31 de mai de 2013

My Angel - Capítulo 9 - Medo de Mim

Fanfic / Fanfiction de Justin Bieber - My Angel - Capítulo 9 - Medo de Mim
16 de Fevereiro, New York City, 09:10am
Estava mesmo enlouquecendo? Aquilo parecia tão idiota. Lá estava eu, sentada na cadeira da cozinha. Cozinha de um simples conhecido, que em pouco tempo tornou-se quase importante em minha vida. Desfrutando da comodidade de sua casa. Ele me tratava com carinho, e atenção. Era um brincalhão natural. Kenny, era seu segurança particular. E uma das pessoas mais maravilhosas que já conheci. Muito parecido com o protegido, estava sempre com um sorriso largo e branco.  Era muito doce e adorava conversar. Também adorava comer, assim como eu e Justin. Perto dos dois, era como estar perto de palhaços. No bom sentindo, é claro.
O grandalhão a minha frente, saboreava com lentidão a panqueca que preparei para eles. Já Justin, parecia uma verdadeira criança de cinco anos. Comia rápido e sujava o rosto no caminho. Falava de boca cheia, despejando-se em elogios. Segundo o que dizia, seu amigo e segurança, não era bom na cozinha. E ele poderia dizer o mesmo. Falava o quão maravilhoso fora aquele café da manhã, e que nunca comera tão bem em toda vida. Seus elogios tinham certo poder de fazer-me arrepiar. De sorrir. De ter as bochechas vermelhas e quentes em segundos. Mesmo falando de boca cheia. Mesmo com o rosto completamente sujo.
- Nós podemos ficar com ela? Hanna é tão adorável... Pode ser nosso bichinho de estimação. – brincou Justin, em mais um comentário de boca cheia.  E aquela brincadeira me fez quase sorrir.
- Obrigada... Eu acho.
- É claro que ela irá ficar! Se ousar pensar em sair desta casa, menina, puxarei você pelo braço e a trarei de volta. Nunca comi tão bem em toda vida! É definitivo. Gosto ainda mais de você depois deste belo café da manhã. – comentou Kenny em reposta ao garoto a sua frente. Sorri fraco, levando um pedaço da comida a boca. Aquela conversa boba era incrivelmente agradável. O clima era descontraído. O melhor. Um que nunca tive em toda vida. E graças aquele garoto maluco, este pequeno sonho estava enfim, se realizando. E pensar que a estas horas, as lágrimas molhariam meu rosto em meio aos gritos das pessoas que chamava de pai e mãe. Agora, a sensação de segurança era inabalável. E era maravilhoso.
- Céus... Coma devagar, Justin. Desse jeito irá se engasgar. – alertei, tomando um pequeno gole do suco de laranja em seguida. Ele passou a mão sobre a boca, limpando a pequena sujeira que ali se encontrava e, encarou-me.
- Estou comendo devagar. Na verdade, não tenho culpa se você é tão boa na cozinha. – justificou-se tornado a comer. Com uma pequena risada, o grandalhão levantou de sua cadeira, passando as mãos sobre a barriga estufada. O sorriso de satisfação estampava sem rodeios seu rosto.
- Meu bem, poderia levar alguns de seus waffles? – perguntou ele apontando para o prato a cima da  mesa.
- Mas é claro que sim. Deixe-me por em uma panela pra você...
- Acho que tem algumas aqui... Pode continuar comendo, menina. – respondeu doce, dirigindo-se ao armário atrás de si.
- Kenny, aproveite e ponha alguns dos biscoitos junto aos waffles. Eles são os biscoitinhos...
- Mais gostosos que já comeu. Você já disse isso, Justin. – interrompi segurando um pequeno riso. Depois de limpar-se, e se certificar de que Kenny havia atendido ao seu pedido, encarou-me com um sorriso nos lábios.
