14 de mai de 2013

A Hora do Pesadelo - Capítulo 4 - Não Durma na Sala de Aula


POV NANCY
– Está pronta querida? – ouvi a voz da minha mãe ao fundo. Arrumei a roupa ao corpo, encarando minha imagem mais uma vez de frente ao espelho. Respirei fundo tentando entender a idéia de que Dean estava morto. Morto enquanto dormia por um homem que trazia lâminas nas mãos, que o matou a sangue frio sem nenhum motivo cabível. Parecia loucura. Como alguém poderia perseguir e matar outra pessoa em um sonho? Aquilo me perturbava. Tinha medo de dormir e vê-lo novamente com suas lâminas afiadas e seu rosto assustador. Suspirei virando e vendo minha mãe com meio sorriso. Um pequeno sorriso triste.
– Está linda meu bem. – comentou me abraçando de lado. E juntas caminhamos para fora da casa. A caminho do enterro de um amigo. De uma pessoa cheia de vida e amor. Com um futuro maravilhoso pela frente. Um futuro que foi tirado da forma mais terrível possível. E o pior de tudo... Eu o vi morrer. E não pude fazer nada. Nada.
[...]
– A dor pode muitas vezes destruir corações, mas também pode nos unir nessa dor. Estamos reunidos aqui hoje para pedir pela alma de um jovem cheio de vida pela frente. Vida essa que foi tirada de forma brutal e cruel... Rezemos. Querido Deus... – dizia o padre atrás do caixão onde residia, agora, o corpo de Dean.
As pessoas sentadas a minha volta mantinham os olhos fechados, repetindo as mesmas palavras do padre. Algumas choravam durante a oração. A mãe dele por exemplo. Minha garganta parecia arranhar. Ela me chamaria de louca se contasse que vi seu filho ser morto por um homem de rosto deformado e facas nas mãos. E que vi tudo isso enquanto estava dormindo. Ela me chamaria de louca, com certeza diria que estava zombando de sua dor. Não tinha com quem falar sobre isso. Minha mãe não acreditaria em mim Ninguém acreditaria em mim. Às vezes queria saber se era a única a passar por isso. Se aquilo não era apenas um delírio. Mas era claro que não era um delírio. O ferimento em minhas costas denunciava o quão verdadeiro era. A morte de Dean também era um dos pontos em que poderia realmente dizer que era real. Estava com medo, mas não queria fechar os olhos como os outros. Tinha medo de cair no sono e encontrá-lo novamente.
– Querida, feche os olhos e ore conosco. – sussurrou minha mãe ao meu lado de olhos abertos.
Rendida obedeci à ordem. Fechei os olhos, sentindo a sensação de cansaço tomar conta de meu corpo. Fazia horas que não dormia bem, estava exausta. Relaxei meu corpo na cadeira pendendo a cabeça um pouco para trás. Por instantes tudo ficou silencioso e foi nesse instante, que lembrei que não poderia dormir. Arrumei meu corpo à cadeira abrindo lentamente os olhos para que minha mãe não percebesse tal. Ouvia a voz do padre ao fundo, como se estivesse abafada. As pessoas a minha volta, incluindo minha mãe permaneciam de olhos fechados, repetindo tudo que o padre falava, mas não podia escutar suas vozes. Virei para olhar para o padre quando vi perto do túmulo uma garotinha. Ela era baixinha e morena. Usava um vestidinho azul claro e sapatinhos brancos. Mas eu conhecia aquela garotinha. Conhecia aqueles olhos verdes.
Encarei seus olhos por um momento. Aquela garotinha era eu quando tinha cinco anos de idade. Pouco a pouco a voz do padre ficou mais distante até ser impossível de ouvir. Mas ele permanecia no mesmo lugar. Parecia falar, mas não escutava sua voz. Arrumei-me melhor a cadeira, assustada. Vendo a criança a minha frente jogar um buquê de rosas brancas na vala onde seria colocado o caixão. Ela sorriu fraquinho para mim estendendo a mão. De olhos arregalados, virei o rosto olhando para o lado novamente. Era como se todos estivessem parados, congelado. O ambiente continuava claro, já que era dia, mas tinha algo sinistro... Como se fossem forças malignas. Minha respiração ficou falha ao ver algo se mexer ao longe entre arbustos. Engoli a seco de mãos tremendo. Minha visão começou a ficar embaçada à medida que me esforçava para ver algo. Cocei os olhos ainda olhando para trás, ouvindo os mesmos barulhos de arbustos se movendo. Como se alguém estivesse me espionando ao longe. Ninguém se movia e aquilo estava de fato me deixando assustada.
