – comentou a loira.
– Bom... Na verdade nem eu sei. Para ser sincera, eu adoraria ganhar um de presente, mas são um pouco caros e além do mais prefiro receber como presentes muitos doces e salgadinhos. Mas simplesmente quero que façam o que pedi. Acho que crianças doentes merecem mais do que eu. – falei sincera dando de ombros. Senti um beijinho doce na bochecha. Justin. Sorri o abraçando. Um abraço que não durou muito já que levantei imediatamente assim que vi o doutor entrar na sala de espera. Mike que estava quieto no canto da sala levantou junto a mim ás pressas. Vi o doutor respirar fundo passando a mão pelos cabelos levemente brancos.
– Então o que tem a dizer? Ela está viva? – perguntei em angústia.
– Por favor, diga algo. Está nos assustando! – disse Mike nervoso.
– Estão prontos para ouvir?
– Mas é claro! Diga o que houve! – falamos juntos esperando sua resposta.
– O que tenho a dizer que é Rose é uma mulher muito forte. Lutou com fervor nas duas paradas cardíacas que teve durante a cirurgia. Resistiu bravamente. Agora esperaremos para que se recupere o mais rápido possível. – disse ele deixando escapar o sorriso no rosto.
– Então quer dizer que ela sobreviveu? – continuou Mike esperançoso.
– Sim, ela sobreviveu e não corre riscos de morte. Vocês podem visitá-la amanhã. – concluiu. Fui puxada por Mike com força em um abraço apertado. Meu sorriso não poderia ser maior. Ela está bem!
[...]
Continuei caminhando junto a Justin. Sentia-me aliviada por saber que minha mãe teria uma segunda chance. Ela merecia isso. Porém não parava de pensar na sua reação quando finalmente soubesse o que aconteceu com o marido infiel que se suicidou por culpa, desespero. Remorso. Ele foi uma grande decepção para mim. Logo eu que achava que tinha um pai perfeito que amava sua esposa, seus filhos. Que se mantinha fiel e que jamais nos abandonaria. Quando mais conhecemos as pessoas, mais nos decepcionamos. É minha avó estava certa.
– Boo-Boo! – uma voz fina e baixinha atravessou meus ouvidos me obrigando a interromper os pensamentos notando agora que nos encontrávamos na sala de estar da casa de Justin. Vi ele se abaixar e abraçar os pequenos com força, distribuído beijos e abraços apertados com carinho e saudade.
– Anna Mel meu bem como você vai? – falou Pattie dando-me um abraço apertado. Como sempre um amor de pessoa. A melhor sogra do mundo.
– Estou bem muito obrigada. – sorri gentilmente.
– Soube sobre seu pai. Sinto muitíssimo! Espero que sua mãe se recupere. É uma boa pessoa. – falou baixo partindo o abraço. Desmanchei o sorriso pouco a pouco.
– Agradeço a preocupação. Você é um doce. – respondi sincera. Ela sorriu me abraçando de lado.
– Você que é querida. – disse ela ainda docemente para mim.
– Bolinho! – gritou a pequena estendendo os bracinhos para mim com um sorriso lindo e inocente no rosto. Jaxon fazia o mesmo, com a única diferença que parecia estar com sono. Ajoelhei-me ao chão ficando do tamanho dos dois os abraçando forte. Bom, depois que fiz o bolo para eles, os dois pequenos passaram a me chamar de Bolinho.
– Vai fazer mais bolo? – perguntou a pequena errando algumas palavras quando partimos o abraço.
– Claro que sim linda, mas o que acha de panquecas com calda de chocolate e M&M por cima? – perguntei. Ela riu abraçando meu pescoço mais uma vez fazendo o mesmo com Justin que estava ajoelhado ao meu lado. Ele a abraçou beijando o que podia da minha bochecha.
– Ah, eu trouxe uma coisa para vocês. – falei partindo mais uma vez o abraço. Ao verem os doces os dois riram e gritaram animados com a guloseima. Não poderia estar mais feliz.
[...]