- Em relação aos biscoitos, sim, eu falo isso sempre que os provo. Mas saiba que a culpa é toda sua. Agora terá de aguentar ouvir-me falar o quando tem mãos maravilhosas para cozinha. Em segundo, por mais que não goste, irei repetir. Tem certeza de que realmente não deseja vir conosco? Sei que falar sobre negócios em pleno domingo não é agradável, mas ficar sozinha nesta casa pode ser um pouco deprimente. – argumentou arrumando a jaqueta de couro melhor sobre o corpo. Seu olhar se mantinha firme ao meu. E realmente não sabia como agir a isso.
- Ainda não me sinto... Hum... Preparada para sair. Sinto muito, acho que não serei uma companhia agradável. Vá, não se preocupe comigo.
- Irei se me prometer que ficará bem. E se prometer também, que ligará caso aconteça algo. E lembre-se, não importa se é ruim ou não. Promete?
- Isso é bobo.
- Certo. Então ficarei com você. Não me importo de passar minha tarde de domingo, correndo pela casa com a tigela de bolo nas mãos, como já fiz antes. – deu de ombros. Ele não brincava no que dizia. No dia de ontem, durante a tarde, fiz um bolo de chocolate com cobertura de morango. Porém, durante o preparo, o rapaz pegou a tigela de mistura e correu pela casa com ela. Quando finalmente o encontrei, depois de correr por cinco minutos, vi que Justin tinha comido toda a massa cremosa, tendo o rosto lambuzado por ela. Tive de refazer, é claro. Mas deveria admitir, foi divertido. Foi engraçado.  E lembrar aquele pequeno momento feliz, me proporcionou um pequeno sorriso nos lábios.
- Está bem. Prometo mantê-lo informado caso haja algo. – dei-me por vencida, retornando a sentar na cadeira, em frente ao balcão. Ele sorriu vitorioso, pondo as mãos nos bolsos, enquanto esperava o guarda-costas, fazer seu pequeno embrulho.
- Muito bem. E sabe as regras. Nada de por fogo na casa. Nada de ficar chorando pelos cantos, gosto de ver você sorrindo. Sorrindo sempre. Antes de atender o telefone, ouça com atenção a voz de quem fez a chamada. E caso baterem a porta, não atenda. De maneira nenhuma!
- Eu já sei as regras.
- Mas não há problemas em ouvi-las outra vez. Acha que quero que, um estranho entre aqui e tente fazer mal a você?
- Mas você era um estranho...
- Eu não era um simples estranho. Era um estranho doido. Mas o estranho doido em que você pode confiar. Esses outros, são apenas estranhos. E não quero nenhum deles perto de você.  – continuou a discursar em seu modo protetor. Ri fraco, quando seu corpo se apertou ao meu em um abraço forte e carinhoso. Terminado com um doce beijo na testa.
- Será que pode fazer outro bolo, menina? É que andar me deixa faminto. – justificou Kenny, passando a mão livre sobre o estômago, enquanto a outra carregava uma pequena sacola.
- Claro. Bolo de morango, o que acha?
- Perfeito. – sorriu largo e caminhou em direção à porta. Aminado como sempre.
- Cuide-se. Voltarei o mais rápido que puder. – disse Justin por fim, e então, ele e seu olhar preocupado rumaram até a porta.
E essa foi à última vez que pude observar seus olhos, antes de estar entregue a solidão desta casa. Com um longo suspiro, deixe-me sentar lentamente sobre o sofá macio da sala de estar. Quatro dias. Quatro dias morando um garoto gentil. Ele me ofereceu um abrigo, cuidou de mim e de  minhas feridas. Mas não pode curar uma. A mais profunda e dolorida de todas. Era o tipo de machucado que nenhum medicamento poderia curar ou amenizar. Perder a única coisa realmente valiosa era tão... Droga! Minha honra era mais importante do que qualquer coisa, mais valiosa do que qualquer quantia em dinheiro. Era a única coisa que importava, que valia a pena conservar. Mas a perdi. E aquilo doía. Provavelmente, se Justin não houvesse escutado meus gritos quase sem força de socorro, talvez não estivesse aqui.