Em meio ao som de risadas que cortou o clima silencioso me encolhi na cadeira, virando para frente. Meus olhos passearam pelo corpo da garotinha, que era eu quando mais nova. E novamente fiquei de olhos arregalados ao ver seu vestido rasgado e o sangue escorrendo de seu peito. Meu tórax subia e descia com a minha respiração acelerada. Agarrei a cadeira assustada vendo a garotinha, ou meu outro eu, andar para trás ficando ainda mais perto da cova. Com um sorriso macabro e olhar inocente ela me encarou sempre estendendo a mão para que eu segurasse. Apertei os olhos analisando-a por completo. Pulei da cadeira quando uma mão conhecida segurou o pé do meu outro eu. Gritei assustada e depois de abrir os olhos, percebi que ainda estava sentada na mesma cadeira. Percebi também que o padre agora finalizava a oração e agora eu podia ouvir as pessoas repetirem as frases ditas por ele. Uma lágrima solitária molhou meu rosto, e ainda respirando rápido passei a mão pela testa suada.
– Acabou querida. Acabou. – disse minha mãe ternamente ao ver meu pequeno ar de desespero. Provavelmente acha que estou assim por conta de Den. Pensei.
Levantei da cadeira, caminhando até a mãe de Dean. Dando nossos pêsames e apoio. Enquanto minha mãe falava com a mulher loira a sua frente, andei até Justin abraçando fortemente seu corpo. Ainda estava assustada com aquilo. Não acredito que ele teve tempo suficiente para me importunar. Foi apenas um cochilo, mas foi o bastante para que ele tentasse algo novamente.
– Vai ficar tudo bem. – falou ele em meu ouvido. Será que ele também está tendo os mesmos sonhos que tenho. Ou devo dizer, pesadelos?
– Não consigo acreditar que o Dean morreu. – comentou Lola abraçada a Jesse. Eu consigo. Pensei em resposta.
– Como foi que ele morreu mesmo? – perguntou Jesse. Parti o abraço com Justin, cruzando os braços.
– Ele morreu esfaqueado. Tiraram suas tripas e deformaram seu rosto. – respondi fria. Aquele assunto me irritava apenas pelo fato de não poder ter feito nada para ajudá-lo a salvar sua vida.
– Mas quem faria isso com ele? Todos gostavam do Dean. – comentou a loira, ainda abismada.
– Já disseram que ele estava tomando alguns remédios para se manter acordado, ou algo do parecido. Será que ele ficou viciado em drogas? – questionou Jesse em meio ao comentário.
Enquanto eles falavam, minha mente voou para longe. Se o que Jesse estiver falando, for realmente verdade... Então Dean também estava tendo os mesmos sonhos que eu. Eu precisava saber por quê. Precisava saber quanto tempo agüentou ficar acordado e se eram apenas nós dois que estamos passando por isso. E principalmente o que houve para que ele nos perseguisse durante o sono. Tudo cabia naquela simples pergunta. Por que. Por quê?
[...]
Saí do refeitório, com minha guloseima favorita em mãos. Meus amados Doritos, ou Nachos. Como preferirem chamá-los. Não demorei muito para chegar à aula de história. Sala onde poucos alunos estavam sentados em suas cadeiras. Não havia nenhum professor na sala. Sentei atrás de uma garota. Justin estava sentado atrás de mim. Lola na fileira ao lado, sentava-se na terceira cadeira, e Jesse na quarta, ficando ao meu lado.
– Adorei sua roupa, Nancy. – comentou a loira assim que me viu por a bolsa sobre a mesa. Sorri grata, analisando com rapidez a roupa que vestia. Até que não estava tão ruim. Pensei, deixando a bolsa sobre o chão ao lado da cadeira.
– Galera, vocês querem passar a noite na minha casa? Meus pais viajaram e estou com medo de ficar sozinha. – comentou Lola virando-se um pouco mais na cadeira.
– Está com medo de quê? – perguntou Justin atrás de mim em um momento curioso.
– É que noite passada, depois do enterro eu tive um pesadelo assustador. Era um homem com um chapéu e suéter listrado. Ele tinha uma espécie de lâminas nas mãos e tentou me atacar. Parecia muito real. Ainda consigo ouvir as risadas dele por qualquer lugar que passo. Estou muito assustada. Eu só não quero dormir sozinha. – revelou à loira. Engoli a seco encarando Justin e Jesse que pareciam ter a mesma reação. Céus! Ela também estava tendo os mesmos pesadelos que eu e Dean tivemos.