Sabe aquela sensação de cansaso físico e mental? Pois é. É até dificil dizer como consegui administrar minha vida sem minha mãe. Mesmo sabendo que ela estava fora de perigo minha mente vivia atormentada com o que ela faria depois que descobrisse que o marido é um suicída. Era infeliz dizer que Rose ainda o amava, ela sempre amou sempre demonstrou isso. E ele simplesmente jogou isso fora mandando a felicidade de uma família para a lama. Talvez seja por isso que tenha repulsa de certos homens. Pessoas que não conseguem resistir a uma tentação. Sempre achei que quem ama não trai. Então porque ele fez isso com ela? Olhei para o lado vendo a pequena suspuriar lentamente no sofá.
– Você está bem princesa? – perguntei a ela. Seus olhinhos se abriam e se fechavam com lentidão. Estava muito caladinha. Acho que esse é o preço de quem corre o tempo inteiro pela casa.
– Tô cum sonu. – respondeu baixinho e errado esfregando os olhos. Peguei-a no colo sentindo a pequena relaxar a cabeça em meu ombro. Ela realmente está com sono.
– Acabei de deixar o Jaxon na sua cama e... O que ela tem? – perguntou Justin descendo as escadas da minha casa.
Trouxemos os dois para cá já que Pattie tinha que trabalhar. Passamos o dia nos divertindo. Comendo, brincando, rindo e bagunçando a casa. Não era de se imaginar que os dois estivessem cansados. Nós também estávamos.
– Ela está com sono. Acha que devo colocá-la na cama? – perguntei baixo o vendo concordar com a minha idéia. Subi até meu quarto deixando Jazmyn docemente deitada ao lado do irmão sobre minha cama.
– Você será uma boa mãe. Logo teremos os nossos filhos. Quatro filhos. – Justin sussurrou em meu ouvido abraçando minha cintura por trás colando nossos corpos. Arrepiei-me com o ato sorrindo levemente vendo os anjinhos dormirem.
– Quero te mostrar uma coisa. – disse o puxando pelo braço. Fechei à porta do quarto onde as crianças estavam o levando pela casa até uma ultima porta que havia no corredor. Abri a mesma tendo acesso ao quatro de hóspedes.
– O que estamos fazendo aqui? – perguntou ele curioso. Larguei sua mão.
– Eu achei isso há alguns meses atrás antes de tudo isso acontecer. Quero muito mostrar a você. – respondi puxando uma pequena cordinha no teto com força vendo a escada sair pela porta que ficava no teto que dava acesso ao sótão. Segurei sua mão subindo as escadinhas junto a ele. Pude observar que ele arrumava o óculo observando cuidadosamente cada detalhe que encontrava no lugar. Puxei a escada para cima que funcionava como uma porta. Assim poderíamos ficar mais a vontade.
– Esse lugar é muito lindo, mas que estamos fazendo aqui? – perguntou ele virando-se para mim. Sorri travessa dando uma rápida olhada no local que era agradável e perfeito para o que estava planejando.

– Bom, meus pais usavam esse local para ficarem um pouco mais confortáveis se me entende. Uma das vezes que usaram o sótão para suas aventuras amorosas descuidaram-se um pouco o que resultou que descobri esse lugar. – respondi simples mordendo os lábios. Justin pareia ainda mais lindo e sexy, com seu olhar curioso e levemente assustado. Dei um passo a frente.
– E porque estamos aqui? O que está planejando? - perguntou ele. Sorri sapeca o empurrando sobre a cama sem parar de morder os lábios e encará-lo de cima a baixo.
– Já que meus pais usavam esse lugar para ‘aventuras’ porque nós não? – falei finalmente subindo em cima de seu corpo beijando-lhe os lábios carnudos e doces sentindo-o retribuir o beijo ferozmente.

0 comentários:

Postar um comentário

About

 

Fanfics para Belieber Template by Ipietoon Cute Blog Design and Bukit Gambang