Luca poderia ser cruel, essa era uma de suas especialidades. Sabia que depois de abusar de mim, se divertiria em mais uma de suas torturas, antes de um assassinato a queima roupa. Ou, ainda pior, tornar-me sua ‘ajudante’ em suas vendas. Aquelas eram as mais terríveis lembranças de toda minha vida. Porém, era ainda mais terrível, saber que me encontrava sozinha. Bom, talvez sozinha com um garoto maluco. Estar com ele, era como estar entre amigos. Mas algo ainda não se encaixava.  Mesmo estando rodeada por duas pessoas maravilhosas, a sensação de solidão não deixava de ser presente. Até porque, nenhum deles sabia a verdade. Nenhum deles, sabia em exato, tudo o que passei nesses últimos dezesseis, quase dezessete anos. E nenhum desses pensamentos deixavam minha mente.
Aquela casa silenciosa, atraia memórias que nunca deveria ter guardado. Lembrei por exemplo, do dia em que conheci Louise. E consequentemente o dia em que foi embora. Uma ligação foi o bastante para que me desse seu adeus da melhor forma que podia. A comida sobre o calção da cozinha, trazia, porém, as melhores recordações. Os maravilhosos biscoitos com pedaços de chocolates, feitos por minha avó, as maravilhosas aventuras contadas por meu avô, em um mundo de piratas, princesas e príncipes encantados. Os vários doces que devorava, a cada vez que estava com eles. As maravilhosas brincadeiras, o chocolate quente... Como sentia saudade disto. Saudades deles. Agora me encontrava sozinha, em um jardim de grama tratada em um verde vivo. Sentindo as lágrimas molharem silenciosamente meu rosto, levando com elas as maravilhosas e, dolorosas lembranças.  Talvez aquela dor nunca passasse, mas conviver com essa angústia certamente não seria a melhor solução. Ou talvez... É, talvez.
[...]

17 de Fevereiro, New York City, 10:20am
Toquei a maçaneta fria da porta, e recurei novamente, afastando-me dela. Era a quinta... Sexta... Não sei, talvez sétima ou oitava vez que repetia o mesmo ato. Essa luta interna estava deixando-me a tremer. Vinte e dois minutos, e sequer consigo tocar a maçaneta da porta, sem recuar. Sem sentir arrepios, ou medo.  A essas alturas, Justin estaria reunido aos demais adolescentes, em uma sala de aula pequena, com sapos para dessecar.  E era um momento ao qual pedia para ser uma pessoa normal. Eu precisava fazer algo.
E o primeiro passo seria encontrar um emprego. Seria, já que mal consigo abrir a porta, sem pensar que Luca poderia estar me esperando do lado de fora. Ou talvez, e ainda pior, Iago. Aquela era uma Hanna assustada, com medo das pessoas, com medo do mundo. Tento ideias assustadoras de que sair do refúgio da casa de Justin, seria a pior decisão da vida a ser tomada. Respirando profundamente, tornei a caminhar lentamente em direção a porta. Segurando com firmeza a roupa que vestia ergui a mão até a porta.
- Alguém em casa? – uma batida forte interrompeu-me, e assustada dei um salto para trás. De coração batendo forte, juntei as mãos em plena tremedeira, apoiando-me no sofá. Era impossível parar de encarar a porta.
- Alguém? Tenho algumas cartas aqui... Justin? – arregalei ainda mais os olhos, sentando-me no sofá. A voz era grossa e firme. Mas de onde conheciam, Justin? Será que é um visinho?
- Vamos abra a porta, não acredito que esteja na escola há essa hora. -  depois de bater por mais três vezes, um enorme silêncio reinou no ambiente, quando ouvi passos caminhando para longe.  Passando os olhos para baixo, vi algumas cartas em baixo da porta enorme de madeira.