– São apenas pesadelos, Lola. Não são reais. – falou Justin e pude ouvir sua voz falhar. Olhei para frente vendo o professor de história entrar na sala com livros em mãos. A aula iria começar.
[...]
POV LOLA
– Mas que coisa chata. – reclamei baixinho.
– Já está terminando. – ouvi Nancy comentar baixo em resposta a minha reclamação. Ri, bufando irritada em seguida.
Estava quase dormindo, aquela aula estava muito chata. O professor falava, mas a única coisa que eu fazia era tentar não dormir. Depois do pesadelo assustador que tive ontem, passei a noite em claro com medo, encolhida na cama. Coberta da cabeça aos pés. Não costumava ser medrosa, mas foi um sonho realmente assustador. Parecia até que era real e aquilo me deixou apavorada. Debrucei-me sobre a mesa apertando os olhos. Tudo que queria era dormir, mas não poderia fazê-lo aqui. Suspirei relaxando as costas novamente sobre a cadeira. Abri o livro procurando a página indicada pelo professor.
Fui passando página por página, sentindo meu coração acelerar pouco a pouco vendo cenas de massacres nas páginas. A voz do professor ficou abafada e distante enquanto eu folheava o livro com o coração a mil. Parei duas páginas depois vendo sangue em uma delas. Na outra pude ver a mesma luva com facas. Pude ouvir as mesmas risadas do sonho anterior. O som de gritos de horror, rondaram o lugar. As pessoas a minha volta se moviam normalmente, mas nada do que elas fizessem por mais barulhento que fosse não me fazia ouvi-las. Olhei assustada para os lados, ainda tendo a sensação de ouvir os risos ainda mais perto. Passei as mãos sobre a cadeira, apertando-a com força. Fechei os olhos em seguida, os apertando com tanta força que não sabia se poderia senti-os novamente.
– Acorda, acorda, acorda, acorda. – pedi repetidas vezes segurando a cadeira. Ouvia nitidamente as batidas do meu coração, e a respiração acelerada fazendo meu peito subir e descer rapidamente. Ao abrir os olhos, vi uma sala escura como se estivesse sido queimada. Logo à frente, no quadro, o mesmo homem de suéter listrado, chapéu e facas nas mãos. Minhas mãos tremeram ao vê-lo, agarrando ainda mais forte a cadeira de ferro que sentava.
– Você não devia dormir durante a aula. – falou ele em seu tom de voz demoníaco.
Arregalei os olhos quando ele se virou, levantando da cadeira correndo porta a fora. Continuei correndo pelos corredores até entrar em outra sala me fazendo frear com rapidez. Meu peito subiu e desceu e a porta bateu com tamanha intensidade que pude sentir meu corpo tremer. Meus pés estavam molhados, devido à água que molhava a sala e chegava a meu tornozelo. Dava pequenos passos para trás, vendo-o caminhar lentamente em minha direção. Sempre exigindo as facas que tinha nas mãos de olhar banhado em maldade.
– Oi Lola.
– Quem é você? – perguntei em raro momento de coragem. Ele continuou a se aproximar de mim que me afastava lentamente. Minhas mãos tremiam evidentemente. O medo era visível em meus olhos.
– Você está ainda mais bonita. – comentou com um sorriso malvado no rosto. Recuei até sentir a mesa da cadeira, bater no bumbum. Dei um passo para o lado sem quebrar o contato visual com seus olhos e seu rosto desfigurado sentando na cadeira. Apertei a mesa com força, indo cada vez mais para trás. Ele apoiou uma de suas mãos na mesa enquanto ele deixava as facas bem próximas ao meu rosto.
– Não precisa ter medo... Não vai... Doer... Nenhum... Pouco! – depois que ele falou isso pude apenas ouvir o barulho das facas se chocando contra meu corpo, e em seguida gritei com toda a força que minhas cordas vocais permitiam. Sentia o corpo tremer incontrolável e de coesões a mil abri os olhos ao sentir mãos em meu ombro. Olhei assustada para os lados, tornando a encarar o professor a minha frente.
– Está bem senhorita? – perguntou ele. Ainda com os nervos a flor da pele, assenti positiva tendo olhares curiosos sobre mim. Vi no livro ainda aberto sobre a mesa uma mexa loira do meu cabelo sobre ela. Aquele não era mais um sonho. Não era apenas um sonho.

Oi, como vão? Bem, essa cena em que o Freddy ataca a Lola, é assim. Espero que tenham gostado do cap. Foi aqui que eu parei, logo tem um capítulo novo. Muitos beijos e até o próximo :)

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