Talvez estivesse louca, e bem... Certamente estava. Poderia ser um amigo, ou até mesmo um vizinho. Mas o medo que alertava minha mente, dizia que a qualquer momento algo ruim poderia me acontecer. Dizia também que Luca não descansaria até finalmente conseguir o que queria. E no fundo, o maior medo era de Iago e Holy encontrarem-me aqui. Os planos de Iago Evans costumam sempre dar certo.  E ele iria até o fim, para alcançar seu objetivo. E para isso, precisaria eu, estar lá. Amedrontada, apoiei a cabeça sobre as pernas e me pus a chorar. Sentindo-me uma completa estúpida por estar desabando em lágrimas. Por estar com medo. Por ter medo das pessoas. Por ter medo de mim.
[...]
- Acredita que tive de abrir um sapo ao meio? Foi nojento. Mas veja, trouxe algumas rosquinhas pra você. Estão deliciosas... – ouvi a voz animada de Justin ao entrar na casa. Em sua euforia, enquanto fechava a porta, enxuguei depressa as lágrimas e, ainda triste, pus da forma que pude, um sorriso no rosto.
- Nossa, obrigada. – respondi fraco, vacilando em algumas partes. Engoli em seco, tentando parecer o mais feliz possível. Ou o que eu pudesse parecer. Ele já fez demais por mim. Não seria justo retirar de seu rosto, aquele lindo sorriso que trazia provavelmente desde o início do dia.
- Estão realmente bons. Passei em uma loja de doces, e não pude resistir. Sei que gosta, então decidi trazer. E, me permita dizer que sinto muito por deixá-la tanto tempo só. O pessoal conversava demais, e quase não me deixaram sair. – comentava, deixando sobre o sofá a mochila e na mesa de centro, uma pequena caixinha em que, dentro,estavam deliciosas rosquinhas.
- Obrigada... – olhei para baixo observando minhas próprias mãos. Não chore agora, Hanna. Não na frente dele. Não chore. Alertava minha mente mais uma vez.
- Você saiu?... – perguntou cauteloso. Seu cuidado dizia tudo. Não fingi tão bem quanto planejei. Que as lágrimas já não negavam a dor em meu peito. Que os pequenos soluços, por mais que fossem silenciosos, relatavam uma parte do que tinha acontecido. E foi assim, impossível conter as gostas quentes que escorriam de meus olhos.
- Eu tentei... Eu não consegui sair... Tenho medo, eu... – explicava em soluços minha situação constrangedora. Depois, sentindo os braços dele, rodearem meu corpo, em um abraço carinhoso e protetor. Mas que vergonha, Hanna. Nunca pensei que se sujeitaria a isso. Logo você. Dizia minha mente, em sua plena decepção. E não era mentira. Porém, o calor do corpo dele era maravilhoso, e seu cheiro único, invadiam minhas narinas de maneira a deixar-me atordoada. Talvez estivesse derretendo em seus braços, enquanto as pequenas lágrimas achavam-se mais ousadas a cada vez que molhavam minha bochecha.
- Está tudo bem, eu estou aqui... Calma... Vai ficar tudo bem, nunca vou deixar isso acontecer novamente. Irei proteger você, prometo.  – dizia deixando pequenos beijos sobre meus cabelos. Talvez ele não soubesse o que dizer. Ou talvez, aquilo fosse exatamente a coisa certa a se falar. Por um momento, aquele pequeno carinho pode me fazer despejar toda a dor que sentia. Aquilo não era certo, não chore na frente de ninguém. Continuava minha mente. Mas entregar minha dor daquela maneira era tão diferente. Como se um enorme peso caísse de minhas costas. Era tão estranho, tão novo. Jamais poderia negar que, Justin me trazia sensações antes nunca sentidas por mim. E o pior de tudo isso, era que... Eu gostava disso.


 Espero que tenham gostado e muitos beijos. Até os próximos caps. AnjinhaPipoca :D

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